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Astro da Coreia do Norte chorou na Copa e sumiu da seleção após irritar Kim
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Rafael Reis

A cena foi uma das mais impactantes da Copa do Mundo-2010. Ao ouvir o hino nacional da Coreia do Norte sendo executado antes da partida contra o Brasil, a primeira de sua seleção na África do Sul, o atacante Jong Tae-se foi às lágrimas.

O choro, mostrado ao vivo para TVs do mundo todo, foi a melhor propaganda que um dos regimes mais fechados do planeta poderia ter. E o centroavante, apelidado de “Rooney do povo”, virou uma espécie de retrato humanizado do país que hoje ameaça entrar em guerra com os Estados Unidos.

A história de Tae-se não poderia ser mais favorável ao governo da família Kim. Filho de imigrantes coreanos radicados no Japão, o atacante rejeitou qualquer vínculo com a Coreia do Sul e, por questões ideológicas, pediu para se naturalizar norte-coreano.

Admirador de Kim Jong-il, líder norte-coreano entre 1997 e 2011 e pai de Kim Jong-un, atual comandante do país, o camisa 9 viu sua carreira deslanchar depois da Copa: mudou para a Alemanha, substituiu Podolski no Colônia, disputou a Bundesliga e chegou onde nenhum outro jogador de futebol da Coreia do Norte havia estado antes.

Aos 33 anos, Tae-se ainda é o maior nome do futebol norte-coreano. Na temporada passada, foi campeão e artilheiro da segunda divisão japonesa pelo Shimizu S-Pulse. Na atual, veste a braçadeira de capitão do time na J-League.

Mesmo assim, o centroavante não é lembrado pela seleção há mais de seis anos, desde o fim da Copa da Ásia-2011. E o motivo, como tudo que envolve a Coreia do Norte, é cheio de mistério.

Coincidência ou não, Tae-se deixou de fazer parte da equipe norte-coreana quando começou a se aproximar da Coreia do Sul, país que está oficialmente em guerra contra os vizinhos desde a década de 1950 e que também é alvo das ameaças de ataques nucleares de Kim.

Depois de uma longa negociação com o Suwon Bluewings, o centroavante provocou polêmica em 2013 ao deixar a Alemanha para atuar na Coreia do Sul. Para piorar sua situação com o regime de Kim, o jogador lutou para ser considerado um atleta local no novo clube, o que fez com que ele não ocupasse uma vaga de estrangeiro.

Tae-se chegou a viajar até Pyongyang, capital da Coreia do Norte, para entender as razões pelas quais não estava mais sendo chamado para defender a seleção. Em algumas oportunidades, ouviu que os médicos achavam que ele estava com problemas físicos.

Depois, a justificativa mudou: a seleção precisava passar por um processo de renovação, e atletas mais experientes, como ele, não teriam vez nesse novo projeto.


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Na Coreia do Sul, Lulinha diz ter mais medo do Brasil do que de Kim
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Rafael Reis

Um dos principais jogadores estrangeiros do futebol da Coreia do Sul, o meia Lulinha não perde o sono com a possibilidade de o país onde vive desde o ano passado ser atacado pela Coreia do Norte.

O mais famoso dos 18 brasileiros que atuam por lá afirma viver totalmente despreocupado na Ásia, mesmo com a escalada de tensão na região e o risco de um conflito nuclear entre a ditadura de Kim Jong-un e os EUA, aliados históricos dos sul-coreanos.

“Vou ser sincero, parece que nada disso está acontecendo por aqui. Ninguém comenta nada sobre o tema. A vida está normal. Para falar a verdade, fico mais preocupado com meus pais no Brasil do que com a situação aqui na Coreia. A guerra no Brasil é pior, tem roubo, assalto e os políticos”, afirma o meia de 27 anos.

Promessa de craque das categorias de base do Corinthians na década passada, Lulinha chegou à Coreia do Sul em maio de 2016, depois de rodar por Bahia, Ceará e Botafogo e outros clubes. Desde então, vem convivendo com a preocupação da família em relação à sua segurança.

“Sempre que minha mãe vê alguma coisa na TV, ela me liga saber como estou. Quando fico sabendo de algo, é porque ela me ligou ou porque vi em algum jornal brasileiro. As pessoas daqui não falam sobre isso.”

O camisa 10 do Pohang Steelers, maior campeão da história do futebol asiático e sétimo colocado na atual temporada da K-League, o Campeonato Sul-Coreano, ainda nem elaborou um plano de fuga da região caso uma guerra realmente aconteça.

“É para você ver o quanto estou tranquilo. Alguns meses atrás, ouvimos uma história de que os brasileiros que moram aqui estavam indo ao consulado deixar seus nomes para um voo de emergência. Pensamos em fazer isso também, mas deixamos para lá.”

Apesar de não mostrar muito medo de um conflito na região, Lulinha está ciente de que uma eventual guerra entre Coreia do Norte e EUA fatalmente atingiria o país onde vive e teria proporções catastróficas.

“Esse cara da Coreia do Norte [Kim Jong-un] é meio maluco. E a Coreia do Sul é aliada dos EUA, então o risco existe. Mas nossa maior preocupação não é a guerra, mas sim os terremotos e tufões.”

As tensões entre norte-americanos e sul-coreanos são históricas e vêm crescendo desde que Donald Trump chegou à Casa Branca. Nos últimos meses, Jong-un tem ameaçado os EUA  e provocando vários testes de mísseis de longo alcance e também de bombas nucleares.

O mais recente aconteceu no último domingo, quando a Coreia do Norte divulgou que explodiu uma bomba de hidrogênio, artefato que possui um poder destrutivo superior ao das bombas atômicas convencionais.

Após o teste, o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, ameaçou os norte-coreanos com uma “resposta militar maciça, uma resposta eficaz e esmagadora” caso seu país ou territórios aliados sejam atacados pelos inimigos.


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Inimiga de Trump, Coreia do Norte já “fabricou” amistoso contra o Brasil
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Rafael Reis

País inimigo dos Estados Unidos, com quem tem travado nos últimos dias uma batalha midiática que ameaça se tornar uma guerra com uso de armas nucleares, a Coreia do Norte já “fabricou” um amistoso contra a seleção brasileira de futebol.

Em 2009, o regime norte-coreano aproveitou o isolamento e o pouco conhecimento futebolístico de sua população para transformar um amistoso da seleção local contra o Atlético Sorocaba em um jogo contra a equipe pentacampeã mundial.

Vários indícios demonstram que houve uma farsa. O placar do estádio não exibiu as iniciais do Atlético Sorocaba (ATL, ASO ou SOR, por exemplo), mas sim o BRA, de Brasil.

Além disso, o técnico Edu Marangon e o lateral Leandro Silva admitiram em 2014 ao UOL que a torcida achava que aquele time que vestia amarelo era a seleção brasileira.

O amistoso contra o Atlético Sorocaba, clube então parceiro do Reverendo Moon, missionário norte-coreano que morreu em 2012, terminou empatado por 0 a 0 e fez parte da preparação da equipe asiática para a Copa do Mundo-2010.

Sete meses depois, a Coreia do Norte efetivamente enfrentou o Brasil e foi derrotada por 2 a 1. A partida não foi exibida ao vivo pela TV estatal do país, que só transmitiu posteriormente o VT da estreia no Mundial da África do Sul.

Os norte-coreanos se despediram de sua segunda participação na Copa com mais duas derrotas: goleada por 7 a 0 ante Portugal e um 3 a 0 aplicado pela Costa do Marfim.

Quarenta e quatro anos antes, sua campanha havia sido muito melhor. Em 1966, o time asiático debutou na principal competição de futebol do planeta com um honroso oitavo lugar, com direito a uma zebra histórica (vitória por 1 a 0 contra a Itália) e um épico confronto de quartas de final (perdeu por 5 a 3 para Portugal, depois de chegar a abrir 3 a 0 no placar).

Apesar de ter colhido bons resultados na base nos últimos anos, a Coreia do Norte já está fora das eliminatórias da Copa-2018. A equipe foi eliminada pelo Uzbequistão na segunda fase do qualificatório asiático.

Um dos regimes mais fechados do mundo, a Coreia do Norte é governada de forma ditatorial desde os anos 1940 pela família Kim. Kim Jong-un, a terceira geração no poder, é o líder supremo do país desde 2011.

Desde que chegou ao poder, Jong-un tem intensificado as provocações ao Ocidente e ignorado as sanções internacionais que visam fazer com que ele abandone seu programa nuclear.

Na semana passada, a KCNA, agência de notícias norte-coreana, divulgou um comunicado atribuído a um porta-voz do comandante geral das Forças Armadas, em que adverte o presidente dos EUA, Donald Trump: “Nossa reação mais dura contra os EUA e suas forças será executada de forma tão impiedosa que não permitirá a nossos agressores sobreviverem”.


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