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Arquivo : copa-2018

Árbitro de vídeo passa em teste, mas não livra apito de erros e polêmicas
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Rafael Reis

Uma boa notícia para aqueles que defendem o uso da tecnologia no futebol: de acordo com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a arbitragem com apoio do vídeo passou no teste na Copa das Confederações e deve ser usada novamente na Copa do Mundo do próximo ano, na Rússia.

Mas a notícia é que, pelo menos por enquanto, o auxílio das imagens está longe de livrar a modalidade dos erros de apito e evitar que os juízes cometam lambanças e interfiram direta e indiretamente no placar.

Por orientação da Fifa, limitação técnica ou escolha dos árbitros principais, aqueles que ficam em campo e são os responsáveis finais pelas decisões da arbitragem, o VAR (Vídeo Assistant Referee) não mostrou todo seu potencial na Copa das Confedações.

A análise das imagens foi usada com razoável frequência em lances capitais da partida, como a existência ou não de impedimento em um lance de gol, a marcação de um pênalti ou a definição da expulsão de um jogador.

Mas o futebol não é feito apenas de lances capitais. Faltas na intermediária, escanteios e cartões amarelos também influenciam o placar de um jogo.

Só que, durante a Copa das Confederações, essas decisões foram tomadas quase que exclusivamente pelo árbitro principal. A tecnologia estava à disposição, mas pouco se recorreu a ela.

Medo de um excesso de paralisações e da perda da dinâmica usual do futebol? Temor de uma certa banalização do sistema de vídeo? Ou apenas o orgulho de um juiz que quer provar que não precisa de ajuda externa para tomar as decisões corretas? Difícil responder com precisão.

O certo é que os erros de arbitragem continuam fazendo parte do cotidiano do futebol. Às vezes, até mesmo quando o VAR é acionado.

Na decisão da Copa das Confederaçõeso árbitro recorreu ao vídeo para analisar uma agressão de Jara a Werner. Mesmo depois de ver imagens que mostravam uma cotovelada clara do zagueiro chileno no rosto do atacante alemão, optou por mostrar apenas o cartão amarelo para o defensor. Questão de interpretação, mas também um erro crasso do seu apito.

Não há dúvidas que o sistema de vídeo será aprimorado e, com o passar do tempo, conseguirá reduzir o número de erros de arbitragem e tornar mais justo o resultado final de uma partida de futebol.

Mas até que isso aconteça, os juízes continuarão sendo os vilões do esporte. Com acertos, é claro, mas também com muitos erros.


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Como obsessão de Löw salvou a Alemanha da “maldição dos campeões mundiais”
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Rafael Reis

França, Brasil, Itália e Espanha. Todas as seleções campeãs mundiais entre 1998 e 2010 padeceram do mesmo mal na hora de defenderem seus títulos: com elencos envelhecidos, cheio de medalhões intocáveis, fracassaram no Mundial seguinte à conquista.

É claro que a Alemanha, que decide neste domingo a Copa das Confederações contra o Chile, também pode ter um resultado desastroso na Rússia-2018. Mas, certamente, não pelos mesmos motivos.

A campeã da Copa-2014 está protegida da maior maldição que costuma atingir as seleções vencedoras de Mundiais: a de não conseguir trocar a safra vencedora por uma nova. E a culpa é toda de uma certa obsessão do seu treinador, Joachim Löw.

“Se eu tenho dois jogadores de qualidade técnica similar, vou sempre escolher o mais jovem, porque ele será mais útil no futuro”. É essa espécie de mantra que guia o trabalho do treinador, que está há 11 anos no comando do time germânico.

A obsessão de Löw pela renovação constante da seleção é facilmente provada. Em todas as grandes competições que disputou desde sua ascensão ao cargo, o treinador convocou pelo menos seis jogadores com até 23 anos.

Dos 23 campeões mundiais em 2014, pouco mais da metade (12) tem chances reais de participarem também do grupo que vai à Rússia no próximo ano. O restante se aposentou ou simplesmente sumiu das convocações do comandante alemão.

A filosofia do treinador faz todo sentido. Sua ideia é nunca ter em campo uma equipe muito velha, que não tenha pernas para competir contra rivais bem mais jovens e fortes fisicamente, e nem precisar recorrer a garotos pouco experimentados internacionalmente, que possam sentir o peso de uma partida importante.

Foi exatamente para dar bagagem a garotos que certamente lhe serão úteis no futuro (e também para dar descanso aos titulares antes da temporada do Mundial) que Löw optou por levar para a Copa das Confederações uma espécie de seleção B, formada na maioria por atletas que ainda buscam espeço na seleção.

E a estratégia deu muito certo. A Alemanha não apenas chegou à decisão do torneio pela primeira vez na história, como encontrou também algumas peças que certamente farão parte do seu elenco no próximo ano.

Uma delas é o meia Leon Goretzka, 22, do Schalke 04, que marcou duas vezes na semifinal contra o México. Outra é o atacante Timo Werner, 21, do RB Leipzig, com quem ele divide a artilharia da competição. E há ainda Benjamin Henrichs, Niklas Süle, Sebastian Rudy, Julian Brandt.

Uma coisa é certa: você não verá no próximo ano uma Alemanha envelhecida tentando defender seu título de campeã mundial. E a culpa é de Joachim Löw.


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Entenda por que esta pode ser a última Copa das Confederações da história
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Rafael Reis

A décima edição da Copa das Confederações, que começa neste sábado, na Rússia, pode ser a última da história da competição jogada quadrienalmente pelas seleções campeãs de cada continente.

A Fifa anda descontente com os rumos comerciais e técnicos do torneio. Por isso, desde o segundo semestre do ano passado, vem discutindo internamente a possibilidade de extinguir a disputa.

O principal motivo, claro, é de ordem econômica.

A Copa das Confederações está longe de ser um sucesso do ponto de vista comercial. De acordo com o comitê organizador russo, só 70% dos ingressos para competição já foram vendidos. E não há nenhuma garantia de que esses números não estejam inflacionados.

Além disso, a Fifa tem sofrido para conseguir patrocinadores para o evento. A entidade vendeu apenas quatro cotas da competição: Budweiser, McDonalds, Hisense e Vivo.

Os direitos de transmissão do torneio, outra importante fonte de renda da Fifa, também encalharam. Para se ter uma ideia, o acordo para exibição televisiva das partidas na Rússia, o país-anfitrião do campeonato, só foi anunciado no último domingo, seis dias antes do pontapé inicial.

Para piorar, a Copa das Confederações tem perdido aquela aura de aquecimento para a Copa do Mundo que justifica sua existência.

Atual campeã mundial, a Alemanha decidiu levar ao torneio uma espécie de seleção B, formada por jovens jogadores. Na cabeça do técnico Joachim Löw, é mais importante descansar seus principais astros para a temporada que vai culminar Mundial que experimentá-los nos campos russos.

E, para completar, a próxima edição da competição traria um desafio que a Fifa não parece muito disposta a resolver.

Se quiser realizar a Copa das Confederações no Qatar, em novembro ou dezembro de 2021, a entidade terá de mexer ainda mais nos calendários das competições nacionais europeias, que já serão alterados em 2022 em virtude de um Mundial disputado fora do seu período tradicional, o verão europeu.

É por isso que tudo conspira para o fim da Copa das Confederações. Ou, pelo menos, para uma mudança radical na estrutura do torneio depois da Rússia-2017.

A competição é disputada regularmente desde 1992, quando foi criada pela Arábia Saudita para homenagear o Rei Fahd. Em 1997, a Fifa assumiu a organização do torneio e lhe deu seu nome atual.

O Brasil é o maior vencedor da história da Copa das Confederações, com quatro títulos. Pela primeira vez desde 1995, a seleção pentacampeã mundial não disputa o torneio.


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Ídolo na Europa, zagueiro brasileiro admite chance de jogar pela Holanda
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Rafael Reis

Em meio a uma crise que já dura pelo menos dois anos e correndo sério risco de não se classificar para a Copa do Mundo de 2018, depois de já ter ficado fora da última Eurocopa, a seleção holandesa pode ganhar em breve um reforço brasileiro.

Campeão nacional pelo Feyenoord e eleito o segundo melhor jogador da competição, o zagueiro paulistano Eric Botteghin, 29, tem tido sua convocação pedida pela imprensa local e está no radar do técnico Dick Advocaat.

Revelado nas categorias de base do Grêmio Barueri e com passagem pelo time B do Internacional, o defensor vive na Holanda desde 2007 e passou por três clubes menores (Zwolle, NAC Breda e Groningen) até chegar ao time de Roterdã, em 2015.

“Ainda não tirei passaporte holandês porque nunca precisei, mas já tenho condições legais. Tive de responder muitas perguntas sobre uma possível convocação durante a temporada. A imprensa tem comentado bastante sobre essa possibilidade”, disse Eric, antes de admitir que solicitará a cidadania caso receba um convite para vestir a tradicional camisa laranja.

“Todo mundo tem o sonho de jogar por uma seleção. Claro que sou brasileiro, mas tenho que lembrar que minha carreira foi toda aqui. Se eles precisarem de mim e me convidarem, é claro que vou aceitar”.

Chamado de “De Rots” (A Rocha, em tradução para o português) pela torcida do Feyenoord, Eric começou a ser cogitado na seleção holandesa em um momento em que a tradicional escola de futebol questiona quais são as principais qualidades que deve exigir dos seus defensores.

A principal dúvida é se vale a pena continuar cobrando dos zagueiros mais qualidade na saída de bola do que poder de marcação, como vem acontecendo nos últimos anos.

“A forma de jogar dos zagueiros tem sido muito discutida por aqui. É isso que acabam elogiando em mim. Consegui me adaptar ao jogo holandês, então faço bem a saída de bola. Mas não esqueci que sou zagueiro e que o principal é sempre estar bem na defesa”.

Além de jogar pela seleção e quem sabe até disputar uma Copa do Mundo ou uma Euro pela Holanda, Eric tem um outro objetivo em vista. Apesar de ter com o Feyenoord até 2019, ele não esconde que gostaria de atuar em uma liga mais competitiva e com maior competitividade.

“Todo mundo tem desejo de jogar em uma Premier League ou no Campeonato Espanhol. Tenho evitado pensar muito sobre isso porque ainda tenho dois anos de contrato. Mas só Deus sabe o que vai acontecer”.


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Com “portas abertas”, lateral brasileiro sonha com seleção da Bulgária
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Rafael Reis

Lateral direito revelado pelo Santo André, com passagem pelo Schalke 04, da Alemanha, e atualmente no Medipol Basaksehir, vice-líder do Campeonato Turco, Júnior Caiçara sonha com a seleção.

Mas a camisa que o jogador de 28 anos almeja vestir em um futuro próximo não é a amarelinha, um objetivo muito distante de sua realidade atual, mas sim a da Bulgária.

O lateral defendeu o Ludogorets, hoje o principal clube do futebol búlgaro por três temporadas, entre 2012 e 2015. Desde 2014, quando obteve sua naturalização, ele é oficialmente um cidadão da terra de Stoichkov.

A convocação só não veio ainda porque a Fifa determina que um jogador naturalizado (ou seja, que não obteve a cidadania por herança familiar) precisa ter cinco anos de residência em um país para defender sua seleção. Caiçara, por enquanto, só morou na Bulgária por três anos.

“Sempre converso com o treinador da Bulgária [Petar Hubchev] e ele costuma dizer que as portas estão abertas para mim. Já que há o interesse deles, também há o meu”, afirma o jogador.

Enquanto não reúne condições legais para se juntar à seleção, Caiçara acompanha de perto a tentativa búlgara de retornar a uma Copa do Mundo –ocupa a terceira colocação do Grupo A das eliminatórias europeias, com nove pontos, um a menos que a Suécia, vice-líder da chave e que hoje disputaria a repescagem.

“Costumo acompanhar todos os jogos da seleção búlgara. Tenho um grande amigo [o meia Marcelinho, também brasileiro, com quem atuou nos tempos de Ludogorets] e vários outros conhecidos que jogam na seleção.”

Uma das potências do futebol internacional durante a década de 1990, quando era liderada em campo por Hristo Stoichkov, craque que fez história no Barcelona, a Bulgária chegou a ser quarta colocada na Copa do Mundo de 1994, mas não joga a principal competição de futebol do planeta desde 1998.

“Até hoje, eles falam bastante desse time, que ficou marcado na história da Bulgária. Eles nunca mais tiveram outra seleção com tanta qualidade quanto aquela”, completa Júnior Caiçara.


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Lateral brasileiro do Leverkusen se vê na seleção… mas só depois da Copa
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Rafael Reis

Titular da lateral esquerda do Bayer Leverkusen há três temporadas, Wendell considera que há espaço para ele na seleção brasileira. Mas, talvez, não agora…

O ex-jogador do Grêmio admite que hoje é muito difícil tirar Marcelo ou Filipe Luís das convocações e projeta sua consolidação com a camisa amarela a partir do segundo semestre do próximo ano, ou seja, após a Copa do Mundo da Rússia.

“Os caras que estão lá [na seleção] são top de linha. Vou continuar trabalhando, mas preciso ser realista. As chances maiores são mesmo para depois da Copa”, afirmou por telefone.

O lateral, que chegou a ser convocado por Tite para as partidas contra Bolívia e Venezuela, em outubro, mas ainda não estreou pela seleção, conta com a idade a seu favor para fazer parte do projeto da seleção para o Mundial-2022.

Wendell tem apenas 23 anos, contra 28 de Marcelo, o atual titular da posição, e 31 de Filipe Luís, seu reserva imediato. Alex Sandro, outro lateral sempre cotado para fazer parte do elenco pentacampeão mundial, está com 26.

Ao contrário dos seus rivais, o ex-jogador do Grêmio não atua hoje em um dos clubes do primeiro escalão do futebol mundial. Marcelo (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madri) e Alex Sandro (Juventus) estão nas quartas de final da Liga dos Campeões, enquanto o Leverkusen, de Wendell, parou nas oitavas.

“Não acho que isso faz muita diferença. O Tite tem convocado jogadores que estão jogando bem seus clubes, não importa qual é o clube. O Giuliano é do Zenit e tem o pessoal da China também. E não podemos esquecer que o Leverkusen também é um grande clube”, disse.

Mas Wendell poderia estar vestindo hoje uma camisa mais pesada do que a do time alemão. No primeiro semestre do ano passado, o jogador foi cotado para se transferir para o Real Madrid.

O negócio não avançou: o time espanhol achou melhor reintegrar o português Fábio Coentrão ao elenco a pagar os 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 117 milhões) que o Leverkusen queria para liberar o brasileiro.

Irregular na atual temporada, a equipe de Wendell ocupa apenas a 12ª colocação no Campeonato Alemão e tem chances mínimas de classificação para competições europeias. Neste sábado, recebe o Bayern de Munique, atual campeão e líder disparado da Bundesliga.


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Tite é o melhor do Brasil, mas está no nível dos grandes técnicos do mundo?
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Rafael Reis

Tite resgatou o bom futebol e a confiança da seleção brasileira, tirou-a de uma situação delicada nas eliminatórias e a classificou com quatro rodadas de antecedência para a Copa do Mundo. E, de quebra, a colocou na liderança do ranking da Fifa.

É preciso ser muito do contra para não concordar que Tite é o maior técnico brasileiro da atualidade. Seu trabalho no Corinthians e o sucesso instantâneo na equipe pentacampeã mundial são incontestáveis.

Mas será que o gaúcho de Caxias do Sul está no mesmo patamar dos principais técnicos do planeta? Seria Tite tão bom quanto Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Carlo Ancelotti, Jürgen Klopp e Antonio Conte?

Como toda comparação, essa também pode estar cheia de injustiças. Mas a discussão vale para entendermos o real tamanho de Adenor Bacchi no cenário global da bola.

Por um lado, o treinador brasileiro jamais mediu forças com nenhum dos nomes que ocupam o “Olimpo da função”. O único rival europeu de sua carreira, o Chelsea, derrotado pelo Corinthians na final do Mundial de 2012, era comandado por um bastante questionável Rafa Benítez.

Já pelo outro, Tite construiu sua carreira sem ter à disposição um elenco composto por estrelas do primeiro escalão mundial, como as que fizeram as famas de Guardiola, Mourinho e Ancelotti, por exemplo. Seu vitorioso Corinthians tinha como astro Paulinho, aquele mesmo que fracassaria mais tarde no Tottenham e hoje voltou a brilhar na seleção.

Como passou praticamente toda sua vida profissional no Brasil (teve apenas duas experiências nos Emirados Árabes), o treinador jamais experimentou a vantagem de disputar uma liga desequilibrada com um time infinitamente superior à maioria dos seus adversários.

Isso ajuda explicar porque Tite só ganhou dois títulos brasileiros (2011 e 2015, pelo Corinthians) em mais de 25 anos de carreira, enquanto Guardiola, por exemplo, faturou dois espanhóis em três anos de trabalho como treinador.

Uma característica que o comandante da seleção tem em comum com os maiores técnicos do mundo é a empatia com o elenco. Sabe aquela sensação de que os jogadores do Atlético de Madri morreriam em campo por Diego Simeone e o brilho nos olhos dos atletas do Barcelona de 2009 a 2012 ao falarem de Guardiola?

Tite também tem isso. Seu discurso centrado no “merecimento” e o jeitão de gente boa demonstrado no dia a adia contagiam os jogadores que ele dirige e faz com que eles se dediquem ao máximo para ajudá-lo dentro de campo. Essa é uma das chaves do seu sucesso.

A outra, claro, é a parte tática. O comandante da seleção está antenado a tudo aquilo de mais moderno que existe no futebol mundial: marcação pressão, defesa alta, composição de espaços, alternância entre a posse de bola e transição rápida entre ataque e defesa.

Mas, até hoje, Tite se mostrou mais um reprodutor de tendências táticas em alta internacionalmente do que alguém que revoluciona o futebol ao mostrar dentro de campo novidades que serão copiadas por outros treinadores.

É justamente essa capacidade de ditar tendências que faz (ou fez) Guardiola, Mourinho, Klopp e Simeone, por exemplo, serem tão especiais.

É lógico que a trajetória internacional de Tite está apenas começando. Se vencer a Copa ou fizer um bom papel na Rússia, o ex-comandante do Corinthians pode descolar uma proposta para trabalhar na Europa e dirigir um dos grandes clubes do mundo.

E aí sim teremos condições reais de descobrir se ele está no mesmo nível dos maiores treinadores do planeta.


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Diego Alves não quer ser “só” o goleiro que pega pênaltis e mira seleção
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Rafael Reis

“Não coloquem a fama de pegador de pênaltis acima do meu trabalho como goleiro.”

É assim que Diego Alves, 31, reage quando questionado sobre sua mais impressionante estatística.

O goleiro brasileiro do Valencia é o recordista em pênaltis defendidos da história do Campeonato Espanhol: 21. Desde que chegou ao Valencia, em 2011, pouco mais de 50% das cobranças contra ele viraram gols.

Griezmann, Cristiano Ronaldo e Messi estão entre os figurões do futebol mundial que já esbarraram nele.

“É só uma característica, não chega a ser um cartão de visitas, como as cobranças de falta são para Cristiano Ronaldo e Messi. Para se analisar um goleiro, é preciso olhar para toda a história dele, não só para uma temporada”, afirma, por telefone.

O ex-jogador do Atlético-MG, que se mudou para a Espanha há dez anos e atuou por quatro temporadas no Almería até desembarcar no Valencia, definitivamente não quer ser conhecido apenas como o “milagreiro dos pênaltis”.

Uma das razões é por saber que só esse rótulo não será suficiente para devolvê-lo às convocações da seleção.

Diego Alves não esconde de ninguém que pretende voltar a defender a meta do Brasil, como em 2012, quando foi titular no final da gestão Mano Menezes, e em dois amistosos do início da segunda passagem de Dunga, em 2014. No ano passado, foi convocado para a Copa América Centenário, mas não saiu do banco.

E ele está ciente de que há muitos torcedores que também desejam vê-lo em breve outra vez na seleção.

“Sei que minha possível convocação gera muito debate, e isso muitas vezes vem da própria imprensa. Mas essa chance depende do que eu apresentar no clube. O trabalho vem sendo feito da melhor maneira possível. Só tenho que esperar o momento certo”.

O goleiro do Valencia ainda evita críticas a Tite por dar a titularidade da meta da seleção a um arqueiro que é reserva em seu clube. Alisson só disputou 15 jogos na temporada pela Roma e ainda não saiu banco nas partidas do Campeonato Italiano.

“Essa situação depende do treinador, da confiança que ele tem ou não em um determinado jogador. E isso você precisa respeitar. É a opinião do técnico. O que costumo dizer é que, técnica e psicologicamente, estou mais preparado do que nunca”, completa.


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A seleção brasileira já é a melhor do planeta?
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Rafael Reis

Nove vitórias consecutivas, passeios contra Uruguai e Argentina, os mais tradicionais adversários no futebol sul-americano, classificação para a Copa do Mundo e o retorno à liderança do ranking da Fifa.

Em nove meses de trabalho, Tite revolucionou a seleção. Resgatou uma equipe com cara de decadente, que era praticamente uma unanimidade na arte de desagradar o torcedor nos tempos de Dunga, e fez dela novamente um xodó do povo brasileiro.

O futebol convincente apresentado por Neymar e cia. nas eliminatórias e a primeira colocação no ranking mundial são suficientes para levantarmos uma delicada questão: o Brasil já é a melhor seleção do planeta?

A pergunta não é tão simples de se responder porque todos os adversários da era Tite foram sul-americanos. O time pentacampeão mundial deu show contra seus vizinhos, inclusive ante a Argentina, de Messi.

Mas falta saber como ele irá se comportar ante outras escolas de futebol. E não, o amistoso contra os alemães, em março do ano que vem, não será suficiente para tirarmos a prova.

O que dá para dizer por enquanto é que nenhuma seleção do mundo tem jogado em tão alto nível e tomado tão pouco conhecimento de adversários quanto a brasileira. Nem mesmo a Alemanha e a Suíça, equipes com 100% de aproveitamento nas eliminatórias, conseguem seus resultados com a mesma naturalidade dos comandados de Tite.

Por esse ponto de vista, dá para dizer que o Brasil ESTÁ a melhor seleção do mundo. Mas, como vimos nas últimas três edições da Copa das Confederações, isso pode acabar não significando nada.

O que vai determinar se os livros de história tratarão a gestão de Tite como sucesso ou fracasso é o que vai acontecer dentro e um ano e três meses, na Copa da Rússia. E há pelo menos duas fortes candidatas a ESTAREM a melhor seleção do mundo em junho/julho de 2018.

Uma delas é a atual campeã mundial. A Alemanha tem conseguido escapar da tentação de eternizar a geração vencedora que prejudica quase todos os vencedores da Copa (vide Espanha-2014, Brasil-2006 e França-2002) e faz um belo trabalho de renovação constante do seu elenco.

E é justamente essa característica de Joachim Löw que torna tão difícil analisar o real nível da seleção germânica. Afinal, é muito raro o treinador escalar sua força máxima em uma partida. Mesmo assim, os algozes do 7 a 1 estão invictos há oito partidas.

A outra candidata a melhor seleção do mundo é a França. Aquela mesma França que perdeu para Portugal e não conseguiu ser campeã europeia em casa no meio do ano passado? Sim, ela mesma.

A questão é o que os franceses possuem o maior arsenal de jovens talentosos do futebol mundial na atualidade. Mbappé, Dembélé, Lemar, Rabiot, Martial, Coman, Tolisso, Kimpembe, Mendy, Sidibé, Varane e Pogba têm no máximo 24 anos. O sucesso ou fracasso dos Bleus em 2018 vai passar por quão acentuada será a curva de evolução do futebol dessa garotada no próximo ano.


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Goleador das eliminatórias é homem de um time só e carrega legado familiar
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Rafael Reis

Para o artilheiro das eliminatórias da Copa do Mundo-2018, jogar futebol é uma tradição de família.

Autor de 15 gols nas primeiras 14 partidas da seleção dos Emirados Árabes Unidos no qualificatório para o Mundial da Rússia, o atacante Ahmed Khalil, 25, é o sexto filho de Khalil Sebait, um ex-jogador que fez a carreira no Kuwait, a se dedicar ao futebol profissional.

Todos eles defenderam o Al-Ahli. Mas, hoje em dia, apenas Ahmed continua por lá. O time de Dubai, aliás, é o único que o goleador das eliminatórias defendeu ao longo de sua trajetória no esporte.

O caçula dos irmãos Khalil é considerado um fenômeno no Oriente Médio. Ainda adolescente, conquistou vários prêmios de “maior promessa do futebol árabe” e chegou a ser eleito o melhor jogador jovem da Ásia.

Em 2009, o hoje camisa 11 dos Emirados Árabes fez sucesso no Mundial sub-20. Apesar de ter apenas 18 anos, destacou-se na competição e conseguiu levar sua equipe até as quartas de final.

No mesmo ano, Khalil marcou o primeiro dos 49 gols que já anotou pela seleção principal. O atacante está a apenas três balançadas de rede de se tornar o maior goleador da história dos Emirados Árabes. E, vale lembrar, ele tem apenas 25 anos.

O recorde atual pertence a Adnan Al Talyani, que vestiu a camisa da equipe árabe, por 14 anos, entre 1983 e 1997, disputou a Copa do Mundo de 1990 e comemorou 52 gols.

O Mundial da Itália, aliás, foi a única participação dos EAU na principal competição de futebol do planeta. E, apesar do sucesso de Khalil nas eliminatórias, é bem provável que continue sendo.

A seleção dos Emirados entrou na sétima das dez rodadas da fase final do qualificatório asiático na quarta colocação do Grupo B, com quatro pontos de desvantagem para Arábia Saudita (do outro artilheiro da competição, Mohammad Al-Sahlawi) e Japão, os times da chave que estão na zona de classificação para o Mundial –o terceiro colocado de cada grupo ainda disputa uma repescagem.


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