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Mais caro da temporada, belga já foi estrela de “Big Brother” adolescente
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Rafael Reis

Não é de hoje que o reforço mais caro da atual janela de transferências do futebol europeu convive com câmeras apontadas para ele.

Contratado do Everton pelo Manchester United em um negócio que movimentou pelo menos 84,7 milhões de euros (R$ 309 milhões), Romelu Lukaku descobriu o que é a fama ainda na adolescência.

Em 2010, quando tinha apenas 17 anos e estava em sua segunda temporada como profissional do Anderlecht, o centroavante protagonizou um reality show na TV belga.

Exibido em dez episódios, “De School van Lukaku” (A Escola de Lukaku, em tradução livre para o português) mostrava o cotidiano dos alunos do último ano do ensino médio de um colégio de Bruxelas, capital da Bélgica.

Apesar de estrelado por um futuro astro do esporte mundial, o programa não tinha o futebol como tema.

De acordo com sua sinopse, o reality era focado nos anseios, temores e expectativas de adolescentes prestes a ingressar na vida adulta. Durante o show, Lukaku e os colegas de sala expuseram suas opiniões sobre temas como amizade, mercado de trabalho, sexo, religião, segurança e futuro.

Além da nova esperança de gols do United, outros garotos das categorias de base do Anderlecht que estudavam na escola participaram do programa. Nenhum deles, porém, conseguiu ter destaque como profissional.

Lukaku permaneceu no clube que o revelou até 2011, quando teve a primeira grande chance de sua carreira ao se transferir para o Chelsea. Muito jovem, o belga praticamente não jogou, foi emprestado ao West Bromwich e acabou negociado com o Everton.

No clube de Liverpool, o centroavante deslanchou. Foram 68 gols em 141 partidas, a artilharia da Liga Europa de 2015 e o segundo lugar na lista dos goleadores da última edição do Campeonato Inglês.

O bom futebol no Everton chamou a atenção de United e Chelsea, que passaram a disputar sua contratação. A equipe de Manchester levou a melhor na disputa ao desembolsar o segundo maior valor já pago por um jogador em sua história –só fica atrás de Paul Pogba, contratado na temporada passada por 105 milhões de euros (R$ 383 milhões).

Na seleção, Lukaku já é um veterano. Ele estreou pela Bélgica em março de 2010, antes mesmo do reality show sobre sua turma de escola ir ao ar. O centroavante esteve na Copa do Mundo-2014 e já marcou 23 gols em 59 partidas vestindo a camisa vermelha.

Desde 2015, o atacante costuma ter como companheiro de seleção um outro integrante da família, seu irmão Jordan, um ano e dois meses mais novo, que é lateral esquerdo da Lazio.


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Com aval de técnico, brasileiro aguarda passaporte para defender a Bélgica
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Rafael Reis

A partir de novembro, é possível que a Bélgica, vice-líder do ranking da Fifa e seleção europeia melhor posicionada na lista classificatória da entidade, passe a ter um pouco de sangue brasileiro em seu elenco.

O penúltimo mês do ano é o previsto para o meia-atacante Fernando Canesin, 24, receber o passaporte belga e passar a ter condições legais de atuar ao lado de Hazard, Romelu Lukaku e De Bruyne.

O jogador, que atua no Oostende, quinto colocado no último Campeonato Belga, marcou sete gols e deu 10 assistências na última temporada, o suficiente para encantar o técnico da seleção Marc Wilmots.

Fernando Canesin

“O meu treinador no Oostende [o ex-meia Yves Vanderhaeghe] é muito próximo dele e já me disse que ele está de olho em mim e sempre quer saber como está minha situação. Pedi a naturalização pensando em uma transferência futura, mas também para jogar pela seleção”, afirma.

Natural de Ribeirão Preto, Canesin pouco jogou no Brasil. O meia passou pelas categorias de base do Rio Branco de Americana, defendeu o Olé Brasil e foi negociado com o Anderlecht, da Bélgica, quando tinha apenas 17 anos.

“Aprendi muito na Bélgica. Não só a língua [francesa], que demorou seis ou sete meses. Mas principalmente na questão da disciplina e na parte tática. Foi bom para mim ter chegado tão novo porque ainda passei pela base e peguei um pouco do estilo de jogo deles.”

À espera da conclusão do seu processo de naturalização e de uma primeira chance na seleção, Canesin acompanha de perto os belgas na Eurocopa.

Antes do início da competição, ele ligou para o lateral esquerdo Jordan Lukaku, seu companheiro de time e amigo desde a adolescência, para desejar boa sorte.

E, mesmo com a derrota por 2 a 0 para a Itália, segunda-feira, na estreia belga na competição, Canesin diz que a seleção vermelha está confiante como nunca e sonha alto na França.

“Nunca teve tanto ibope para a seleção quanto agora. O treinador sempre fala para os jogadores que eles têm grande chance de conquistarem a Euro. Time para isso, eles têm”, completa o brasileiro.


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“Romário belga” foi até senador antes de liderar seleção nº 1 da Europa
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Rafael Reis

O comandante da seleção número 1 da Europa é uma espécie de Romário da Bélgica.

Ex-atacante com faro goleador, Marc Wilmots, 47, foi ídolo nacional durante os anos 1990, entrou para a política logo depois da aposentadoria e chegou até a ocupar uma cadeira no Senado.

Artilheiro da história belga em Copas do Mundo, com quatro participações e cinco gols, foi senador pelo Mouvement Réformateur, um partido liberal alinhado com a parte francesa do país, entre 2003, ano em que pendurou as chuteiras, e 2005.

Marc Wilmots

No período em que ocupou o cargo, recebeu muitas críticas por sua atuação e pelo fato de ter usado a fama adquirida dentro dos gramados para alavancar uma carreira política.

Ao contrário de Romário, que permanece até hoje na política, o senador Wilmots renunciou após dois anos de atuação.

Curiosamente, não foi fácil para o belga deixar o posto. Seu primeiro pedido foi recusado porque o partido não contava com o suplente.

O ex-jogador então devolveu todo o salário que havia recebido como senador e conseguiu efetivar sua saída da vida pública.

Apenas quatro anos depois de deixar o Senado, Wilmots deslanchou em uma nova carreira. Após passagens de resultados inexpressivos pelo banco de reservas do Schalke 04 e do Sint-Truiden, ele foi contratado em 2009 para ser auxiliar-técnico da Bélgica.

Trabalhando ao lado primeiramente de Dick Advocaat e depois de George Leekens, viu a promissora geração de Courtois, Hazard, De Bruyne e Lukaku chegarem à seleção e começarem a mudar a história do futebol belga.

Em 2012, assumiu a função de treinador, obteve a primeira classificação para Copa do Mundo do país em 12 anos e viu sua equipe virar mania.

No Mundial do Brasil, parou nas quartas de final, eliminada pela vice-campeã argentina. O auge do seu trabalho veio no fim do ano passado, quando a Bélgica ocupou pela primeira vez na história a liderança do ranking da Fifa.

A primeira posição da lista já não é mais belga, mas argentina. A seleção de Wilmots, no entanto, ainda ocupa o segundo lugar da classificação e entra na Eurocopa como o time do continente mais bem classificado.

Motivo de sobra para seu treinador não se arrepender de ter abandonado a carreira política. E acreditar que o inédito título europeu é possível.

Cabeça de chave do Grupo E, a Bélgica estreia na Euro-2016 contra a Itália, no dia 13. Suécia e Irlanda serão suas outras adversárias na primeira fase.


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Argentina ultrapassará Bélgica e será líder do próximo ranking da Fifa
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Rafael Reis

Sai Hazard, volta Messi. Cinco meses depois de a Bélgica se tornar a seleção número 1 do planeta, a próxima edição do ranking da Fifa terá uma nova líder.

A lista, que será divulgada, no dia 7 de abril, trará a Argentina, atual vice-líder, na primeira colocação, logo à frente da seleção europeia.

O time dirigido por Tata Martino assegurou seu retorno ao topo do ranking graças à vitória por 2 a 1 sobre o Chile, fora, na última quinta-feira, pelas eliminatórias sul-americanas da Copa-2018.

Mesmo que seja derrotada na terça pela Bolívia, também pelo qualificatório do Mundial da Rússia, a Argentina aparecerá na próxima edição da lista com pelo menos 1.468 pontos e não poderá ser alcançada por nenhuma outra equipe.

Messi

A Bélgica também ainda entra em campo nesta Data Fifa. Mas, de acordo com o simulador da Fifa, chegará a no máximo 1.426 pontos se vencer o amistoso contra Portugal, na terça, e cairá para o segundo lugar.

Já o terceiro lugar do próximo ranking ainda está indefinido. Alemanha, Chile, Colômbia e até mesmo o Brasil têm chances de aparecer no pódio.

A Argentina liderou o ranking da Fifa entre julho e outubro do ano passado. Em novembro, foi ultrapassada por Bélgica e Alemanha. Desde dezembro, aparece sempre na segunda colocação, atrás dos belgas.

A lista considera todos os resultados obtidos pelas seleções filiadas à entidade nos últimos quatro anos. No entanto, o peso dos jogos na classificação vai diminuindo com o passar do tempo.

A pontuação também depende do tipo de partida que uma equipe disputou. Amistosos valem menos que eliminatórias, que possui um peso inferior à Copa.

Por isso, é normal que seleções que estejam disputando apenas amistosos, como a França, sede da Euro-2016, ocupem colocações bem abaixo do seu real potencial –é, no momento, apenas a 24ª do mundo.


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Como e por que a Bélgica fechou 2015 como a melhor seleção do mundo
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Rafael Reis

Com história pouco expressiva do futebol, a Bélgica assumiu a liderança do ranking da Fifa em novembro e termina 2015 como número um do planeta por um motivo bastante simples: foi mesmo a melhor seleção do ano.

Nenhum país do primeiro escalão do futebol mundial teve em 2015 resultados melhores do que os Diabos Vermelhos.

Os belgas foram a campo nove vezes, conquistaram oito vitórias e sofreram apenas uma derrota –a Espanha fez campanha idêntica, mas levou uma lavada na comparação do saldo de gols (11, contra 16).

A lista de sucessos da Bélgica em 2015 inclui vitórias importantes em amistosos contra as campeãs mundiais França, dentro do Stade de France, e Itália.

A única derrota também não foi tão dolorosa assim. Mesmo tendo perdido por 1 a 0 para Gales, em junho, pelas eliminatórias da Eurocopa, a equipe se classificou para o torneio europeu com a melhor campanha da sua chave.

Belgica

Os bons resultados e a profusão de jogos oficiais que disputou (sete) deram à Bélgica os pontos necessários para saltar da quarta colocação que ocupava no fim do ano passado para o topo do ranking da Fifa pela primeira vez na história.

O crescimento constante de um time que ocupava a 66ª posição na lista em 2009 e, desde então, só sobe se deve à profusão de talento que a Bélgica tem em mãos e à qualidade do trabalho do técnico Marc Wilmots.

A melhor seleção de 2015 pode até não ter jogadores que já se consagraram como melhores do mundo ou ganharam títulos para seu país, mas tem pelo menos duas ou três boas opções por posição.

É só olhar o que acontece no comando do ataque. Lukaku, vice-artilheiro do Inglês, pelo Everton, disputa vaga com Benteke e Origi, ambos de um grande clube da Inglaterra, o Liverpool.

A situação é parecida na faixa central do meio-campo. Wilmots tem à disposição Witsel, Nainggolan, Dembelé, Defour, Fellaini. Todos são opções consagradas.

Mas mesmo com boa diversidade de peças, a Bélgica tem uma equipe titular bem definida, o que ajuda no entrosamento e faz com que a seleção consiga se comportar como um time de clube, onde os jogadores se conhecem bem e, por isso, funcionam melhores juntos.

O time tem pelo menos nove titulares indiscutíveis, que jogam todas se não estiverem contundidos: Courtois, Alderweireld, Kompany, Vertonghen, Nainggolan, Witsel, Fellaini, De Bruyne e Hazard.

As duas únicas posições em que há um revezamento maior são no ataque e no miolo da zaga, onde Vermaelen, do Barcelona, seria indiscutível se não tivesse tido a carreira tão prejudicada por problemas físicos.

Múltiplas opções, entrosamento e uma quase imunidade a tropeços. Foi essa a receita que fez da Bélgica a melhor seleção de 2015.


Assustado, ex-Palmeiras muda rotina devido a risco de terrorismo na Bélgica
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Rafael Reis

A primeira experiência de Leandro Pereira na Europa está longe de ser o que ele sonhava quando trocou o Palmeiras pelo Brugge, três meses atrás.

Mas o que mais incomoda o atacante nem são os 13 jogos sem marcar no novo clube, mas sim a sensação de medo com a qual está convivendo na Bélgica.

Desde os ataques terroristas conduzidos pelo Estado Islâmico em Paris, na França, no dia 13 de novembro, o país onde o ex-jogador do Palmeiras vive está em estado de apreensão.

O alerta de terrorismo na maior parte do território belga está no nível 3, que indica ameaça “possível e provável”. Na capital, Bruxelas (a 100 km de Brugges), o alerta chegou à escala máxima, 4.

“A situação está bem crítica, o país inteiro está em estado de alerta. Eu e minha família estamos com um pouco de medo. A situação é muito complicada, a gente nunca viveu isso. É uma coisa que assusta bastante”, disse o jogador, por telefone.

Leandro Pereira

A Bélgica entrou nos holofotes do terrorismo internacional porque um dos suspeitos do atentado em Paris, Salah Abdeslam, estava escondido em Bruxelas. A polícia local realizou várias prisões na Bélgica de pessoas que teriam ajudado o jihadista.

Devido à ameaça terrorista, dois dos oito jogos da rodada do último fim de semana do Campeonato Belga foram adiados. Na capital, escolas, shoppings e o metrô ficaram fechados de sábado até terça-feira.]

Leandro Pereira também tem tomado suas precauções. Pelo menos por enquanto, nada de restaurantes ou vida noturna. Sua mulher também deixou de ir aos estádios ver o marido jogar. O atacante, por obrigação contratual, não pode fazer o mesmo.

“A solução é essa: ficar em casa a maior parte do tempo para ficar mais protegido e não correr riscos”, explicou.

Preocupado com o terrorismo, Leandro Pereira já admite, inclusive, que pode pedir para ser negociado caso haja um aumento na tensão na Bélgica. Afinal, a segurança vem em primeiro lugar.

“Por enquanto, as coisas estão difíceis, mas suportáveis. Mas é lógico que se a coisa ficar mais complicada, isso vai acontecer.”

Leandro Pereira foi contratado pelo Palmeiras no início do ano e atuou como titular da equipe alviverde no primeiro semestre. Depois das chegadas de Lucas Barrios e Alecsandro ao clube para a disputa do Brasileiro, ele acabou negociado com o Brugge.

Seu time é vice-líder do Belga, mas o brasileiro não balançou as redes em nenhuma das 13 partidas que disputou.


Euro-2016 terá recorde de seleções estreantes… graças aos imigrantes
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Rafael Reis

A Eurocopa-2016, que será disputada na França e desperta desde já a preocupação com possíveis atentados terroristas, é a vitória da imigração.

É graças aos mais variados fluxos migratórios das últimas décadas que o torneio tem, como nunca antes em sua história, cheiro de mudança e uma cara de nova ordem no futebol do continente.

A competição, que ampliou o número de participantes de 16 para 24 seleções, terá recordes de times estreantes: cinco (Islândia, Irlanda do Norte, Gales, Albânia e Eslováquia). Como comparação, em 2012, apenas a Ucrânia apareceu como novidade.

Além disso, a Euro-2016 apresenta e ao mundo uma nova e contestada força. A Bélgica, que chegou à liderança do ranking da Fifa sem nunca ter conquistado um título importante e continua sendo alvo de descrença de muitos torcedores.

Com exceção da Holanda, protagonista do maior vexame das eliminatórias, as velhas e tradicionais forças europeias (Alemanha, Itália, Inglaterra, França, Espanha) estarão todas por lá. Mas nem isso estraga a impressão de revolução no futebol europeu.

Albania

E essa revolução aconteceu graças a duas políticas que ajudaram a moldar a Europa contemporânea e que parecem ameaçadas pelo terrorismo e as inseguranças atuais: a recepção de imigrantes e o trânsito livre entre cidadãos europeus pelo continente.

É só olhar para o caso da Bélgica para entender como as migrações ajudaram a transformar o futebol europeu.

A seleção número 1 do mundo renasceu das cinzas e virou protagonista graças a uma geração que tem muito pouco dos tradicionais cabelos loiros e olhos azuis. Uma geração que ganhou diversidade física e de talentos devido aos imigrantes.

O capitão Vincent Kompany, do Manchester City, é descendente de congoleses. O meia Marouane Fellaini, do Manchester United, possui sangue marroquino e o atacante Divock Origi, do Quênia, tem família queniana.

A Albânia, uma das cinco estreantes na Euro, também é uma seleção formada basicamente por migrantes. Mais da metade dos jogadores convocados para a última data Fifa nasceu em outros países.

Culpa, principalmente, da diáspora provocada pelas guerras na região, que levou milhares de albaneses e kosovares (também de origem albanesa) a se espalharem pela Europa.

No exterior, esses descendentes de albaneses cresceram em um ambiente muito mais propício para o surgimento de bons nomes do futebol –foram treinadores por técnicos melhores e enfrentaram adversários mais qualificados.

A abertura política para o trânsito livre de cidadãos europeus pelo continente também é a explicação para a ascensão de outras novidades do futebol continental.

Ou dá para imaginar que a Islândia conseguiria chegar à Euro se seus jogadores passassem a vida toda jogando futebol quatro meses por ano no pouco competitivo futebol da gelada ilha?

Se os islandês vão disputar a competição é porque eles ganharam o mundo e se habituaram a um nível mais alto de futebol. São os casos, por exemplo, do zagueiro Hjörtur Hermannsson, desde os 16 anos no PSV Eindhoven (HOL), e do meia Gylfi Sigurdsson, que atua na Premier League inglesa pelo Swansea City.

O mesmo fenômeno se aplica à Eslováquia. Entre os jogadores da seleção estão atletas de Liverpool (ING), Roma (ITA), Napoli (ITA), Milan (ITA) e Colônia (ALE).

Já nos casos de Gales e da Irlanda do Norte, a migração não precisou ir tão longe. A base das duas seleções atua na vizinha Inglaterra. Mas existem exceções. E pelo menos uma grande exceção.

O meia-atacante Gareth Bale, maior responsável pela classificação galesa, poderia passar a carreira toda sendo idolatrado em algum gigante do futebol da Grã-Bretanha, mas fez questão de deixar a ilha para jogar no Real Madrid.

E, então, dá para falar da Eurocopa-2016 sem discutir os imigrantes?


10 coisas que você não sabia sobre a Bélgica, nova líder do ranking da Fifa
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Rafael Reis

Seleção da moda, a Bélgica assumiu nesta quinta-feira a liderança do ranking da Fifa pela primeira vez na história.

O feito é o ápice da ascensão vivida pelo futebol do país desde que a geração de Courtois, Hazard e De Bruyne, todos estrelas de grandes clubes ingleses, assumiu o protagonismo na equipe.

Em seis anos, os belgas saltaram da 66ª colocação para o topo do ranking. Também encerraram na Copa-2014 um jejum de 12 anos sem participar do Mundial. E, em 2016, voltarão à Eurocopa depois de 16 anos de ausência.

Para celebrar a chegada da Bélgica à liderança da lista das seleções, o Blog do Rafael Reis separou dez curiosidades envolvendo os Diabos Vermelhos.

1 – CAPITÃO E CARTOLA

Líder e principal nome do sistema defensivo belga, o zagueiro Vincent Kompany, do Manchester City, também atua como dirigente de futebol. O capitão da seleção é dono, desde 2013, do BX Bruxelas, time que disputa a quarta divisão nacional e faz parte dos projetos sociais do jogador.

2- ESTRELA DE REALITY SHOW

Belgica

Estrela adolescente do Anderlecht, o atacante Romelu Lukaku, hoje no Everton, protagonizou um reality show na TV belga quando tinha apenas 16 anos. Em 2010, uma emissora local exibiu o programa De School Van Lukaku (A Escola de Lukaku), que mostrava o cotidiano e os anseios do jogador e seus colegas de sala em uma escola de Bruxelas.

3 – QUASE UM BRASILEIRO

Nas zonas mistas da Copa do Mundo, todo jornalista brasileiro grudava no meia Axel Witsel, do Zenit São Petesburgo. O jogador, que jogou uma temporada no Benfica, é fluente em português. Mas seu sotaque está mais para brasileiro que lusitano. Fruto da convivência com o atacante Hulk na Rússia.

4 – TRIÂNGULO AMOROSO

Trio

O clima também já pesou no vestiário da Bélgica. O meia Kevin de Bruyne, do Manchester City, teve um conflito com o goleiro Thibaut Courtois, do Chelsea, depois de descobrir que uma ex-namorada o havia traído com o arqueiro. Ela também disse que Courtois lhe proporcionou “experiências que ela jamais havia tido com De Bruyne”. Oficialmente, os companheiros de seleção já se entenderam sobre o caso. Mas…

5 – LÍNGUA OFICIAL

Para não incentivar ainda mais a rivalidade existente entre as regiões do país, que possui três línguas oficiais (francês, flamengo e alemão) e vive enfrentando ondas de separatismo, a seleção belga adotou o inglês como idioma. É nessa língua que os materiais de imprensa são confeccionados. As entrevistas coletivas dos jogadores também são, preferencialmente, em inglês.

6- CASOS DE FAMÍLIA

Não se assuste se ver um outro Lukaku ou um outro Hazard vestindo as cores da Bélgica. Tanto o centroavante do Everton quanto o astro do Chelsea têm irmãos na mira da seleção. O lateral esquerdo Jordan Lukaku, que defende o local KV Oostende, estreou pela equipe na goleada por 4 a 1 sobre Andorra, no mês passado. Já o meia Thorgan Hazard, do alemão Borussia Mönchengladbach, disputou um amistoso contra os EUA em 2013.

7 – SELEÇÃO DE IMIGRANTES

A seleção belga é uma síntese da mistura racial e de povos que forma a Europa atual. O time está cheio de imigrantes ou filhos de estrangeiros que foram tentar a sorte no país. O lateral direito Luis Cavanda, do Trabzonspor (TUR), nasceu em Angola, e o atacante Christian Benteke, do Liverpool, na República Democrática do Congo. Kompany e Lukaku são descendentes de congoleses. Fellaini, Chadli e Bakkali, de marroquinos. O volante Nainggolan tem família na Indonésia, o ataque Origi, no Quênia, e o meia Witsel, em Martinica.

8 – ÍDOLOS NO BANCO

Os ídolos da Bélgica não estão apenas dentro de campo. Os treinadores das principais categorias da seleção foram ex-jogadores consagrados. Quem dirige o time adulto é Marc Wilmots, maior artilheiro belga na história das Copas do Mundo, com cinco gols. No time sub-21, quem dá as cartas é Enzo Scifo, meia que passou 14 anos na seleção e disputou quatro Mundiais. Já a equipe sub-19 é comandada pelo ex-atacante Gert Verheyen, que participou das Copas de 1998 e 2002.

9 – TOQUE DE BRASIL

Igor

Luís Oliveira, ex-atacante maranhense, passou praticamente a década de 1990 inteira jogando pela seleção da Bélgica e chegou a disputar a Copa de 1998. Mais recentemente, entre 2009 e 2012, o atacante paulista Igor de Camargo, atualmente no Genk, também fez parte da equipe.

10 – TÍTULO QUE O BRASIL NÃO TEM

Ao longo de toda a história, a Bélgica só conquistou um título no futebol, justamente aquele que o Brasil mais persegue. Em 1920, os belgas conquistaram em casa o ouro olímpico em uma final controversa contra a Tchecoslováquia –os tchecos abandonaram o gramado em protesto contra a arbitragem e perderam inclusive a medalha de prata.


Badalada geração belga tem um brasileiro. E ele quer voltar à seleção
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Rafael Reis

A aclamada geração que colocará a Bélgica na liderança do ranking da Fifa pela primeira vez na história no próximo dia 5 de novembro tem uma pitada de Brasil.

Radicado na Europa há cerca de 15 anos e naturalizado belga desde 2008, o atacante paulista Igor de Camargo, 32, que atua no Genk, já conviveu dentro de campo com Hazard, Kompany, Fellaini e companhia e acredita que pode voltar à seleção para a disputa da Eurocopa-2016.

“A minha inspiração é o Ricardo Oliveira [que voltou a ser convocado pelo Brasil aos 35 anos]. Enquanto eu tiver um bom nível de jogo, terei esperança de ser convocado”, afirmou o atacante.

Igor, que também passou com destaque por Standard de Liège (BEL), Borussia Mönchengladbach (ALE) e Hoffenheim (ALE), defendeu a seleção nove vezes entre 2009 e o segundo semestre de 2012, quando foi convocado pela última vez.

Nesses três anos vestindo a camisa dos “Diabos Vermelhos”, presenciou a transformação de um time mediano para os padrões europeus em uma futura força do futebol mundial.

Igor

“Quando cheguei aqui, o futebol era só força e correria. Aos poucos, foram aparecendo os jogadores de mais qualidade. A gente via que um Hazard, um Kompany, um De Bruyne eram diferentes. Mas eles ainda estavam em times menores, não dava para saber até onde chegariam”, conta.

“Não havia essa expectativa de que viraríamos a seleção número um do mundo, mas talento esses meninos tinham.”

A aparição de tantos jovens talentosos foi complicando a permanência do brasileiro na seleção. De uma hora para outra, Igor passou a ter de disputar espaço com Lukaku, Benteke, Origi, hoje estabelecidos em times fortes do futebol inglês.

“A concorrência aumentou muito. Fico feliz porque ganhamos muitas oportunidades para o ataque”, diz Igor, que retornou à Bélgica em 2013 para tentar uma vaga na Copa do Mundo, mas foi parar no banco do Standard de Liège e perdeu a oportunidade.

Quando perguntado se tem amigos na seleção, Igor destacou a boa relação que tem com o volante Axel Witsel, que atua no Zenit São Petesburgo. Também fez elogios ao comportamento do zagueiro e capitão Vincent Kompany, do Manchester City.

“O Kompany é muito educado, me deu vários conselhos. É uma pessoa super gente boa, bem pra cima. É um cara nota 10.”

“EU NEM SABIA QUE ERA BELGA”

Descendente de belgas, Igor desconhecia o passado da família e nem sabia da existência do país que mais tarde viria a defender quando, ainda na adolescência, recebeu uma proposta para fazer testes na Europa.

“Claro que meus pais ficaram com o coração na mão. Morei um tempo com uma família adotiva, que me ensinou a cultura da Bélgica, como lidar com os belgas. Somos amigos até hoje”, diz.

Quinze anos depois, Igor está habituado à terra de alguns dos seus antepassados. Fala as três línguas oficiais do país (francês, alemão e flamengo) e conhece “quase todas as cervejas belgas.”

“Meu coração é 50% de cada país. É difícil falar que sou brasileiro. Sou tanto brasileiro quanto belga.”


Três seleções têm potencial para ser a “próxima Bélgica”; saiba por quê
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Rafael Reis

A bola da vez é a Bélgica. No passado, já foi a Costa do Marfim, a Croácia, a Romênia, a Bulgária, a Colômbia. Todas seleções tradicionalmente de segundo ou terceiro escalão que produziram uma geração excepcional de jogadores que transformaram seus times no hit do momento no futebol mundial.

Nenhuma delas conquistou títulos relevantes e a atual safra belga foi a única delas que alcançou o topo do ranking da Fifa. Mas todas marcaram uma geração de torcedores e fãs saudosistas.

Hoje, mesmo sem ganhar nada, a Bélgica já é realidade. Hazard, Courtois e Benteke são os Valderramas, Stoichkovs, Hagis, Sukers e Drogbas dos dias atuais.

Mas, e nos próximos anos, quem herdará o posto dos belgas? Que países estão chegando com uma geração extraordinária, incomum para sua história e capaz de dar uma sacudida nas forças do futebol mundial.

É claro que esse é um exercício de futurologia. E como toda futurologia está passível de erros, muitos erros. Mas há alguns indícios que mostram que já tem gente correndo na frente pelo posto de nova Bélgica.

A primeira seleção que vem à cabeça é o Chile. Afinal, trata-se de um grupo que foi campeão da Copa América pela primeira vez na história, um time invejado pelo entrosamento e com estrelas de primeira grandeza, casos de Alexis Sánchez e Vidal.

Mas os chilenos já estão aí há um tempo e hoje são reconhecidos como um dos adversários mais fortes que qualquer seleção pode enfrentar. Não parecem ser sucessores dos belgas, mas sim contemporâneos deles.

Quem ainda não ganhou todo esse respeito, mas caminha para isso é o País de Gales. Desde 2012, sua seleção não para de subir no ranking da Fifa. Nos últimos três anos, saltou da 82ª colocação na lista para a oitava.

Belgica

A classificação para a Eurocopa-2016, a primeira para a fase final de um torneio desde a Copa do Mundo de 1958, foi mais uma mostra do crescimento galês.

O país tem um craque, Gareth Bale, do Real Madrid. Mas ao contrário de Ryan Giggs, astro da geração anterior, ele não está sozinho. Tem a companhia de um grupo de bons jogadores estabelecidos em grandes clubes da Inglaterra, como os meias Aaron Ramsey (Arsenal) e Joe Allen (Liverpool) e o lateral esquerdo Ben Davies (Tottenham).

Olhando pouco mais para o futuro dá para imaginar Portugal se justando ao grupo das grandes forças do futebol mundial. Aparentemente, Cristiano Ronaldo, 30, deu azar. A geração que poderia fazer brigá-lo por títulos só irá encontrá-lo já nos últimos anos de sua carreira.

Os portugueses fazem um trabalho muito consistente na base. Nos últimos dois anos, chegaram pelo menos às semifinais dos Campeonatos Europeus das três categorias existentes: sub-21, sub-19 e sub-17.

Ao contrário de tempos anteriores, em que os principais clubes preferiam sempre importar jogadores da América do Sul a usar jovens, hoje cada um dos três maiores times do país têm pelo menos um garoto candidato a craque entre os titulares.

No Porto, o volante Ruben Neves, 18, tornou-se durante a semana o mais jovem capitão da história da Liga dos Campeões da Europa. Já o Benfica tem no meia-atacante Gonçalo Guedes, 18, um dos seus principais jogadores da temporada.

Enquanto isso, o Sporting, o clube que revelou Cristiano Ronaldo, voltou a brigar pelo protagonismo no futebol português ao juntar no mesmo time jovens talentos como o volante João Mário, 22, e os meias-atacantes Carlos Mané, 21, e Gelson Martins, 20.

Por fim, há o caso especial de Marrocos. Sem disputar uma Copa do Mundo desde 1998, o país do norte-africano tem condições de montar uma seleção de primeiro escalão em um futuro próximo, desde que consiga parar de perder tantos jovens talentos com dupla cidadania para os países da Europa onde eles moram.

Sua seleção já deixou escapar três dos candidatos a protagonista dessa próxima geração: o meia Adam Maher, 22, do PSV, e os atacantes Zakaria Bakkali, 19, do Valencia, e Munir el Haddadi, 20, do Barcelona, já inseridos nas seleções adultas de Holanda, Bélgica e Espanha, respectivamente.

Mas ainda há talento para ser disputado com os europeus. O meia Hachim Mastour, 17, emprestado pelo Milan ao Málaga, é um sucesso no YouTube e candidato a futuro astro do futebol mundial.

Os meias-atacantes Bilal Ould-Chikh, 18, que nasceu na Holanda e atua no Benfica, e Ismail Azzaoui, 17, do Wolfsburg, principal jogador da seleção sub-17 da Bélgica, são outros jovens talentosos que poderiam fazer parte dessa ascensão marroquina.


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