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Janela já movimentou R$ 4,5 bi em transferências; Bundesliga lidera gastos
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Rafael Reis

A menos de uma semana da abertura da janela de transferências para o futebol europeu, o Mercado da Bola já movimentou mais de 1,2 bilhão de euros (R$ 4,5 bilhões) em compras e vendas de jogadores para a temporada 2017/18.

Apesar de o período de concretização de transferências internacionais nas principais ligas do planeta começar oficialmente apenas no sábado, os grandes clubes da Europa já estão em pleno vapor à caça de reforços para as competições dos próximos meses.

Contrariando uma tendência das últimas temporadas, o campeonato “mais gastão” de 2017/18 não é a Premier League inglesa, mas sim a Bundesliga alemã.

Até a última segunda-feira, os 18 clubes da primeira divisão do atual campeão mundial de futebol haviam gasto juntos 298 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) na chegada de novos jogadores, pouco mais que os 288,9 milhões de euros (R$ 1 bilhão) desembolsados pelos 20 times que disputam o Campeonato Inglês.

Mas, curiosamente, só dois dos dez negócios mais caros da janela haviam sido protagonizados por equipes alemãs, as compras dos franceses Corentin Tolisso e Kingsley Coman pelo Bayern de Munique.

Já os ingleses eram responsáveis por seis das dez contratações mais caras para a próxima temporada, inclusive a ida do meia-atacante português Bernardo Silva para o Manchester City, a líder do ranking dos grandes negócios de 2017/18.

Das dez ligas mais gastonas da temporada, nove são de países localizados na Europa. A exceção é o Campeonato Mexicano, que aparece na sétima colocação na lista, com investimento de 35,9 milhões de euros (R$ 134 milhões) em transferências.

O top 10 também conta com uma segunda divisão, a da Inglaterra, que já gastou 33,4 milhões de euros (R$ 124,8 milhões) em reforços e aparece no oitavo lugar entre todas as ligas nacionais do planeta.

O “Blog do Rafael Reis” publicada semanalmente, sempre às terças-feiras, um balanço da janela de transferências da temporada 2017/18, com as principais negociações e valores desembolsados em compras e vendas de jogadores.

Saiba agora tudo que está rolando no Mercado da Bola.

AS 10 LIGAS QUE MAIS GASTARAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Campeonato Alemão – 298,8 milhões de euros
2º – Campeonato Inglês – 288,9 milhões
3º – Campeonato Italiano – 263,9 milhões
4º – Campeonato Francês – 101,8 milhões
5º – Campeonato Espanhol – 76,1 milhões
6º – Campeonato Belga – 44,8 milhões
7º – Campeonato Mexicano – 35,9 milhões
8º – Campeonato Inglês (2ª divisão) – 33,4 milhões
9º – Campeonato Português – 27,8 milhões
10º – Campeonato Turco – 14,8 milhões
TOTAL:
1,2 bilhão de euros (R$ 4,5 bilhões)

AS 10 CONTRATAÇÕES MAIS CARAS DA TEMPORADA 2017/18
1º – Bernardo Silva (POR/Manchester City) – 50 milhões de euros
2º – Mohamed Salah (EGI, Liverpool) – 42 milhões de euros
3º – Corentin Tolisso (FRA/Bayern de Munique) – 41,5 milhões
4º – Ederson (BRA/Manchester City) – 40 milhões
5º – André Silva (POR/Milan) – 38 milhões
6º – Victor Lindelöf (SUE/Manchester United) – 35 milhões
7º – Jordan Pickford (ING/Everton) – 28,5 milhões
8º – Davy Klaasen (ING/Everton) – 27 milhões
9º – Youri Tielemans (FRA/Monaco) – 25 milhões
10º – Kingsley Coman (FRA/Bayern de Munique) – 21 milhões

OS 10 BRASILEIROS MAIS CAROS DA TEMPORADA 2017/18
1º – Ederson (Manchester City) – 40 milhões de euros
2º – Bruno Peres (Roma) – 12,5 milhões
3º – Luiz Araújo (Lille) – 10,5 milhões
4º – Vitor Hugo (Fiorentina) – 8 milhões
Juan Jesus (Roma) – 8 milhões
6º – Lyanco (Torino) – 6 milhões
7º – Marlon (Barcelona) – 5 milhões
William (Wolfsburg) – 5 milhões
9º – Marçal (Lyon) – 4,5 milhões
Guilherme (La Coruña) – 4,5 milhões

OS 10 CLUBES QUE MAIS CONTRATARAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Bayern de Munique (ALE) – 90,5 milhões de euros
2º – Manchester City (ING) – 90 milhões
3º – Milan (ITA) – 82 milhões
4º – Everton (ING) – 55,5 milhões
5º – Juventus (ITA) – 47,5 milhões
6º – Borussia Dortmund (ALE) – 44 milhões
7º – Liverpool (ING) – 42 milhões
8º – Monaco (FRA) – 36 milhões
9º – Roma (ITA) – 35,5 milhões
10º – Manchester United (ING) – 35 milhões

OS 10 CLUBES QUE MAIS VENDERAM NA TEMPORADA 2017/18
1º – Benfica (POR) – 81,8 milhões de euros
2º – Monaco (FRA) – 62,5 milhões
3º – Porto (POR) – 45 milhões
4º – Lyon (FRA) – 43 milhões
5º – Roma (ITA) – 42 milhões
6º – Juventus (ITA) – 38,5 milhões
7º – Torino (ITA) – 36,6 milhões
8º – Anderlecht (BEL) – 27,2 milhões
9º – Freiburg (ALE) – 26,5 milhões
10º – Wolfsburg (ALE) – 25 milhões

Fonte: Transfermarkt


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Para cada gol, futebol brasileiro leva 2 cartões amarelos na Europa
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Rafael Reis

Para cada gol marcado, os jogadores brasileiros que atuam no primeiro escalão do futebol da Europa recebem em média dois cartões amarelos.

É essa uma das conclusões da análise da participação do futebol pentacampeão mundial nas cinco principais ligas nacionais do Velho Continente na temporada 2016/17.

Até o início da rodada deste fim de semana, os atletas brasileiros acumulavam 137.741 minutos (ou 5.739 horas e 5 minutos), 163 gols, 330 cartões amarelos e 15 expulsões na primeira divisão de Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Isso significa um gol a cada 845 minutos, uma advertência a cada 417 minutos e um vermelho a cada 9.182 minutos de futebol brasileiro nos gramados europeus.

No total, 114 brasileiros já foram utilizados em partidas das cinco maiores ligas nacionais da Europa nesta temporada. Desses, 97 (85%) receberam pelo menos um cartão e 52 (45%) balançaram as redes.

De todos eles, quem mais permaneceu em campo foi o lateral esquerdo Lucas Lima, do Nantes. O ex-jogador do Botafogo e do Internacional participou integralmente de todas as 32 rodadas já disputadas do Francês. Ou seja, foi titular em todos os jogos e não foi substituído uma única vez.

Já o recordista brasileiro de cartões na elite europeia é um atacante. Deyverson, que chamou a atenção um mês atrás por comemorar um gol abaixando parte do calção, já recebeu 13 amarelos pelo Alavés no Espanhol.

O volante Fernandinho, do Manchester City, é o único brasileiro que foi expulso mais de uma vez nos campeonatos analisados. O jogador da seleção recebeu dois cartões vermelhos no Inglês e, por causa disso, precisou cumprir sete jogos de suspensão.

Quanto à artilharia, há um empate na primeira colocação. Roberto Firmino, do Liverpool, e Willian José, da Real Sociedad, marcaram dez gols cada nos campeonatos Inglês e Espanhol, respectivamente.

Neymar, o maior astro do futebol brasileiro nos últimos anos, fez nove gols pelo Barcelona na liga espanhola e aparece logo na sequência.

Entre os cinco campeonatos, o com maior presença brasileira até o momento é o Espanhol (35.382 minutos, contra 35.379 minutos do Italiano). Também é o país campeão mundial de 2010 que viu o maior número de gols (57) e de cartões (104) dos atletas aptos a defender a seleção líder do ranking da Fifa.


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Ele é alemão, vale R$ 100 mi e tem jogador do Fla como ídolo de infância
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Rafael Reis

Julian Brandt tem 20 anos, joga profissionalmente no Bayer Leverkusen desde fevereiro de 2014, está prestes a completar 100 partidas na Bundesliga, fez parte da equipe medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, defende há um ano a seleção principal da Alemanha e vale 30 milhões de euros (R$ 100 milhões).

É esse o valor que, de acordo com a imprensa alemã, o Bayern de Munique pagará ao Leverkusen na próxima janela de transferências para contar com o jovem meia-atacante a partir da temporada 2017/18.

Isso se Liverpool, Borussia Dortmund ou qualquer outro dos vários clubes que já manifestaram interesse em contratá-lo não intervirem.

Em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, Brandy fala sobre o desafio de não se deixar levar pela fama, relembra a derrota para o Brasil na final dos Jogos Olímpicos e revela que seu ídolo de infância é um brasileiro, o meia Diego, atualmente no Flamengo.

Confira a íntegra da entrevista com Julian Brandt:

Julian, você é uma das grandes promessas do futebol europeu. O quão difícil é, para um garoto de 20 anos, manter a cabeça no lugar sabendo que alguns dos mais importantes clubes do mundo desejam contratá-lo?
Não é tão complicado assim. Meu pai toma conta de todas as questões de mercado para mim. E, como confio 100% nele, posso me concentrar nas partidas, no meu time e no meu desempenho dentro de campo. Meu contrato com o Leverkusen vai até 2019 e temos um acordo: no final da temporada, vamos sentar para conversar com a diretoria sobre o que passou neste ano e os planos para o futuro.

Qual é o lado bom e o lado ruim de ser famoso tão jovem?
Sou um privilegiado. Não apenas por ter assinado um belo contrato ou porque as pessoas me reconhecem e pedem um autógrafo ou uma foto quando estou sentado em um café. Sou um privilegiado porque posso jogar futebol quase todo dia. Trabalho com aquilo que realmente gosto. O futebol é um grande jogo.

Você veio ao Brasil no último verão. Do que mais gostou por aqui?
Da hospitalidade do povo brasileiro. E, claro, do clima agradável. Um dia de sol na praia é algo que realmente toca seu coração. Ah, não posso esquecer: quase todo mundo no Brasil parece ser louco por futebol e entende muito do esporte.

Bem, vamos falar sobre os Jogos Olímpicos. Aqui no Brasil, a final olímpica do futebol foi considerada por muitos como uma espécie de “revanche do 7 a 1”. Você sentiu esse clima no Maracanã?
Senti isso em todo canto. A derrota na Copa do Mundo de 2014 é algo que ainda dói no coração do brasileiro. Foi uma tragédia nacional. Mas não acho que a medalha olímpica de ouro e a vitória sobre nós mudou isso. Era um competição diferente, com times diferentes, exceto Neymar [o brasileiro não participou do 7 a 1 devido a uma contusão]. Então, eu não chamaria de revanche.

Ainda sobre Olimpíada, você achou uma certa apelação do Brasil usar um jogador já estabelecido internacionalmente, como Neymar, em uma competição destinada a jovens?
Toda seleção teve o direito de convocar três jogadores acima de 23 anos. Meu companheiro de time Lars Bender, por exemplo, tem 27 anos e também é um jogador estabelecido. Fiquei muito feliz por ter participado dos Jogos do Rio.

Quem é o seu maior ídolo no futebol? Por quê?
Hoje em dia, não tenho mais nenhum ídolo. Mas, quando eu era mais jovens e ia assistir às partidas da Bundesliga na minha cidade natal, Bremen, costumava admirar o Diego (no Werder). Ele era alguém especial, muito habilidoso, com uma técnica quase perfeita e jogava de forma muito elegante. Fico realmente feliz por ele ter voltado a jogar pela seleção.

Agora, para terminar, qual é a melhor escola de futebol do planeta: a alemã ou a brasileira?
É complicado para mim comparar essas duas filosofias. Elas são completamente diferentes. A alemã é baseada em uma grande força mental e tem a determinação e a disciplina como pontos muito importantes. Além disso, melhoramos muito nossa educação futebolística nos últimos 15 anos. Já o futebol brasileiro é bem diferente. Nele, a técnica é essencial. Todo movimento que eles fazem parece fácil e eles são cheios de truques. Para nós, alemães, futebol é uma paixão. Só que para os brasileiros, o futebol faz parte da vida, da identidade nacional. Mas há algo que liga essas duas filosofias: ambas são muito vencedoras.


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Fim das retrancas: Europa vê maior “chuva de gols” dos últimos 39 anos
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Rafael Reis

O Campeonato Espanhol não vê um 0 a 0 há mais de um mês. No Inglês, só três dos 20 clubes participantes têm média inferior a um gol por partida. E, no Italiano, três jogadores já romperam a casa dos 20 gols só nesta edição.

Esses não são fatos isolados. O primeiro escalão do futebol europeu (e, consequentemente, mundial) foi tomado por uma verdadeira de chuva de gols nesta temporada.

Somando os cinco principais campeonatos nacionais do Velho Continente (Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês), temos até agora em 2016/17 um total de 1.678 partidas e 4.593 gols. A média de 2,78 gols por partida é a mais alta dos últimos 39 anos.

Para encontrar uma temporada com fartura de bolas na rede superior à atual é preciso voltar a 1977/78, quando a grande maioria dos jogadores profissionais de hoje ainda nem tinham nascido.

Na ocasião, as cinco grandes ligas europeias registraram uma média de 2,79 gols por jogo, só um pouquinho acima da vista nesta temporada.

Nos últimos 39 anos, a média de gols da elite da bola variou entre 2,38 gols por partida, em 1991/92, ainda na ressaca da seca da Copa do Mundo-1990, e 2,76, marca registrada três temporadas atrás.

Em 2016/17, todas as cinco grandes ligas nacionais da Europa ostentam médias superiores a 2,5 gols por jogo. A Espanha é a que possui a média mais alta: 2,91, a mais elevada no país em 54 anos.

Inglaterra e Itália também apresentam marcas histórias em relação ao número de bolas na rede. No caso da primeira divisão inglesa, a média atual (2,84) é a mais alta desde 1968. Já os italianos têm nesta temporada o melhor resultado ofensivo (2,79) desde 1993.

O maior goleador das principais ligas da Europa vem da França. O uruguaio Edinson Cavani, do Paris Saint-Germain, já marcou 27 vezes, quatro a mais que o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o segundo colocado na lista.

Curiosamente, o ataque mais produtivo também vem da Ligue 1, tradicionalmente um dos campeonatos nacionais de futebol menos vistoso e ofensivo do continente.

O Monaco, que eliminou o Manchester City da Liga dos Campeões e desponta como a grande sensação da temporada, marcou 84 vezes nas primeiras 29 rodadas do Francês. Uma média que beira o inacreditável: 2,89 gols por partida.

As oitavas de final da Champions, aliás, mostraram bem essa nova cara do futebol europeu.

Tivemos dois placares de 5 a 1, um 5 a 3, outro 6 a 1 e mais um 4 a 2. No total, foram registrados 62 gols em apenas 16 partidas. Isso dá uma média de 3,87 gols por jogo.

E, vale lembrar, esses jogos reuniram aqueles que são em tese os 16 clubes mais fortes da Europa na atualidade, o que derruba o argumento de que a chuva de gols desta temporada seja apenas um reflexo da diferença técnica entre as equipes mais poderosas e as mais fracas.

Resumindo: o futebol europeu pegou gosto pelo gol. E quem ganha com isso são todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado. Ou seja, eu… e imagino que vocês também.


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Como intercâmbio da “família Red Bull” ajuda a explicar sensação Leipzig
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Rafael Reis

Líder da Bundesliga em seu ano de estreia na primeira divisão, invencibilidade de 13 jogos na temporada, sequência de sete vitórias consecutivas. Esse é o RB Leipzig. Mas, se quiser, pode chamá-lo de “seleção Red Bull”.

A equipe que está desbancando o Bayern de Munique do topo na Alemanha recebeu uma forcinha considerável dos outros times do grupo para se tornar a principal sensação do futebol europeu nesta temporada.

Red Bull

Dos 11 titulares usados pelo técnico Ralph Hasenhüttl na goleada por 4 a 1 sobre o Freiburg, fora de casa, na sexta-feira, cinco foram importados do Red Bull Salzburg.

Além deles, o lateral direito brasileiro Bernardo também veio dos clubes irmãos do Leipzig. Cria das categorias de base do Red Bull Brasil, ele passou sete meses na Áustria antes de ir para a Alemanha.

Essa possibilidade de intercâmbio é uma das vantagens que o líder da Bundesliga tem sobre os outros 17 times que disputam a competição.

Como a empresa de energéticos possui quatro clubes ao redor do mundo (além dos três já citados, há o New York Red Bulls, nos EUA), ela pode distribuir seus jogadores da forma que for mais estratégica para ela.

As transferências entre clubes da “família Red Bull” não são, pelo menos em tese, gratuitas. Mas, como todas eles possuem o mesmo acionista majoritário, a maior parte do dinheiro sai e volta para o mesmo bolso.

Por isso, assim que o Leipzig subiu para a primeira divisão alemã, a Red Bull tratou de abastecê-lo com alguns dos destaques do Salzburg, equipe que conquistou os últimos três títulos austríacos.

Foi nessa leva que chegaram, por exemplo, o meia Naby Keita, Bernado e o lateral direito Benno Schmitz.

A estratégia da Red Bull para transformar o Leipzig em uma força na Alemanha não é inédita no futebol e já foi utilizada por outros grupos que possuem mais de um clube.

O empresário italiano Giampaolo Pozzo chegou a ter seus times disputando das três das mais importantes primeiras divisões do planeta (Itália, Espanha e Inglaterra) e promovia trocas constantes de jogadores entre Udinese, Granada e Watford.

O Manchester City é outro que já se aproveitou desse expediente.

Em 2014, pegou Frank Lampard emprestado de sua filiar norte-americana, o New York City. Já na atual temporada, buscou o meia Aaron Mooy no time australiano do grupo, o Melbourne City, para inserí-lo no mercado inglês –está emprestado ao Huddersfield Town.


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Rafael Reis

Quem vê o RB Leipzig, em sua primeira temporada na elite do futebol alemão, deixando para trás Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen e Wolfsburg e dividindo a liderança da competição com o Bayern de Munique, fatalmente leva um susto.

Mas basta se atentar àquelas duas letrinhas que vêm antes do nome do clube para que tudo passe a fazer sentido.

Leipzig

Apesar de o RB oficialmente significar RasenBallsport (algo como “Esporte com a Bola sobre o Gramado”), ele é a senha que mostra que o Leipzig faz parte de um dos projetos mais vitoriosos e arrojados do esporte mundial.

O Leipzig faz parte da família Red Bull, que inclui ainda duas escuderias de F-1 (Red Bull e Toro Rosso), duas equipes de hóquei sobre o gelo (Red Bull Munique e Red Bull Salzburg), outros três times de futebol (New York Red Bulls, Red Bull Salzburg e Red Bull Brasil0 e incontáveis patrocínios a astros de primeira grandeza.

Ao longo de 11 anos, o projeto de investimento no futebol da empresa de energéticos mais famosa do mundo e que tem o esporte como principal plataforma de marketing acumula sete subidas de divisão e nada menos do que 17 títulos de competições oficiais.

Comprado em 2005 e primeira iniciativa da Red Bull na modalidade, o Salzburg é o clube mais vitorioso do grupo. Graças ao dinheiro de Dietrich Mateschitz, o time se tornou a maior força do futebol austríaco na atualidade e conquistou seis dos últimos oito campeonatos nacionais.

Além disso, já alcançou as oitavas de final da Liga Europa, em 2014, e bateu na trave três vezes para entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Se o Salzburg dá resultados esportivos, o New York Red Bulls é ótimo para alavancar o nome da companhia no principal mercado do mundo e aliar a marca a astros do futebol.

A franquia da MLS (Major League Soccer), a principal liga de futebol dos Estados Unidos, foi adquirida em 2006 e já teve Thierry Henry, Rafael Márquez, Tim Cahill, Juan Pablo Ángel e Shaun Wright-Phillips.

O time já teve por duas vezes a melhor campanha da temporada regular da MLS e foi vice-campeão da liga em 2008.

Já o projeto brasileiro da Red Bull, fundado em 2007, ainda engatinha se comparado aos do exterior. A equipe foi galgando escalão por escalão no Campeonato Paulista e estreou na primeira divisão no ano passado. Também em 2015, disputou pela primeira vez a Série D do Campeonato Brasileiro. Já neste ano, debutou na Copa do Brasil.

O ponto forte do RB Brasil, como é chamado pela Rede Globo para não divulgar a marca Red Bull, são as categorias de base. Foi de lá que saiu, por exemplo, o lateral direito Bernardo, 21, hoje titular do Leipzig.

Com sete vitórias (inclusive sobre Borussia Dortmund e Wolfsburg), três empates e os mesmos 24 pontos do Bayern em seus dez primeiros jogos na Bundesliga, o Leipzig é um fenômeno na Alemanha.

Fundado em 2009, quando a Red Bull comprou uma vaga na quinta divisão, conquistou quatro promoções em sete anos, amparado por um dinheiro muito maior do que seus rivais. Até por isso, ganhou o título de “time mais odiado da Alemanha”.

Mas dinheiro não compra tudo. E a empresa de energéticos sentiu isso durante sua tentativa de entrar no futebol africano. O Red Bull Gana durou seis anos e foi abandonado pela companhia em 2014, na segunda divisão local.


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Cabeça de touro e boicote: caçula da Alemanha é alvo de ódio de adversários
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Rafael Reis

Na primeira rodada, a cabeça de um touro foi lançada no estádio por torcedores do Dynamo Dresden. No jogo de abertura do Campeonato Alemão, a manifestação dos fãs do Hoffenheim foi mais usual: faixas ofendendo o adversário e reclamando que o “dinheiro compra tudo”.

Os dois protestos tinham o mesmo alvo: o RB Leipzig, o clube mais odiado da Alemanha e um dos mais detestados do futebol mundial.

Estreante na Bundesliga, a primeira divisão alemã, o time é um dos cinco clubes de futebol espalhados pelo mundo que pertencem à Red Bull. E é isso que tanto incomoda aos adversários.

Red Bull

Pelo regulamento do futebol germânico, todos os clubes precisam ser associações esportivas (com sócios, como no Brasil). Empresas ou magnatas até podem ser acionistas das agremiações, mas são proibidas de terem o controle sobre elas.

Casos como os de Wolfsburg, que pertence à Volkswagen, e Bayer Leverkusen, de propriedade da Bayer, são excepcionais por serem anteriores a essa regulamentação.

Mas, o do Leipzig não. O time foi fundado em 2009, quando a Red Bull comprou do Markranstädt uma vaga na quinta divisão.

A empresa de energéticos conseguiu driblar as regulamentações da DFB (Federação Alemã de Futebol) e é quem na prática controla o clube. Só teve de abrir mão de usar sua marca no nome do clube.

O RB que precede o Leipzig não significa Red Bull, como a maioria das pessoas pensa, pois essa publicidade é ilegal por lá. As duas letras são as iniciais de RasenBallsport (Esporte com a Bola sobre o Gramado, em tradução livre para o português).

O “jeitinho alemão”, expresso pelo nome, mas também pelo aval dado pela DFB à existência do RB Leipzig, incomoda demais os rivais, que o acusam de concorrência desleal por receber um aporte financeiro que seria, em tese, proibido pela lei.

Consideravelmente mais rico que seus adversários das divisões inferiores da Alemanha graças ao dinheiro da Red Bull, o clube foi subindo como um foguete. Foram quatro promoções em sete anos até a estreia na Bundesliga –empate com o Hoffenheim, dez dias atrás.

Mesmo na elite, o poderio financeiro da empresa de energéticos ainda se destaca.

Apesar de novato na primeira divisão, o Leipzig foi o quarto clube que mais gastou em reforços para esta temporada na Alemanha. Com 50 milhões de euros (R$ 182 milhões) investidos em contratações, só ficou atrás dos tradicionais Borussia Dortmund, Bayern de Munique e Wolfsburg.

É por isso que a torcida do Hoffenheim fez questão de levar ao estádio faixas com dizeres como “o dinheiro manda em tudo” e “ninguém quer vocês aqui” ou que fãs do Borussia Dortmund planejam boicotar a partida contra a equipe da Red Bull neste sábado.

Definitivamente, o RB Leipzig é o time mais odiado da Alemanha. E um dos mais detestados do mundo.


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Guia do Campeonato Alemão: reforços, estrelas, favoritos e brasileiros
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Rafael Reis

Nome oficial: Bundesliga
Período de disputa: 26/08/2016 a 20/05/2017
Rodadas: 38
Atual campeão: Bayern de Munique (26 títulos)
Maior campeão: Bayern de Munique (26 títulos)
Promovidos:  Freiburg e RB Leipzig
Rebaixados: Hannover e Stuttgart
NA TV: ESPN e Fox Sports dividem a transmissão do campeonato

O FAVORITO
Bayern de Munique
Bayern
A temporada de estreia de Carlo Ancelotti no Bayern deve representar uma mudança radical no futebol dos bávaros: saem as invenções táticas e as improvisações de Pep Guardiola, entra o pragmatismo vencedor do treinador italiano. Nada que ameace a hegemonia que o clube construiu na Alemanha, ainda que o Borussia Dortmund já tenha torrado mais de 100 milhões de euros em reforços para mudar essa história.

A ZEBRA
Wolfsburg

Wolsfburg
Último campeão alemão fora da dupla Bayern de Munique-Borussia Dortmund, a equipe da Volkswagen investiu pesado para tentar se recuperar do fracasso da última temporada, quando não obteve classificação para nenhum torneio continental. A boa base liderada pelo meia Draxler e pelo lateral esquerdo Ricardo Rodríguez ganhou os reforços de Kuba, ex-Borussia Dortmund e destaque da Polônia na Eurocopa, e do grandalhão fazedor de gols Mario Gómez.

O CRAQUE
Robert Lewandowski
Lewandowski
É difícil definir quem é o principal jogador do Bayern de Munique e, consequentemente, da Bundesliga. Mas Lewandowski é certamente o mais decisivo deles. O polonês terminou as últimas cinco temporadas entre os três primeiros na artilharia da competição e promete mais. Desde o fim das férias, disputou duas partidas oficiais. E já balançou as redes três vezes.

A CARA NOVA
Ousmane Dembélé
Ousmane Dembele
Um daqueles diamantes em estado bruto que praticamente todos os grandes clubes do mundo queriam contratar, inclusive o Barcelona, o meia-atacante francês foi tirado do Rennes pelo Borussia Dotmund para ser o futuro da equipe. Mas, aos 19 anos, Dembélé já pode dar frutos imediatos. Sua última temporada na França mostra isso. Apesar de estar estreando como profissional, marcou 12 gols e deu cinco assistências.

QUEM MAIS GASTOU EM REFORÇOS

1º – Borussia Dortmund – 109,75 milhões de euros
2º – Bayern de Munique – 70 milhões de euros
3º – Wolfsburg – 49 milhões de euros
4º – Bayer Leverkusen – 43,6 milhões de euros
5º – Borussia Mönchengladbach – 29,5 milhões de euros

1º – Mats Hummels (Z, ALE, Bayern) – 35 milhões de euros
Renato Sanches (M, POR, Bayern)
3º – André Schürrle (MA, ALE, Borussia Dortmund) – 30 milhões de euros
4º – Breel Embolo (A, SUI, Schalke 04) – 22,5 milhões de euros
5º – Mario Götze (A, ALE, Borussia Dortmund) – 22 milhões de euros
6º – Kevin Volland (A, ALE, Bayer Leverkusen) – 20 milhões de euros
7º – Aleksandar Dragovic (Z, AUT, Bayern Leverkusen) – 18 milhões de euros
8º – Christoph Kramer (M, ALE, Borussia M’Gladbach) – 15 milhões de euros
Ousmane Dembélé (MA, FRA, Borussia Dortmund)
Naby Keita (M, GUI, RB Leipzig)

SELEÇÃO DOS MAIS VALIOSOS DO CAMPEONATO*

G – Manuel Neuer (ALE, Bayern) – 45 milhões de euros
LD – Philipp Lahm (ALE, Bayern) – 13 milhões de euros
Z – Jérôme Boateng (ALE, Bayern) – 45 milhões de euros
Z – Mats Hummels (ALE, Bayern) – 38 milhões de euros
LE – David Alaba (AUT, Bayern) – 45 milhões de euros
M – Arturo Vidal (CHI, Bayern) – 40 milhões de euros
M – Renato Sanches (POR, Bayern) – 30 milhões de euros
MOC – Julian Draxler (ALE, Wolfsburg) – 28 milhões de euros
AD – Thomas Müller (ALE, Bayern) – 75 milhões de euros
AC – Robert Lewandowski (POL, Bayern) – 75 milhões de euros
AE – Marco Reus (ALE, Borussia Dortmund) – 40 milhões de euros

*valores de mercado de acordo com o site Transfermarkt

ESTRANGEIROS

269 jogadores (50,8% do total)

24 suíços
17 austríacos
15 brasileiros
14 espanhóis
12 franceses

BRASILEIROS

São 15, além de dois naturalizados que possuem dupla cidadania: Thiago (Bayern) e Leonardo Bittencourt (Colônia)

Bayern: Douglas Costa e Rafinha
Wolfsburg: Werder Bremen e Bruno Henrique
Bayer Leverkusen: Wendell e André Ramalho
Borussia Mönchengladbach: Raffael
Schalke 04: Júnior Caiçara e Naldo
Augsburg: Caiuby
Hamburgo: Cléber
Ingolstadt: Roger
Eintrachr Frankfurt: Anderson Bamba
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De olho em estágio, autor de gol na Copa-10 encarou 3ª divisão da Alemanha
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Rafael Reis

Foi pensando no futuro que o atacante Cacau, que disputou e até fez gol na Copa-2010, topou passar os últimos três meses jogando na terceira divisão do Campeonato Alemão.

Aos 35 anos, o paulista que ganhou cidadania alemã e disputou 23 jogos pela seleção tetracampeã mundial aceitou o convite para defender o time B do Stuttgart a fim de fazer contatos e adquirir experiência já visando uma carreira pós-aposentadoria.

Cacau

“Foi um período de muito aprendizado. Minha vontade é trabalhar dentro do clube, na parte administrativa, ou no campo com a garotada. O que passei aqui vai me dar vantagem lá na frente”, afirmou o atacante.

Contratado em fevereiro, depois de jogar por um ano no Cerezo Ozaka, do Japão, e ficar seis meses parados, Cacau tinha as tarefas de ajudar a equipe a evitar um rebaixamento para as ligas regionais da Alemanha e orientar a molecada sub-23 que formava o time B do Stuttgart.

Na primeira missão, fracassou. Sua equipe não só foi rebaixada, como terminou a terceira divisão na lanterna da competição.

Mas a segunda, pelo menos na sua avaliação, deu certo e vai lhe render frutos.

“Foi também uma maneira de ajudar o time, que está passando por uma fase difícil. Criei uma relação ótima, de muito respeito, com a garotada e aprendi demais”, disse.

O atacante, que começou no Nacional (SP) e chegou à Alemanha em 2000, viveu a melhor fase da sua carreira justamente no Stuttgart. Foram 11 anos no clube, com direito à conquista do título alemão de 2007 e convocações para a seleção.

Vestindo o uniforme alvinegro, Cacau chegou a marcar na goleada por 4 a 0 sobre a Austrália, na estreia na Copa-2010, competição em que terminaria na terceira colocação.

Após o “estágio” na equipe B do Stuttgart, o atacante ainda não decidiu qual será o próximo passo de sua carreira. Originalmente, sua vontade é voltar ao futebol de elite e jogar mais pouquinho antes de pendurar as chuteiras, mas…

“Ainda estou nesse sofrimento que é a horar de parar. Fisicamente, tenho forças para jogar mais uns dois ou três anos. O que vai definir agora são as oportunidades que aparecerem, se vai surgir algum convite bom para continuar jogando ou mesmo para trabalhar aqui no clube”, completa.


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Contra o 0 a 0, tem gente querendo mudar a pontuação do futebol
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Rafael Reis

Sempre que digo para meu pai que uma partida terminou empatada por 0 a 0, ouço como resposta a mesma frase engraçadinha: “então eles não precisavam ter jogado, era melhor terem ficado em casa”.

Tem gente do meio do futebol que parece concordar com ele.

Dono de três títulos do Campeonato Alemão, o técnico Felix Magath (ex-Bayern, Schalke 04 e Wolfsburg) iniciou nesta semana uma cruzada contra as partidas que terminam sem gols.

Em sua coluna no jornal alemão “Express”, o treinador apresentou e defendeu uma proposta para que empates por 0 a 0 deixem de distribuir pontos para as equipes envolvidas.

“Há algumas formas de deixar as partidas menos enfadonhas. Seria revigorante para o futebol se um 0 a 0 não desse mais pontos.”

Magath

“Outros empates continuariam como hoje, dando um ponto, porque os times teriam de se preocupar em marcar gols e não apenas usar fortes táticas defensivas”, escreveu.

O curioso é que a proposta de luta contra 0 a 0 venha de um país que não sofre com escassez de gols.

Entre as principais ligas nacionais europeias, a da Alemanha é a que possui a maior média de gols: 2,77 por partida. França, Itália, Espanha e Inglaterra possuem médias entre 2,42 e 2,67 na atual temporada.

Apenas 16 dos 189 jogos (8,5% do total) disputados na atual edição da Bundesliga terminaram sem um mísero golzinho.

A última alteração na pontuação do futebol aconteceu há duas décadas.

Depois do fiasco técnico da Copa do Mundo de 1990, a Fifa decidiu em suas competições ampliar de dois para três pontos a premiação do time vitorioso de uma partida. O empate continuou dando um ponto para cada equipe.

Esse sistema de pontuação, que já existia desde os anos 1980 na Inglaterra, entrou nas regras do jogo em 1995, depois de ter sido testado no Mundial dos EUA, e segue em vigor até hoje.

Agora, tem gente querendo mudar novamente a pontuação do futebol.