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Qual a origem da cicatriz no rosto de Ribéry?
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Rafael Reis

Imagem: Christian Charisius/Reuters

“Tenho orgulho da minha cicatriz. Ela me deu força e forjou meu caráter. Você precisa aprender a ser mentalmente forte para resistir às ridicularizações feitas pelas crianças e aos olhares dos adultos.”

É assim que o meia-atacante Franck Ribéry, 34 anos, costuma falar sobre a enorme marca que exibe no lado direito de sua face e que lhe rendeu no futebol o apelido de “Scarface”, em referência ao filme protagonizado por Al Pacino em 1983.

Mas, afinal, qual é a origem da cicatriz que o craque francês do Bayern de Munique carrega no rosto?

Ribéry sofreu um grave acidente de carro quando tinha apenas dois anos, em Boulogne-sur-Mer, sua cidade natal. O veículo onde estava com sua família colidiu com um caminhão, e o garoto foi lançado do banco de trás em direção ao para-brisas.

A batida não lhe deixou nenhuma sequela grave. No entanto, os mais de 100 pontos que os médicos deram em sua face nunca sumiram completamente e deram origem a cicatriz que o craque do Bayern aprendeu a amar.

A amar? Sim. Sempre que é questionado sobre o tema, o francês faz questão de lembrar que o bullying que sofreu na escola e os olhares tortos que o acompanham até hoje devido à marca na face só lhe ajudaram a se tornar o homem que é atualmente.

“De certa forma, esse acidente me ajudou. Foi algo que me motivou quando criança. Deus me deu essa diferença. As cicatrizes são parte de mim, e as pessoas precisam me aceitar do jeito que sou”, afirmou no livro “The Football Men: Up Close with the Giants of the Modern Game”, publicado em 2011 pelo jornalista inglês Simon Kuper.

Imagem: Christophe Ena/AP

E o mundo do futebol aceita (e admira) Ribéry há 17 anos. O meia-atacante começou a carreira como profissional em 2000, pelo Boulogne, e passou por Alès, Brest, Metz, Galatasaray e Olympique de Marselha até chegar ao Bayern, dez anos atrás.

Em uma década de Bayern, acumula 361 partidas, 112 gols, 174 assistências, sete títulos alemães, uma Liga dos Campeões da Europa e a indicação para o prêmio de melhor jogador do mundo de 2013 –ficou na terceira colocação, atrás de Messi e Cristiano Ronaldo.

Pela seleção francesa, jogou 81 partidas, balançou as redes 16 vezes e participou de duas Copas do Mundo (2006 e 2010). Em 2014, perdeu o Mundial devido a uma lesão nas costas e anunciou que não gostaria mais de ser convocado, posição que mantém até hoje.

“Sou assim. Este é meu rosto, o único que as pessoas conhecem. Sou feliz com ele. Por que não deveria?”


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Time de Hitler? Como clube alemão tenta apagar nazismo de sua história
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Rafael Reis

Todo clube de futebol gostaria de ter como torcedor ilustre uma figura forte, decidida, reconhecida por quase 100% do planeta e que ajudaria a levar seu nome além de qualquer fronteira. Certo? Não se o torcedor em questão for Adolf Hitler.

É contra o estigma de ser conhecido como o time de um maiores genocidas do século XX que o Schalke 04 luta há mais de meio século.

Na verdade, não há nenhuma comprovação de que o pai do nazismo e líder da Alemanha entre 1933 e 1945 tenha realmente sido um admirador do time de Gelsenkirchen, décimo colocado na última edição da Bundesliga.

Mesmo assim, a conexão entre Hitler e o clube não chega a ser uma lenda urbana. Ela tem raízes históricas e, até por isso, continua sendo lembrada até hoje por torcedores adversários.

A principal dessas raízes vem do sucesso obtido pelo Schalke durante o Terceiro Reich. Seis dos sete títulos alemães da história do clube foram conquistados no período do governo nazista: 1934, 1935, 1937, 1939, 1940 e 1942.

Os bons resultados dentro de campo não passaram alheios por Joseph Goebbels, o braço-direito marqueteiro de Hitler, que tratou de usar as vitórias obtidas pelo Schalke 04 na propaganda nazista que era distribuída ao público.

Some-se a isso o fato de o Schalke 04 ter sido classificado pelo governo como um clube ariano, fundado por trabalhadores braçais e mineiros germânicos que deram seu suor pela Alemanha, ao contrário de Borussia Dortmund e Bayern de Munique, de raízes e tendências judias. Ou seja, que deviam ser combatidos…

Abraçado pelo regime dominante e vivendo uma era de sucesso dentro de campo, o time se tornou o mais popular do país durante o período nazista. E, evidentemente, muitos desses torcedores (como boa parte da população da época) eram também simpatizantes de Hitler.

Mas o ditador jamais foi um grande fã do futebol e preferia ginástica e atletismo, esportes que considerava muito mais másculos do que aquele balé de pernas correndo atrás de uma bola.

Por isso, é pouco provável que seu coração fosse azul, como fez questão de ressaltar Gerd Voss, então chefe de relações públicas do Schalke 04, em 2014, seis anos depois de o jornal britânico “Times” classificar Hitler como o pior torcedor famoso de um clube de futebol.

“Descobrimos que ele deve ter sido um torcedor de sofá, porque ele nunca foi a nenhum de nossos jogos, nem mesmo a uma decisão de campeonato ao lado da sua porta, no Estádio Olímpico em Berlim. Talvez ele estivesse muito ocupado com as suas políticas genocidas… ou talvez não fosse um torcedor de futebol”, afirmou o dirigente, em resposta ao artigo.


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Disputa é pela artilharia: 7 motivos para acompanhar o Campeonato Alemão
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Rafael Reis

Bayern de Munique e Bayer Leverkusen dão nesta sexta-feira, a partir das 15h30, o pontapé inicial para a 55ª edição da Bundesliga, a primeira divisão do Campeonato Alemão.

E apesar de quase todo mundo acreditar que, ao término desta temporada, o Bayern adicionará mais um troféu ao seu vasto currículo, não faltam motivos para acompanhar de perto o futebol germânico.

Conheça abaixo sete motivos pelos quais vale a pena dar uma olhadinha na temporada 2017/18 do Campeonato Alemão:

CAMPEÕES MUNDIAIS

A um ano da Copa do Mundo, é bom acompanhar de perto as armas das seleções que podem ameaçar o Brasil no próximo ano. E uma das principais ameaças com certeza é a Alemanha, atual campeã mundial e da Copa das Confederações. Pois bem, a maior parte dos convocados de Joachim Löw para a Rússia-2018 deve sair desta edição do Campeonato Alemão. Então, olho neles.

BAYERN SEM PILARES

O Bayern continua sendo a maior potência da Alemanha e principal favorito ao título, só que terá de se virar nesta temporada sem dois dos seus principais pilares dos últimos anos. O lateral direito Philipp Lahm, 33, e o volante Xabi Alonso, 35, decidiram se aposentar e não deixaram substitutos prontos para desempenhar as funções que tinham na equipe. Trabalho extra para o técnico Carlo Ancelotti.

VAI TER BRIGA?

O possível enfraquecimento do Bayern nesta temporada levanta a questão: será que poderemos ter um outro campeão alemão? A pergunta é difícil de ser respondida porque o Borussia Dortmund, atualmente o maior rival do clube de Munique na Bundesliga, ainda pode perder para o Barcelona um dos seus principais jogadores, o meia-atacante francês Ousmane Dembélé, e está de técnico novo, o holandês Peter Bosz, ex-Ajax.

DISPUTA PELA ARTILHARIA

Se a briga pelo título alemão não tem sido das mais empolgantes nos últimos anos, a disputa pelo posto de artilheiro da Bundesliga sempre pega fogo. Em 2016, Robert Lewandowski, do Bayern, levou a melhor. Na última temporada, Pierre-Emerick Aubameyang, do Borussia Dortmund, deu o troco. Desta vez, a menos que Auba deixe a Alemanha em uma transação de última hora, a dupla deve protagonizar mais uma vez o confronto pela artilharia.

TERCEIRA VIA

Em sua primeira temporada na elite do futebol alemão, o RB Leipzig fez bonito, tão bonito que terminou à frente do Borussia Dortmund e como vice-campeão da Bundesliga. Agora, tendo que dividir atenções entre a liga nacional e a Champions, chegou a hora de o time da Red Bull provar se é um fenômeno passageiro ou uma força que veio para se firmar no cenário germânico.

QUEM É TOLISSO?

O reforço mais caro da história do Bayern de Munique é praticamente um desconhecido para os torcedores. O francês Corentin Tolisso, de 23 anos, foi tirado do Lyon por 41,5 milhões de euros (R$ 154 milhões) para ampliar as opções de Ancelotti no meio-campo do atual campeão alemão e talvez até ser o substituto de Xabi Alonso. Nos dois primeiros jogos oficiais da temporada, Tolisso fez o mínimo que se espera de alguém que custou tanto: foi titular e não comprometeu.

LOBOS PERDIDOS

Um dos clubes mais ricos da Alemanha, graças ao aporte da Volkswagen, o Wolfsburg tenta reencontrar seu caminho depois de escapar por pouco do rebaixamento na temporada passada. O campeão alemão de 2009 e vice de 2015 gastou mais de 50 milhões de euros (R$ 185 milhões) em reforços, entre eles o lateral brasileiro William, ex-Internacional.


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Janela já movimentou R$ 4,5 bi em transferências; Bundesliga lidera gastos
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Rafael Reis

A menos de uma semana da abertura da janela de transferências para o futebol europeu, o Mercado da Bola já movimentou mais de 1,2 bilhão de euros (R$ 4,5 bilhões) em compras e vendas de jogadores para a temporada 2017/18.

Apesar de o período de concretização de transferências internacionais nas principais ligas do planeta começar oficialmente apenas no sábado, os grandes clubes da Europa já estão em pleno vapor à caça de reforços para as competições dos próximos meses.

Contrariando uma tendência das últimas temporadas, o campeonato “mais gastão” de 2017/18 não é a Premier League inglesa, mas sim a Bundesliga alemã.

Até a última segunda-feira, os 18 clubes da primeira divisão do atual campeão mundial de futebol haviam gasto juntos 298 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) na chegada de novos jogadores, pouco mais que os 288,9 milhões de euros (R$ 1 bilhão) desembolsados pelos 20 times que disputam o Campeonato Inglês.

Mas, curiosamente, só dois dos dez negócios mais caros da janela haviam sido protagonizados por equipes alemãs, as compras dos franceses Corentin Tolisso e Kingsley Coman pelo Bayern de Munique.

Já os ingleses eram responsáveis por seis das dez contratações mais caras para a próxima temporada, inclusive a ida do meia-atacante português Bernardo Silva para o Manchester City, a líder do ranking dos grandes negócios de 2017/18.

Das dez ligas mais gastonas da temporada, nove são de países localizados na Europa. A exceção é o Campeonato Mexicano, que aparece na sétima colocação na lista, com investimento de 35,9 milhões de euros (R$ 134 milhões) em transferências.

O top 10 também conta com uma segunda divisão, a da Inglaterra, que já gastou 33,4 milhões de euros (R$ 124,8 milhões) em reforços e aparece no oitavo lugar entre todas as ligas nacionais do planeta.

O “Blog do Rafael Reis” publicada semanalmente, sempre às terças-feiras, um balanço da janela de transferências da temporada 2017/18, com as principais negociações e valores desembolsados em compras e vendas de jogadores.

Saiba agora tudo que está rolando no Mercado da Bola.

AS 10 LIGAS QUE MAIS GASTARAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Campeonato Alemão – 298,8 milhões de euros
2º – Campeonato Inglês – 288,9 milhões
3º – Campeonato Italiano – 263,9 milhões
4º – Campeonato Francês – 101,8 milhões
5º – Campeonato Espanhol – 76,1 milhões
6º – Campeonato Belga – 44,8 milhões
7º – Campeonato Mexicano – 35,9 milhões
8º – Campeonato Inglês (2ª divisão) – 33,4 milhões
9º – Campeonato Português – 27,8 milhões
10º – Campeonato Turco – 14,8 milhões
TOTAL:
1,2 bilhão de euros (R$ 4,5 bilhões)

AS 10 CONTRATAÇÕES MAIS CARAS DA TEMPORADA 2017/18
1º – Bernardo Silva (POR/Manchester City) – 50 milhões de euros
2º – Mohamed Salah (EGI, Liverpool) – 42 milhões de euros
3º – Corentin Tolisso (FRA/Bayern de Munique) – 41,5 milhões
4º – Ederson (BRA/Manchester City) – 40 milhões
5º – André Silva (POR/Milan) – 38 milhões
6º – Victor Lindelöf (SUE/Manchester United) – 35 milhões
7º – Jordan Pickford (ING/Everton) – 28,5 milhões
8º – Davy Klaasen (ING/Everton) – 27 milhões
9º – Youri Tielemans (FRA/Monaco) – 25 milhões
10º – Kingsley Coman (FRA/Bayern de Munique) – 21 milhões

OS 10 BRASILEIROS MAIS CAROS DA TEMPORADA 2017/18
1º – Ederson (Manchester City) – 40 milhões de euros
2º – Bruno Peres (Roma) – 12,5 milhões
3º – Luiz Araújo (Lille) – 10,5 milhões
4º – Vitor Hugo (Fiorentina) – 8 milhões
Juan Jesus (Roma) – 8 milhões
6º – Lyanco (Torino) – 6 milhões
7º – Marlon (Barcelona) – 5 milhões
William (Wolfsburg) – 5 milhões
9º – Marçal (Lyon) – 4,5 milhões
Guilherme (La Coruña) – 4,5 milhões

OS 10 CLUBES QUE MAIS CONTRATARAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Bayern de Munique (ALE) – 90,5 milhões de euros
2º – Manchester City (ING) – 90 milhões
3º – Milan (ITA) – 82 milhões
4º – Everton (ING) – 55,5 milhões
5º – Juventus (ITA) – 47,5 milhões
6º – Borussia Dortmund (ALE) – 44 milhões
7º – Liverpool (ING) – 42 milhões
8º – Monaco (FRA) – 36 milhões
9º – Roma (ITA) – 35,5 milhões
10º – Manchester United (ING) – 35 milhões

OS 10 CLUBES QUE MAIS VENDERAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Benfica (POR) – 81,8 milhões de euros
2º – Monaco (FRA) – 62,5 milhões
3º – Porto (POR) – 45 milhões
4º – Lyon (FRA) – 43 milhões
5º – Roma (ITA) – 42 milhões
6º – Juventus (ITA) – 38,5 milhões
7º – Torino (ITA) – 36,6 milhões
8º – Anderlecht (BEL) – 27,2 milhões
9º – Freiburg (ALE) – 26,5 milhões
10º – Wolfsburg (ALE) – 25 milhões

Fonte: Transfermarkt


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Para cada gol, futebol brasileiro leva 2 cartões amarelos na Europa
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Rafael Reis

Para cada gol marcado, os jogadores brasileiros que atuam no primeiro escalão do futebol da Europa recebem em média dois cartões amarelos.

É essa uma das conclusões da análise da participação do futebol pentacampeão mundial nas cinco principais ligas nacionais do Velho Continente na temporada 2016/17.

Até o início da rodada deste fim de semana, os atletas brasileiros acumulavam 137.741 minutos (ou 5.739 horas e 5 minutos), 163 gols, 330 cartões amarelos e 15 expulsões na primeira divisão de Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Isso significa um gol a cada 845 minutos, uma advertência a cada 417 minutos e um vermelho a cada 9.182 minutos de futebol brasileiro nos gramados europeus.

No total, 114 brasileiros já foram utilizados em partidas das cinco maiores ligas nacionais da Europa nesta temporada. Desses, 97 (85%) receberam pelo menos um cartão e 52 (45%) balançaram as redes.

De todos eles, quem mais permaneceu em campo foi o lateral esquerdo Lucas Lima, do Nantes. O ex-jogador do Botafogo e do Internacional participou integralmente de todas as 32 rodadas já disputadas do Francês. Ou seja, foi titular em todos os jogos e não foi substituído uma única vez.

Já o recordista brasileiro de cartões na elite europeia é um atacante. Deyverson, que chamou a atenção um mês atrás por comemorar um gol abaixando parte do calção, já recebeu 13 amarelos pelo Alavés no Espanhol.

O volante Fernandinho, do Manchester City, é o único brasileiro que foi expulso mais de uma vez nos campeonatos analisados. O jogador da seleção recebeu dois cartões vermelhos no Inglês e, por causa disso, precisou cumprir sete jogos de suspensão.

Quanto à artilharia, há um empate na primeira colocação. Roberto Firmino, do Liverpool, e Willian José, da Real Sociedad, marcaram dez gols cada nos campeonatos Inglês e Espanhol, respectivamente.

Neymar, o maior astro do futebol brasileiro nos últimos anos, fez nove gols pelo Barcelona na liga espanhola e aparece logo na sequência.

Entre os cinco campeonatos, o com maior presença brasileira até o momento é o Espanhol (35.382 minutos, contra 35.379 minutos do Italiano). Também é o país campeão mundial de 2010 que viu o maior número de gols (57) e de cartões (104) dos atletas aptos a defender a seleção líder do ranking da Fifa.


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Ele é alemão, vale R$ 100 mi e tem jogador do Fla como ídolo de infância
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Rafael Reis

Julian Brandt tem 20 anos, joga profissionalmente no Bayer Leverkusen desde fevereiro de 2014, está prestes a completar 100 partidas na Bundesliga, fez parte da equipe medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, defende há um ano a seleção principal da Alemanha e vale 30 milhões de euros (R$ 100 milhões).

É esse o valor que, de acordo com a imprensa alemã, o Bayern de Munique pagará ao Leverkusen na próxima janela de transferências para contar com o jovem meia-atacante a partir da temporada 2017/18.

Isso se Liverpool, Borussia Dortmund ou qualquer outro dos vários clubes que já manifestaram interesse em contratá-lo não intervirem.

Em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, Brandy fala sobre o desafio de não se deixar levar pela fama, relembra a derrota para o Brasil na final dos Jogos Olímpicos e revela que seu ídolo de infância é um brasileiro, o meia Diego, atualmente no Flamengo.

Confira a íntegra da entrevista com Julian Brandt:

Julian, você é uma das grandes promessas do futebol europeu. O quão difícil é, para um garoto de 20 anos, manter a cabeça no lugar sabendo que alguns dos mais importantes clubes do mundo desejam contratá-lo?
Não é tão complicado assim. Meu pai toma conta de todas as questões de mercado para mim. E, como confio 100% nele, posso me concentrar nas partidas, no meu time e no meu desempenho dentro de campo. Meu contrato com o Leverkusen vai até 2019 e temos um acordo: no final da temporada, vamos sentar para conversar com a diretoria sobre o que passou neste ano e os planos para o futuro.

Qual é o lado bom e o lado ruim de ser famoso tão jovem?
Sou um privilegiado. Não apenas por ter assinado um belo contrato ou porque as pessoas me reconhecem e pedem um autógrafo ou uma foto quando estou sentado em um café. Sou um privilegiado porque posso jogar futebol quase todo dia. Trabalho com aquilo que realmente gosto. O futebol é um grande jogo.

Você veio ao Brasil no último verão. Do que mais gostou por aqui?
Da hospitalidade do povo brasileiro. E, claro, do clima agradável. Um dia de sol na praia é algo que realmente toca seu coração. Ah, não posso esquecer: quase todo mundo no Brasil parece ser louco por futebol e entende muito do esporte.

Bem, vamos falar sobre os Jogos Olímpicos. Aqui no Brasil, a final olímpica do futebol foi considerada por muitos como uma espécie de “revanche do 7 a 1”. Você sentiu esse clima no Maracanã?
Senti isso em todo canto. A derrota na Copa do Mundo de 2014 é algo que ainda dói no coração do brasileiro. Foi uma tragédia nacional. Mas não acho que a medalha olímpica de ouro e a vitória sobre nós mudou isso. Era um competição diferente, com times diferentes, exceto Neymar [o brasileiro não participou do 7 a 1 devido a uma contusão]. Então, eu não chamaria de revanche.

Ainda sobre Olimpíada, você achou uma certa apelação do Brasil usar um jogador já estabelecido internacionalmente, como Neymar, em uma competição destinada a jovens?
Toda seleção teve o direito de convocar três jogadores acima de 23 anos. Meu companheiro de time Lars Bender, por exemplo, tem 27 anos e também é um jogador estabelecido. Fiquei muito feliz por ter participado dos Jogos do Rio.

Quem é o seu maior ídolo no futebol? Por quê?
Hoje em dia, não tenho mais nenhum ídolo. Mas, quando eu era mais jovens e ia assistir às partidas da Bundesliga na minha cidade natal, Bremen, costumava admirar o Diego (no Werder). Ele era alguém especial, muito habilidoso, com uma técnica quase perfeita e jogava de forma muito elegante. Fico realmente feliz por ele ter voltado a jogar pela seleção.

Agora, para terminar, qual é a melhor escola de futebol do planeta: a alemã ou a brasileira?
É complicado para mim comparar essas duas filosofias. Elas são completamente diferentes. A alemã é baseada em uma grande força mental e tem a determinação e a disciplina como pontos muito importantes. Além disso, melhoramos muito nossa educação futebolística nos últimos 15 anos. Já o futebol brasileiro é bem diferente. Nele, a técnica é essencial. Todo movimento que eles fazem parece fácil e eles são cheios de truques. Para nós, alemães, futebol é uma paixão. Só que para os brasileiros, o futebol faz parte da vida, da identidade nacional. Mas há algo que liga essas duas filosofias: ambas são muito vencedoras.


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Fim das retrancas: Europa vê maior “chuva de gols” dos últimos 39 anos
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Rafael Reis

O Campeonato Espanhol não vê um 0 a 0 há mais de um mês. No Inglês, só três dos 20 clubes participantes têm média inferior a um gol por partida. E, no Italiano, três jogadores já romperam a casa dos 20 gols só nesta edição.

Esses não são fatos isolados. O primeiro escalão do futebol europeu (e, consequentemente, mundial) foi tomado por uma verdadeira de chuva de gols nesta temporada.

Somando os cinco principais campeonatos nacionais do Velho Continente (Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês), temos até agora em 2016/17 um total de 1.678 partidas e 4.593 gols. A média de 2,78 gols por partida é a mais alta dos últimos 39 anos.

Para encontrar uma temporada com fartura de bolas na rede superior à atual é preciso voltar a 1977/78, quando a grande maioria dos jogadores profissionais de hoje ainda nem tinham nascido.

Na ocasião, as cinco grandes ligas europeias registraram uma média de 2,79 gols por jogo, só um pouquinho acima da vista nesta temporada.

Nos últimos 39 anos, a média de gols da elite da bola variou entre 2,38 gols por partida, em 1991/92, ainda na ressaca da seca da Copa do Mundo-1990, e 2,76, marca registrada três temporadas atrás.

Em 2016/17, todas as cinco grandes ligas nacionais da Europa ostentam médias superiores a 2,5 gols por jogo. A Espanha é a que possui a média mais alta: 2,91, a mais elevada no país em 54 anos.

Inglaterra e Itália também apresentam marcas histórias em relação ao número de bolas na rede. No caso da primeira divisão inglesa, a média atual (2,84) é a mais alta desde 1968. Já os italianos têm nesta temporada o melhor resultado ofensivo (2,79) desde 1993.

O maior goleador das principais ligas da Europa vem da França. O uruguaio Edinson Cavani, do Paris Saint-Germain, já marcou 27 vezes, quatro a mais que o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o segundo colocado na lista.

Curiosamente, o ataque mais produtivo também vem da Ligue 1, tradicionalmente um dos campeonatos nacionais de futebol menos vistoso e ofensivo do continente.

O Monaco, que eliminou o Manchester City da Liga dos Campeões e desponta como a grande sensação da temporada, marcou 84 vezes nas primeiras 29 rodadas do Francês. Uma média que beira o inacreditável: 2,89 gols por partida.

As oitavas de final da Champions, aliás, mostraram bem essa nova cara do futebol europeu.

Tivemos dois placares de 5 a 1, um 5 a 3, outro 6 a 1 e mais um 4 a 2. No total, foram registrados 62 gols em apenas 16 partidas. Isso dá uma média de 3,87 gols por jogo.

E, vale lembrar, esses jogos reuniram aqueles que são em tese os 16 clubes mais fortes da Europa na atualidade, o que derruba o argumento de que a chuva de gols desta temporada seja apenas um reflexo da diferença técnica entre as equipes mais poderosas e as mais fracas.

Resumindo: o futebol europeu pegou gosto pelo gol. E quem ganha com isso são todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado. Ou seja, eu… e imagino que vocês também.


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Como intercâmbio da “família Red Bull” ajuda a explicar sensação Leipzig
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Rafael Reis

Líder da Bundesliga em seu ano de estreia na primeira divisão, invencibilidade de 13 jogos na temporada, sequência de sete vitórias consecutivas. Esse é o RB Leipzig. Mas, se quiser, pode chamá-lo de “seleção Red Bull”.

A equipe que está desbancando o Bayern de Munique do topo na Alemanha recebeu uma forcinha considerável dos outros times do grupo para se tornar a principal sensação do futebol europeu nesta temporada.

Red Bull

Dos 11 titulares usados pelo técnico Ralph Hasenhüttl na goleada por 4 a 1 sobre o Freiburg, fora de casa, na sexta-feira, cinco foram importados do Red Bull Salzburg.

Além deles, o lateral direito brasileiro Bernardo também veio dos clubes irmãos do Leipzig. Cria das categorias de base do Red Bull Brasil, ele passou sete meses na Áustria antes de ir para a Alemanha.

Essa possibilidade de intercâmbio é uma das vantagens que o líder da Bundesliga tem sobre os outros 17 times que disputam a competição.

Como a empresa de energéticos possui quatro clubes ao redor do mundo (além dos três já citados, há o New York Red Bulls, nos EUA), ela pode distribuir seus jogadores da forma que for mais estratégica para ela.

As transferências entre clubes da “família Red Bull” não são, pelo menos em tese, gratuitas. Mas, como todas eles possuem o mesmo acionista majoritário, a maior parte do dinheiro sai e volta para o mesmo bolso.

Por isso, assim que o Leipzig subiu para a primeira divisão alemã, a Red Bull tratou de abastecê-lo com alguns dos destaques do Salzburg, equipe que conquistou os últimos três títulos austríacos.

Foi nessa leva que chegaram, por exemplo, o meia Naby Keita, Bernado e o lateral direito Benno Schmitz.

A estratégia da Red Bull para transformar o Leipzig em uma força na Alemanha não é inédita no futebol e já foi utilizada por outros grupos que possuem mais de um clube.

O empresário italiano Giampaolo Pozzo chegou a ter seus times disputando das três das mais importantes primeiras divisões do planeta (Itália, Espanha e Inglaterra) e promovia trocas constantes de jogadores entre Udinese, Granada e Watford.

O Manchester City é outro que já se aproveitou desse expediente.

Em 2014, pegou Frank Lampard emprestado de sua filiar norte-americana, o New York City. Já na atual temporada, buscou o meia Aaron Mooy no time australiano do grupo, o Melbourne City, para inserí-lo no mercado inglês –está emprestado ao Huddersfield Town.


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Rafael Reis

Quem vê o RB Leipzig, em sua primeira temporada na elite do futebol alemão, deixando para trás Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen e Wolfsburg e dividindo a liderança da competição com o Bayern de Munique, fatalmente leva um susto.

Mas basta se atentar àquelas duas letrinhas que vêm antes do nome do clube para que tudo passe a fazer sentido.

Leipzig

Apesar de o RB oficialmente significar RasenBallsport (algo como “Esporte com a Bola sobre o Gramado”), ele é a senha que mostra que o Leipzig faz parte de um dos projetos mais vitoriosos e arrojados do esporte mundial.

O Leipzig faz parte da família Red Bull, que inclui ainda duas escuderias de F-1 (Red Bull e Toro Rosso), duas equipes de hóquei sobre o gelo (Red Bull Munique e Red Bull Salzburg), outros três times de futebol (New York Red Bulls, Red Bull Salzburg e Red Bull Brasil0 e incontáveis patrocínios a astros de primeira grandeza.

Ao longo de 11 anos, o projeto de investimento no futebol da empresa de energéticos mais famosa do mundo e que tem o esporte como principal plataforma de marketing acumula sete subidas de divisão e nada menos do que 17 títulos de competições oficiais.

Comprado em 2005 e primeira iniciativa da Red Bull na modalidade, o Salzburg é o clube mais vitorioso do grupo. Graças ao dinheiro de Dietrich Mateschitz, o time se tornou a maior força do futebol austríaco na atualidade e conquistou seis dos últimos oito campeonatos nacionais.

Além disso, já alcançou as oitavas de final da Liga Europa, em 2014, e bateu na trave três vezes para entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Se o Salzburg dá resultados esportivos, o New York Red Bulls é ótimo para alavancar o nome da companhia no principal mercado do mundo e aliar a marca a astros do futebol.

A franquia da MLS (Major League Soccer), a principal liga de futebol dos Estados Unidos, foi adquirida em 2006 e já teve Thierry Henry, Rafael Márquez, Tim Cahill, Juan Pablo Ángel e Shaun Wright-Phillips.

O time já teve por duas vezes a melhor campanha da temporada regular da MLS e foi vice-campeão da liga em 2008.

Já o projeto brasileiro da Red Bull, fundado em 2007, ainda engatinha se comparado aos do exterior. A equipe foi galgando escalão por escalão no Campeonato Paulista e estreou na primeira divisão no ano passado. Também em 2015, disputou pela primeira vez a Série D do Campeonato Brasileiro. Já neste ano, debutou na Copa do Brasil.

O ponto forte do RB Brasil, como é chamado pela Rede Globo para não divulgar a marca Red Bull, são as categorias de base. Foi de lá que saiu, por exemplo, o lateral direito Bernardo, 21, hoje titular do Leipzig.

Com sete vitórias (inclusive sobre Borussia Dortmund e Wolfsburg), três empates e os mesmos 24 pontos do Bayern em seus dez primeiros jogos na Bundesliga, o Leipzig é um fenômeno na Alemanha.

Fundado em 2009, quando a Red Bull comprou uma vaga na quinta divisão, conquistou quatro promoções em sete anos, amparado por um dinheiro muito maior do que seus rivais. Até por isso, ganhou o título de “time mais odiado da Alemanha”.

Mas dinheiro não compra tudo. E a empresa de energéticos sentiu isso durante sua tentativa de entrar no futebol africano. O Red Bull Gana durou seis anos e foi abandonado pela companhia em 2014, na segunda divisão local.


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Cabeça de touro e boicote: caçula da Alemanha é alvo de ódio de adversários
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Rafael Reis

Na primeira rodada, a cabeça de um touro foi lançada no estádio por torcedores do Dynamo Dresden. No jogo de abertura do Campeonato Alemão, a manifestação dos fãs do Hoffenheim foi mais usual: faixas ofendendo o adversário e reclamando que o “dinheiro compra tudo”.

Os dois protestos tinham o mesmo alvo: o RB Leipzig, o clube mais odiado da Alemanha e um dos mais detestados do futebol mundial.

Estreante na Bundesliga, a primeira divisão alemã, o time é um dos cinco clubes de futebol espalhados pelo mundo que pertencem à Red Bull. E é isso que tanto incomoda aos adversários.

Red Bull

Pelo regulamento do futebol germânico, todos os clubes precisam ser associações esportivas (com sócios, como no Brasil). Empresas ou magnatas até podem ser acionistas das agremiações, mas são proibidas de terem o controle sobre elas.

Casos como os de Wolfsburg, que pertence à Volkswagen, e Bayer Leverkusen, de propriedade da Bayer, são excepcionais por serem anteriores a essa regulamentação.

Mas, o do Leipzig não. O time foi fundado em 2009, quando a Red Bull comprou do Markranstädt uma vaga na quinta divisão.

A empresa de energéticos conseguiu driblar as regulamentações da DFB (Federação Alemã de Futebol) e é quem na prática controla o clube. Só teve de abrir mão de usar sua marca no nome do clube.

O RB que precede o Leipzig não significa Red Bull, como a maioria das pessoas pensa, pois essa publicidade é ilegal por lá. As duas letras são as iniciais de RasenBallsport (Esporte com a Bola sobre o Gramado, em tradução livre para o português).

O “jeitinho alemão”, expresso pelo nome, mas também pelo aval dado pela DFB à existência do RB Leipzig, incomoda demais os rivais, que o acusam de concorrência desleal por receber um aporte financeiro que seria, em tese, proibido pela lei.

Consideravelmente mais rico que seus adversários das divisões inferiores da Alemanha graças ao dinheiro da Red Bull, o clube foi subindo como um foguete. Foram quatro promoções em sete anos até a estreia na Bundesliga –empate com o Hoffenheim, dez dias atrás.

Mesmo na elite, o poderio financeiro da empresa de energéticos ainda se destaca.

Apesar de novato na primeira divisão, o Leipzig foi o quarto clube que mais gastou em reforços para esta temporada na Alemanha. Com 50 milhões de euros (R$ 182 milhões) investidos em contratações, só ficou atrás dos tradicionais Borussia Dortmund, Bayern de Munique e Wolfsburg.

É por isso que a torcida do Hoffenheim fez questão de levar ao estádio faixas com dizeres como “o dinheiro manda em tudo” e “ninguém quer vocês aqui” ou que fãs do Borussia Dortmund planejam boicotar a partida contra a equipe da Red Bull neste sábado.

Definitivamente, o RB Leipzig é o time mais odiado da Alemanha. E um dos mais detestados do mundo.


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