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Balcão de Negócios: 190 jogadores mudaram de clube após Copa-2018
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Rafael Reis

A Copa do Mundo é a maior competição de planeta do futebol. Mas também é um imenso balcão de negócios para os jogadores das 32 seleções participantes.

Cerca de 40 dias após a vitória por 4 a 2 da França sobre a Croácia, na decisão da Rússia-2018, nada menos que 25,8% dos atletas que participaram do torneio já mudaram de clube.

No total, são 190 jogadores com endereço novo na temporada 2018/19. Na prática, isso significa que um a cada quatro atletas que participaram do Mundial foi vendido ou emprestado nesta janela de transferências.

Os participantes da Copa-2018 movimentaram mais de 1,1 bilhão de euros (quase R$ 5,2 bilhões) em trocas de time, mais de 20% do total de 5,3 bilhões de euros (R$ 25 bilhões) que já mudaram de mão por meio de transações neste meio de ano.

Curiosamente, a seleção que mais movimentou o Mercado da Bola passou longe de fazer uma campanha de destaque na Rússia e foi embora ainda na primeira fase, com apenas uma vitória em três jogos disputados.

Quase metade dos jogadores que o Peru levou para o Mundial trocou de clube nesta janela. Foram 11 transferências, duas delas envolvendo times brasileiros: o Internacional tirou o centroavante Paolo Guerrero do Flamengo e o São Paulo vendeu o meia Christian Cueva para o russo Krasnodar.

Por outro lado, Inglaterra e Alemanha foram as seleções que menos tiveram atletas negociados no período.

Os ingleses, semifinalistas do Mundial, viram apenas o meia Ruben Loftus-Cheek voltar para o Chelsea depois do empréstimo ao Crystal Palace. Já os germânicos, que decepcionaram e caíram na fase de grupos, tiveram somente a ida do meia Leon Goretzka (ex-Schalke 04) para o Bayern de Munique.

Na seleção brasileira, três dos 23 convocados por Tite descolaram uma boquinha nova nesta temporada. O goleiro Alisson trocou a Roma pelo Liverpool, o meia Paulinho deixou o Barcelona para retornar ao Guangzhou Evergrande, da China, e o também meio-campista Fred saiu da Ucrânia (Shakhtar Donetsk) para atuar na Premier League inglesa (Manchester United).

Evidentemente, nem todos os negócios envolvendo jogadores que foram à Copa aconteceram devido ao futebol mostrado durante a competição. A Juventus, por exemplo, contratou o português Cristiano Ronaldo pelo conjunto da obra, não pelo que ele fez no Mundial.

Mas, em outros casos, o torneio foi sim uma vitrine decisiva para viabilizar a transferência. Se não fosse a Copa, o Monaco dificilmente teria investido na contratação do meia Aleksandr Golovin, destaque da seleção russa, e o Barcelona provavelmente não teria descoberto o lateral direito senegalês Moussa Wagué.

A Copa do Mundo é a maior competição de planeta do futebol. Mas também é um imenso balcão de negócios para os jogadores das 32 seleções participantes. Isso não dá para discutir.


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Cidade italiana de 47 mil habitantes recebe troféu da Copa para reparos
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Rafael Reis

Um pequeno galpão industrial, onde trabalham apenas sete ourives, na nanica cidade de Paderno Dugnano, de 47 mil habitantes, localizada na região metropolitana de Milão, no norte da Itália.

É nesse local bem diferente do glamour de um estádio de final da Copa do Mundo que o troféu mais desejado do planeta volta a ficar como novo depois dos danos causados pela festa (sempre excessiva) da seleção campeã mundial.

A cada quatro anos, a cena se repete. Algumas semanas depois do fim do Mundial, o time vencedor da Copa precisa entregar a taça para a empresa GDE Bertoni, que será responsável por restaurá-la.

Por razões de segurança e também para não alterar a rotina pacata de Paderno Dugnano, o processo acontece sempre em um sigilo absoluto.

Ou seja, pouca gente sabe se o troféu da Copa-2018 que a França exibe com orgulho atualmente ainda é o original (que irá para a oficina nos próximos dias) ou se já é a réplica feita de uma liga de cobre e zinco, banhada com três camadas de ouro, que ficará com a federação em definitivo.

A GDE Bertoni foi a empresa responsável pelo projeto e pela confecção da atual taça da Copa do Mundo, que foi colocada em disputa pela primeira vez em 1974, depois de a Jules Rimet sair de circulação devido ao tricampeonato da seleção brasileira.

Desde então, a empresa tem a missão de restaurá-la a cada novo ciclo e fazer com que ela volte a parecer “novinha em folha” para ser colocada mais uma vez em disputa no Mundial seguinte.

O trabalho de reparos dura cerca de duas semanas. O troféu, que pesa 6 kg de ouro maciço, é limpo e polido para voltar a ganhar brilho. Além disso, aquelas duas faixinhas verdes, localizadas na parte de baixo do artefato e feitas de um material frágil chamado malaquita, são substituídas por novas.

Por fim, a empresa grava na base da taça o nome da nova seleção campeã mundial, com um detalhe importante. Esse nome sempre é escrito na língua do país que venceu a Copa. Ou seja, neste ano, o troféu ganhará a inscrição “2018 – France”.

Só depois de todos esses reparos, o objeto mais cobiçado do futebol mundial retorna para a sede da Fifa, em Zurique (SUI), onde fica guardado até o início do tour global da taça que serve como promoção para a próxima Copa.

O Mundial-2022 será disputado no Qatar e, devido ao calor do verão no Oriente Médio, não acontecerá no meio do ano, como de costume. O pontapé inicial do torneio está previsto para 21 de novembro. Já a final será jogada em 18 de dezembro.


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7 destaques da Copa que podem mudar de time nesta janela de transferências
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Rafael Reis

Jogadores que se destacaram na Copa do Mundo saíram na Rússia-2018 valorizados no mercado internacional da bola e com propostas (ou pelo menos sondagens) de clubes interessados em uma transferência.

Alguns até já mudaram de time, como o meia-atacante suíço Xherdan Shaqiri, que trocou o Stoke City pelo Liverpool, e o volante uruguaio Lucas Torreira, ex-Sampdoria, anunciado como reforço do Arsenal.

Mas a maioria ainda está na fase de negociações e deve decidir em breve o rumo que pretende dar à carreira.

Apresentamos abaixo sete jogadores que brilharam no Mundial-2018 e que podem trocar de clube ainda nesta janela de transferências.

EDEN HAZARD
Atacante
27 anos
Belga
Chelsea (ING)

Eleito o segundo melhor jogador da Copa do Mundo, o camisa 10 da Bélgica virou o favorito do Real Madrid para substituir Cristiano Ronaldo, negociado com a Juventus. Segundo o jornal francês “Le10Sport”, o Chelsea já chegou a um acordo com o clube espanhol para vender o seu principal jogador por 190 milhões de euros (R$ 856 milhões). Já a “Sky Sports” italiana afirma que a proposta máxima do Real por Hazard é consideravelmente mais baixa, na casa de 125 milhões de euros (R$ 564 milhões).

THIBAUT COURTOIS
Goleiro
26 anos
Belga
Chelsea (ING)

Vencedor do prêmio “Luva de Ouro”, concedido ao goleiro que mais se destacou no Mundial da Rússia, Courtois também faz parte do pacote de reforços belgas que o Real Madrid deseja contratar. O arqueiro afirmou logo após a Copa que precisava conversar com seu empresário sobre o futuro, abrindo a possibilidade de deixar o Chelsea. Mas, segundo vários jornais ingleses, o time de Londres só está disposto a negociar Courtois caso consiga um substituto à sua altura –o favorito é o italiano Gianluigi Donnarumma, do Milan.

BENJAMIN PAVARD
Lateral direito
22 anos
Francês
Stuttgart (ALE)

Pouco conhecido antes de a Copa começar, Pavard se destacou na lateral direita da França, marcou um golaço contra a Argentina, conquistou o título mundial e entrou na mira de vários clubes importantes da Europa. Apesar de rumores sobre possíveis negociações com Arsenal e Napoli, o destino mais provável do defensor é o Bayern de Munique. De acordo com a TV alemã SWR, os bávaros estão próximos de anunciar a contratação do jogador, que tem uma multa rescisória relativamente baixa no Stuttgart (35 milhões de euros, ou R$ 157 milhões).

HARRY MAGUIRE
Zagueiro
25 anos
Inglês
Leicester (ING)

Um dos responsáveis diretos pela melhor campanha inglesa em Copas do Mundo nos últimos 28 anos, o zagueiro do Leicester conquistou o técnico José Mourinho, que pretende levá-lo para o Manchester United nesta temporada. Segundo o jornal “Telegraph”, os Reds Devils estão dispostos a pagar 56 milhões de euros (R$ 252,4 milhões) por Maguire. No entanto, o Leicester deseja manter o jogador e já lhe ofereceu um novo contrato com aumento salarial.

ANTE REBIC
Atacante
24 anos
Croata
Eintracht Frankfurt (ALE)

Símbolo da entrega em campo mostrada pela Croácia na Copa, o vice-campeão mundial chamou a atenção de vários clubes importantes pela força física aliada a um espírito competitivo normalmente mais visto em defensores do que em atacantes. De acordo com o jornal alemão “Bild”, Manchester United, Arsenal, Tottenham, Napoli e Bayern de Munique disputam a contratação de Rebic. O negócio não deve sair por menos de 50 milhões de euros (R$ 225 milhões).

ALEKSANDR GOLOVIN
Meia
22 anos
Russo
CSKA Moscou (RUS)

Se a campanha dos anfitriões da Copa superou as expectativas iniciais, boa parte da responsabilidade é de Golovin. Jogador de maior qualidade técnica do meio-campo da Rússia, Golovin dificilmente continuará no CSKA Moscou nesta temporada. O vice-presidente do Monaco já admitiu que fez uma proposta pelo meia. Barcelona, Chelsea, Arsenal e Juventus também tiveram seus nomes ligados a Golovin nas últimas semanas.

ALEKSANDAR MITROVIC
Atacante
23 anos
Sérvio
Newcastle (ING)

Apesar de a Sérvia ter parado na fase de grupos da Copa, seu centroavante titular deixou uma ótima impressão. Leão da grande área, de porte físico avantajado e ótimo na jogada aérea, Mitrovic despertou o interesse de times de segundo e terceiro escalão da Europa. Segundo o jornal inglês “Evening Standard”, o Newcastle está disposto a negociar o atacante com o Fulham, clube que ele defendeu por empréstimo na temporada passada. A transação deve ficar em torno de 22 milhões de euros (R$ 100 milhões).


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Pela 3ª Copa consecutiva, título vai para a melhor seleção do planeta
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Rafael Reis

Não é sempre que a Copa do Mundo consagra a melhor seleção do planeta. Mas, assim como aconteceu em 2010, com a Espanha, e quatro anos atrás, com a Alemanha, o troféu foi mais uma vez para as mãos mais merecedoras.

A França pode até não ter sido a seleção com futebol mais agradável de se ver na Rússia-2018.

A agora bicampeã mundial passou boa parte do torneio fugindo da responsabilidade de propor o jogo e cozinhando os adversários para segurar uma vantagem mínima –quatro das suas seis vitórias foram por um gol de diferença.

Mas, não se enganem, os franceses têm sim a melhor seleção do planeta. Uma equipe e principalmente um grupo de jogadores superior que Brasil, Bélgica, Inglaterra, Alemanha, Argentina ou qualquer outra potência do futebol mundial.

Um dos motivos é Didier Deschamps. O ex-volante passou seis anos sendo criticado por boa parte da França. A acusação principal era sua incapacidade de fazer a seleção ter um sólido jogo coletivo.

Mas, quando chegou a Copa, tudo mudou. Os “Bleus” se comportaram como uma equipe de verdade, com forte marcação e uma maturidade absurda para ditar o ritmo da partida. Uma equipe de futebol pouco atraente, mas extremamente competitiva.

Só que o principal motivo para a França merecer o posto de seleção número um do planeta não é seu treinador, mas sim o talento absurdo do qual o país dispõe.

O Mundial da Rússia consagrou Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N’Golo Kanté, Raphael Varane e vários outros jogadores que teriam vaga cativa em qualquer uma das 32 seleções que disputaram o torneio.

Também apresentou rostos novos que eram poucos conhecidos pelos apreciadores do futebol, como os laterais Benjamin Pavard e Lucas Hernández, duas apostas pessoais de Deschamps que provaram seu valor.

E vale lembrar ainda que a seleção se deu ao luxo de não levar para a Copa muita gente boa. Karim Benzema, Adrien Rabiot, Tiemoué Bakayoko, Anthony Martial, Alexandre Lacazette, Kingsley Coman foram ignorados pelo treinador e não fizeram falta nenhuma.

Isso mostra a quantidade enorme de jogadores talentosos que a França dispõe atualmente. Uma quantidade que nenhum outro país do planeta possui.

Um trunfo que me fez publicar em abril de 2016, aqui neste mesmo espaço, que a terra de Michel Platini e Zinédine Zidane seria a “próxima melhor seleção do planeta” e que provavelmente conquistaria algum título relevante nos próximos dez anos.

A profecia demorou só dois anos para ser cumprida. A Terra é azul. E o mundo do futebol, também. Vive Leus Bleus!


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Com 5 técnicos em 6 anos, Croácia “rasga cartilha” do sucesso no futebol
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Rafael Reis

Um trabalho de longo prazo, com a manutenção do mesmo técnico por anos a fio, que permita aos jogadores conhecerem os detalhes daquela ideia de jogo, automatizarem os movimentos e executarem perfeitamente tudo aquilo que foi planejado pela comissão técnica.

Esse é o ideal da montagem de um time vencedor de futebol. Um ideal que a Croácia resolveu rasgar para fazer história na Copa do Mundo-2018.

A seleção, que estreia neste domingo em finais da competição de futebol mais importante do planeta, contra a França, teve nada menos do que cinco treinadores diferentes ao longo dos últimos seis anos.

O ex-volante Zlatko Dalic, 51, está no cargo desde outubro. Ele foi contratado para salvar a equipe na última rodada das eliminatórias europeias da Copa, conseguiu bater a Ucrânia fora de casa e levou os croatas para a repescagem, onde desbancou a Grécia.

Com apenas 13 jogos no currículo, sendo oito vitórias, três empates e duas derrotas, será o homem sentado no banco de reservas no dia mais importante da história do futebol croata, o dia que pode consagrar como campeã mundial um pequeno país de 4 milhões de habitantes e menos de 30 anos de independência.

“Não tive muito tempo para trabalhar com os jogadores quando assumi o time antes das partidas decisivas das eliminatórias. Então, passo mais tempo conversando com eles, tentando lhes dar a confiança necessária. A Croácia tem um time talentoso. Meu trabalho é reunir o talento desses jogadores e maximizar o potencial do time”, afirmou o treinador, em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, quatro meses antes da Copa.

Dalic, cujo momento mais expressivo da carreira antes do Mundial havia sido a conquista do campeonato dos Emirados Árabes pelo Al-Ain, substituiu na seleção Ante Cacic, que ficou dois anos na função e não resistiu às eliminatórias.

Cacic, por sua vez, foi o substituto de Niko Kovac, agora comandante do Bayern de Munique, que não conseguiu levar a Croácia além da fase de grupos na Copa-2014. Antes, Igor Stimac havia durado só 15 jogos no cargo. E Slaven Bilic deixou a seleção após a queda na primeira fase da Euro-2012.

Tudo isso aconteceu em um período de apenas seis anos, justamente o tempo em que Didier Deschamps, adversário croata na final deste domingo, comanda a França.

Ao contrário dos rivais na decisão da Copa, os franceses fizeram tudo que a “cartilha do futebol” manda. Mantiveram o capitão da conquista de 1998 à frente da equipe mesmo depois da eliminação nas quartas de final no Mundial passado e da traumática derrota para Portugal na final em casa da Euro-2016.

O resultado foi o fim da desconfiança sobre Deschamps. Se antes da Rússia-2018, a torcida duvidada da sua capacidade de transformar um grupo de jogadores dos mais talentosos em um time da verdade, agora essa discussão ficou passado.

E ficará ainda mais se a França mostrar para a Croácia neste domingo que um trabalho de longo prazo pode fazer toda a diferença.

TÉCNICOS DA CROÁCIA DESDE 2012:

Slaven Bilic (2006-2012): 65 jogos, 64,6% de aproveitamento
Igor Stimac (2012-2013): 15 jogos, 53,3% de aproveitamento
Niko Kovac (2013-2015): 19 jogos, 52,6% de aproveitamento
Ante Cacic (2015-2017): 25 jogos, 60% de aproveitamento
Zlatko Dalic (2017): 13 jogos, 61,5% de aproveitamento


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Precoce, Mbappé pode ser campeão mais jovem como titular em 36 anos
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Rafael Reis

É raro um adolescente conseguir conquistar a Copa do Mundo como titular de sua seleção.

Algo tão raro que Kylian Mbappé pode se tornar neste domingo, quando França e Croácia se enfrentam em Moscou pelo título da Rússia-2018, o jogador mais jovem dos últimos 36 anos a conseguir esse feito.

Com 19 anos, sete meses e 25 dias, o atacante francês do Paris Saint-Germain é mais novo do que todos os titulares das equipes vencedoras das últimas oito edições da competição mais importante de futebol do planeta.

Para encontrar um campeão com idade mais baixa do que o camisa 10, é preciso retornar à 1982.

Na ocasião, o então lateral direito (e posteriormente zagueiro) Giuseppe Bergomi, da Inter de Milão, ajudou a Itália a derrotar a Alemanha por 3 a 1 e se sagrar tricampeã mundial com apenas 18 anos, sete meses e 19 dias.

Mas o caso de Bergomi é uma rara exceção. Quatro anos atrás, a Alemanha venceu a Copa no Brasil com um elenco que não tinha sequer um jogador com menos de 20 anos.

Na decisão contra a Argentina, o titular mais jovem escalado pelo técnico Joachim Löw foi o meio-campista Christoph Kramer, que já havia completado o 23º aniversário.

Mbappé não é só mais jovem do que os jogadores da seleção alemã campeã da Copa-2014. Ele também tem menos idade que todos os integrantes das últimas cinco equipes vencedoras do torneio.

O último atleta com idade menor que a promessa francesa a levantar a taça foi o atacante brasileiro Ronaldo, que tinha apenas 17 anos em 1994, a quem o camisa 10 vem sendo muito comparado.

A diferença é que o Fenômeno nem entrou em campo nos Estados Unidos. Já Mbappé não só é figura central na seleção da França, como é candidato real ao prêmio de melhor jogador do torneio.

Na primeira Copa de sua carreira, o atacante marcou três vezes, teve uma atuação de gala nas oitavas de final contra a Argentina e impressionou o planeta com muita velocidade, capacidade de driblas os adversários e toques precisos para seus companheiros.

Mbappé tem apenas dois anos e meio como profissional. Ele estreou pelo Monaco em dezembro de 2015 e foi protagonista da equipe semifinalista da Liga dos Campeões na temporada 2016/17.

Vendido ao PSG por 180 milhões de euros (R$ 811 milhões), segundo maior valor já pago por um jogador de futebol, chegou à seleção principal em março do ano passado e rapidamente virou titular.

Em 21 partidas pela equipe finalista da Copa-2018, soma sete gols e cinco assistências. Agora, quer o recorde mais importante de sua carreira. Um recorde que vale o título que todo jogador, adolescente, no auge ou já em fim de carreira, sonha conquistar.


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Seleção mais cansada só venceu duas das últimas 9 finais de Copa
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Rafael Reis

A França é apontada como favorita contra a Croácia na decisão da Copa do Mundo e um dos motivos é porque vai chegar à partida de domingo em melhores condições físicas. Enquanto a adversária disputou três prorrogações, o time de Mbappé, Griezmann e Pogba resolveu todos seus confrontos de mata-mata no tempo normal.

O raciocínio, feito por muita gente depois da definição das finalistas da Rússia-2018, pode até parecer simplista. Mas a história da competição mais importante de futebol do planeta mostra que ele faz todo sentido.

Em apenas duas das últimas nove edições da Copa, a seleção que chegou à decisão mais cansada conseguiu reverter essa desvantagem e conquistar o título.

Curiosamente, as únicas finais que tiveram esse desfecho também tinham a França em campo. Em 2006, a Itália driblou o cansaço maior para se sagrar tetracampeã mundial ante os Bleus nos pênaltis, após empate por 1 a 1 em 120 minutos de futebol.

Doze anos atrás, os italianos foram à decisão com uma prorrogação nas costas, a da semifinal contra a Alemanha. Por outro lado, os franceses venceram os três jogos da fase final do Mundial sem precisar de tempo extra.

Já em 1998, a França tinha a desvantagem física contra o Brasil. Afinal, já tinha enfrentado duas prorrogações, contra apenas uma do rival. Mesmo assim, aplicou um implacável 3 a 0 na final.

Ou seja, a situação com que a Croácia sonha no domingo já aconteceu. Mas o padrão é justamente o oposto.

Desde a década de 1980, cinco finais de Copa foram vencidas pela seleção que estava mais descansada. Itália (1982), Argentina (1986), Alemanha (1990), Brasil (1994) e Alemanha (2014) ganharam decisões em que haviam disputado um número menor de prorrogações que seus adversários.

Em outros dois Mundiais no período, o de 2002 (Brasil x Alemanha) e o de 2010 (Espanha x Holanda), nenhuma das finalistas precisou encarar tempos extras durante a competição.

Em busca de um título inédito, a Croácia é a primeira seleção da história das Copas a sobreviver a três prorrogações em uma mesma edição do torneio.

O teste de resistência começou nas oitavas de final, quando derrotou nos pênaltis a Dinamarca. Nas quartas, precisou novamente das penalidades para eliminar a anfitriã Rússia. A semifinal contra a Inglaterra foi um pouco mais curta. O gol de Mario Mandzukic decidiu o jogo nos 120 minutos de bola rolando.

Já a França não precisou queimar tanta energia assim. Seu caminho nos mata-matas teve início com uma vitória por 4 a 3 contra a Argentina, passou por um triunfo por 2 a 0 sobre o Uruguai e foi completado com um magro 1 a 0 ante a Bélgica.

Além do desgaste menor durante a competição, os franceses têm outra vantagem física sobre seus adversários na final: um dia extra de descanso, já que jogaram na terça-feira e a Croácia, na quarta.


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Rafael Reis

Há 15 dias, o goleiro Jo Hyen-woo parou o ataque da seleção alemã, ajudou a Coreia do Sul a conquistar uma vitória histórica na Copa do Mundo e, de quebra, fez com que atual campeã encarasse o vexame de ser eliminada ainda na fase de grupos da competição.

No último domingo, o arqueiro de 26 anos já estava em campo novamente… mas a pelo menos 5.500 km de distância de qualquer cidade-sede da Rússia-2018.

Jo não teve férias. Assim que terminou a participação de sua seleção na Copa, ele já teve de se reapresentar ao Daegu FC, clube que defende desde 2013. E, no fim de semana, foi a campo no empate por 2 a 2 com o FC Seoul.

A partida, que marcou o retorno do Campeonato Sul-Coreano após paralisação de 40 dias para o Mundial, teve a presença de mais um jogador que foi à Rússia: o ala esquerdo Go Yo-han.

Mas não são só os atletas da equipe asiática que não tiveram descanso e precisaram emendar a Copa com as ligas nacionais que disputam.

Ao contrário dos principais campeonatos do planeta, a MLS (Major League Soccer), o primeiro escalão do futebol nos Estados Unidos, não parou durante o Mundial. E seus jogadores que participaram do torneio voltaram à rotina normal assim que suas seleções foram eliminadas.

O meia Rodney Wallace, ex-Sport, já participou de duas partidas do New York City desde que a Costa Rica se despediu da Copa, ainda na primeira fase.

Os irmãos Jonathan e Giovani dos Santos também já voltaram aos gramados pelo Los Angeles Galaxy, apesar de a seleção mexicana, que eles defendem, ter ido até as oitavas de final do Mundial – foi eliminada pelo Brasil no dia 2 de julho.

No Brasil, a situação não é tão diferente assim. Apesar de o Brasileiro só voltar na próxima quarta-feira, três dias após a final entre França e Croácia, o goleiro Cássio já participou do amistoso do Corinthians contra o Cruzeiro, na última quarta.

O zagueiro Geromel (Grêmio) e o lateral direito Fagner (Corinthians), os outros integrantes da seleção brasileira que atuam no país, também retornam aos treinos nesta semana e devem ir a campo na primeira rodada pós-Copa do campeonato nacional.

Descanso maior mesmo, só quem deve ganhar são os jogadores que atuam nas principais ligas de futebol do planeta, como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Times como Liverpool e Barcelona já iniciaram os treinos de pré-temporada, mas ainda sem a presença dos atletas que participaram do Mundial. No caso do Barça, o próprio clube informou que “nos próximos dias, os atletas que disputaram a Copa do Mundo da Fifa 2018 com as suas respectivas seleções se reapresentarão de forma gradativa até completar o elenco.”

Jogadores que foram longe na competição, como os finalistas Samuel Umtiti (França) e Ivan Rakitic (Croácia), só devem se juntar ao grupo do técnico Ernesto Valverde no fim do mês.


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Rafael Reis

Em uma seleção repleta de filhos de imigrantes e garotos que cresceram na periferia das grandes cidades, tendo de lidar com dificuldades financeiras e diferentes tipos de violência, o capitão da França na Copa-2018 é um “estranho no ninho”.

O goleiro Hugo Lloris, 31, é branco, não possui raízes africanas, já nasceu cheio da grana e nem tinha a disputa de uma final de Mundial como seu maior sonho de infância.

Quando criança, o atual camisa 1 francês certamente trocaria a decisão da Rússia-2018, contra  a Croácia, neste domingo, em Moscou, pela oportunidade de disputar o troféu de Roland Garros.

Filho de uma advogada com um banqueiro de Monte Carlo (Mônaco), o arqueiro do Tottenham nasceu e cresceu em Nice, cidade litorânea que é um dos principais polos turísticos franceses e uma parte de uma região cheia dos endinheirados.

Seu primeiro esporte não era o futebol, mas sim o tênis. E Lloris era bom nisso, tanto que chegou a figurar no top 10 do ranking francês na categoria infantil.

Foi só no começo da adolescência, aos 13 anos, que o finalista da Copa do Mundo decidiu trocar definitivamente a raquete pelas luvas de goleiro e tratar os treinos nas categorias de base do Nice como prioridade.

A escolha deu tão certo que, seis anos depois, Lloris já estava na meta do time da cidade em uma partida da primeira divisão francesa. Em 2008, ele assinou com o Lyon, um dos grandes do país. E, após quatro temporadas, migrou para o poderoso futebol inglês para defender o Tottenham.

A primeira chance na seleção também veio em 2008. Dois anos depois, já foi titular em uma Copa. A braçadeira de capitão veio em 2011, apenas três anos após sua estreia. Coube ao goleiro a tarefa de liderar o processo da transição da geração de Franck Ribéry, Patrice Evra e Karim Benzema para a atual, que tem nele um dos seus maiores expoentes.

No Mundial da Rússia, o terceiro de sua carreira, Lloris virou uma espécie de herói nacional.

Apesar de não ter sido exigido muitas vezes, o goleiro salvou a França sempre que foi requisitado. E com intervenções dignas de serem chamadas de milagre.

Nas quartas de final, contra o Uruguai, pegou uma cabeçada de Martín Cáceres que lembrou a icônica defesa do inglês Gordon Banks na Copa-1970. Já na semi, contra a Bélgica, foi buscar um difícil chute no canto dado por Toby Alderweireld.

Neste domingo, o homem de confiança do técnico Didier Deschamps, que nasceu rico e gostava mais de tênis que de futebol, quer repetir o gesto que o comandante fez há 20 anos: levantar a Copa do Mundo.


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Rafael Reis

Aos 19 anos, seis meses e 20 dias, Kylian Mbappé tem nesta terça-feira a missão mais importante de sua curta carreira como jogador profissional de futebol: conduzir a França a uma final de Copa do Mundo depois de 12 anos.

Mas engana-se quem pensa que o confronto com a Bélgica, em São Petersburgo, pela semifinal da Rússia-2018, é responsabilidade demais para um garoto tão jovem.

Fenômeno de precocidade, o atacante do Paris Saint-Germain tem um início de trajetória que supera até mesmo os começos de carreira de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, os craques que bipolarizam a modalidade há uma década.

O Mbappé atual tem números bem melhores do que o português e o argentino ostentavam quando tinham a idade do jovem astro da seleção francesa e davam seus primeiros passos rumo ao Olimpo da Bola.

Em 124 jogos como profissional, camisa 10 soma 55 gols e 37 assistências. As médias de 0,44 bola na rede e 0,3 passe para gol por partida são suficientes para deixar qualquer um de queixo caído.

Quando tinha 19 anos, Messi até se aproximava da média de gols de Mbappé (0,36 por jogo), só que seu número de assistências era bem inferior ao do novo astro do futebol francês (0,17).

Já Cristiano Ronaldo tinha números bem distantes daqueles que o consagrariam como um vencedor de cinco eleições de melhor do mundo: 0,13 gols por partida e 0,14 assistência a cada 90 minutos.

Mas não é só na quantidade de gols e passes precisos que Mbappé supera o início de carreira da dupla de craques. Praticamente tudo aconteceu antes com ele.

O francês disputou sua primeira partida como profissional aos 16 anos, 11 meses e 12 dias (empate por 1 a 1 entre Monaco e Caen, em dezembro de 2015). Messi e CR7 só fizeram suas estreias em jogos oficiais depois de completar o 17º adversário.

O primeiro gol também saiu mais depressa para Mbappé. O atacante estreou como artilheiro aos 17 anos e dois meses (vitória por 3 a 1 do Monaco sobre o Troyes). O português demorou seis meses mais para marcar, e o argentino, oito.

O sucesso na Liga dos Campeões também chegou antes para o camisa 10 da seleção da França. Seu primeiro gol na Champions saiu aos 18 anos e 2 meses (derrota por 5 a 3 do Monaco contra o City). Messi deixou sua marca no torneio continental com 18 anos e 4 meses. CR7, com 20 anos e seis meses.

O trio estreou por suas respectivas seleções com a mesma idade (18 anos), mas Mbappé também se sobressai na largada. No primeiro ano e meio jogando pela França, ele marcou sete vezes, mesmo desempenho de CR7 por Portugal. No mesmo período, Messi só fez dois gols pela Argentina.

Mas a principal vantagem do atacante sobre os dois grandes astros do futebol mundial no século 21 pode ser construída ao longo desta semana.

Mbappé pode conquistar a Copa do Mundo ainda como adolescente, algo que Messi e Cristiano Ronaldo ainda não conseguiram nem como trintões. Será que estamos vendo uma passagem de bastão?

AOS 19 ANOS

Kylian Mbappé
124 jogos
55 gols (0,44 por partida)
37 assistências (0,3 por partida)

Lionel Messi
83 jogos
30 gols (0,36 por partida)
14 assistências (0,17 por partida)

Cristiano Ronaldo
71 jogos
9 gols (0,13 por partida)
10 assistências (0,14 por partida)


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