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Dortmund é o campeão de público da Europa; Barça despenca sem Neymar
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Rafael Reis

Apesar de não ter conquistado nenhum título e de ter terminado o Campeonato Alemão com 29 pontos a menos que o Bayern de Munique, o Borussia Dortmund manteve nesta temporada o posto de torcida mais presente do futebol europeu.

De acordo com o site “World Football”, que compila dados de competições do mundo inteiro, o time aurinegro foi mais o vez o dono da maior média de público do continente.

Ao longo de 17 rodadas como mandante na Bundesliga, o Borussia Dortmund levou ao Signal Iduna Park 1.351.439 torcedores.

A média de 79.496 pessoas por partida foi um pouco inferior à da temporada passada (79.653), mas ainda lhe assegura, com relativa folga, o primeiro lugar no ranking de presença nos estádios.

Além do antigo time do técnico Jürgen Klopp, atualmente no Liverpool, apenas outros dois clubes registraram médias de público acima dos 70 mil torcedores nos campeonatos nacionais da Europa em 2017/18: o Bayern de Munique (75.000) e o Manchester United (74.976).

O Barcelona, que também fazia parte desse grupo até a última temporada, sofreu com uma espécie de debandada de público depois da venda de Neymar para o Paris Saint-Germain.

Mesmo com a brilhante campanha que culminou na conquista tranquila do Campeonato Espanhol, a média de espectadores no Camp Nou caiu mais de 16%: de 77.944 torcedores/jogo para 64.901.

Resultado: pela primeira vez desde 2008/09, o Barça registrou média de público inferior à do Real Madrid, atual bicampeão europeu e novamente finalista da Liga dos Campeões na atual temporada.

Dos dez clubes com melhor média de público da Europa, quatro são ingleses (Manchester United, Tottenham, Arsenal e West Ham), três são alemães (Dortmund, Bayern e Schalke 04), dois são espanhóis (Barça e Real) e um é italiano (Inter de Milão).

A única das cinco maiores ligas do continente que não aparece representada no topo do ranking é a francesa, cujo time mais popular, o PSG, teve média de 46.930 espectadores por jogo (contra 45.317 do ano anterior).

A média geral dos cinco grandes campeonatos nacionais cresceu em relação à temporada passada –mesmo levando em conta que o Italiano, o Espanhol e o Francês ainda têm uma rodada a ser disputada.

Em 2017/18, a média de torcedores no estádio a cada jogo dessas competições é de 30.920, alta de 7% em relação aos 28.837 pagantes do ciclo anterior.

MAIORES MÉDIAS DE PÚBLICO DA EUROPA (2017/18)

1º – Borussia Dortmund (ALE) – 79.496
2º – Bayern de Munique (ALE) – 75.000
3º – Manchester United (ING) – 74.976
4º – Tottenham (ING) – 67.953
5º – Real Madrid (ESP) – 65.647
6º – Barcelona (ESP) – 64.901
7º – Schalke 04 (ALE) – 61.297
8º – Arsenal (ING) – 59.323
9º – Inter de Milão (ITA) – 57.529
10º – West Ham (ING) – 56.885


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Nacionais da Europa ficaram tão chatos quanto os Estaduais brasileiros
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Rafael Reis

A Juventus precisa de apenas um empate contra a Roma, no domingo, para sacramentar, com uma rodada de antecedência, o sétimo título italiano consecutivo.

O Bayern faturou o Campeonato Alemão pelo sexto ano seguido há mais de um mês. Manchester City e Paris Saint-Germain conquistaram seus títulos nacionais há 25 dias. Barcelona e Porto também já levantaram os canecos das ligas espanhola e portuguesa, respectivamente.

Isso significa que nenhum dos seis principais campeonatos nacionais da Europa deve chegar à rodada final com a disputa pelo título ainda indefinida. E, para piorar, todos eles tiveram (ou terão) campeões bastante previsíveis.

É essa a realidade que transformou as mais importantes ligas nacionais do Velho Continentes em versões endinheiradas dos nossos velhos Campeonatos Estaduais: competições chatas, arrastadas e com pouco espaço para as surpresas.

Tudo bem que vez ou outra surge um Leicester (campeão inglês de 2014/15) ou um Monaco (vitorioso na França em 2016/17). Mas são exceções cada vez mais raras que comprovam a regra da monotonia que reina nesses torneios.

Uma simples análise histórica mostra como os grandes campeonatos europeus têm ficado menos suscetíveis a zebras.

Entre 1999 e 2008, o Campeonato Espanhol teve quatro campeões (Barcelona, Real Madrid, Valencia e La Coruña) e oito times diferentes ocupando as três primeiras posições de uma determinada temporada.

Nos últimos dez anos, foram apenas três campeões (Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madri), sendo que o Barça faturou sete títulos. O número de equipes que subiram ao pódio caiu para cinco. E nas últimas cinco temporadas (seis com a atual), o trio de grandes ocupou os três primeiros postos da classificação final.

Em maior ou menor intensidade, esse cenário também aconteceu na Itália, na Inglaterra, na Alemanha, na França e em Portugal…

O culpado desse processo que tornou entediante os Nacionais é velho conhecido dos fãs do futebol europeu: a concentração de receitas em um número cada vez menor de mãos, o que fez com que os grandes jogadores sejam contratados sempre pelos mesmos poucos clubes.

Mas a solução para esse problema é bem mais complicada e passa por uma redistribuição na forma de divisão do dinheiro do futebol e também em regras mais rígidas da Uefa e da Fifa para que o poder econômico não se reflita tanto dentro de campo.

Uma ideia que vira e mexe é levantada por alguns clubes da elite da bola é a abolição dos campeonatos nacionais em prol de uma liga que abrangesse as maiores potências da Europa. Nesse cenário, o Bayern não jogaria mais semanalmente contra os Freiburg e Eintracht Frankfurt da vida, mas sim ante Chelsea, Manchester United e Inter de Milão.

É… não é só no Brasil que querem acabar com os Estaduais. Na Europa, também há gente disposta a dar um fim nos Estaduais de lá, ou melhor, nos Campeonatos Nacionais.


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Vale nada? 5 motivos para acompanhar Barcelona x Real Madrid
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Rafael Reis

O Barcelona já conquistou o título espanhol desta temporada. O Real Madrid está com a cabeça longe, no dia 26 de maio, quando enfrentará o Liverpool em sua terceira decisão consecutiva de Liga dos Campeões da Europa.

Será que desta vez o maior clássico do planeta, que será disputado neste domingo, a partir das 15h45 (de Brasília), será uma partida sem importância?

É claro que não. Muita coisa estará em jogo no gramado do Camp Nou. Afinal, Barça x Real nunca é apenas mais uma partida.

Conheça abaixo cinco razões que fazem o clássico deste domingo não ser um “jogo sem importância”.

CAMPEÃO INVICTO?
O Barcelona tem uma meta nesta reta final de temporada: ser o primeiro campeão espanhol invicto da “era moderna”, ou seja, desde que a competição passou a ter um número mais alto (16, ou os atuais 20) de times e, consequentemente, de partidas. Faltando quatro rodadas para o encerramento da temporada, o time de Ernesto Valverde soma 26 vitórias e oito empates. O Real é a maior ameaça a essa marca história e adoraria colocar estragar um pouco a festa catalã.

REAL FORA DA CHAMPIONS?
Apesar de estar na final da Champions, o Real Madrid ainda não está garantido na fase de grupos da próxima edição do torneio interclubes mais importante do planeta. Para assegurar sua posição entre os melhores do continente e não ter de disputar nenhum playoff preliminar na temporada 2018/19, os comandados de Zidane precisam ser campeões europeus ou terminar o Espanhol entre os três primeiros colocados. No momento, o Real é o terceiro, mas ainda pode ser alcançado pelo Valencia.

CHUTEIRA DE OURO
Lionel Messi está travando um duelo particular com Mohamed Salah pelo prêmio concedido ao maior artilheiro dos campeonatos nacionais da Europa na temporada. Por enquanto, quem está levando a Chuteira de Ouro para casa é o craque do Barcelona, que tem um gol a mais do que o egípcio do Liverpool. Mas a disputa ainda está aberta.

SECA DE CRISTIANO DE RONALDO
O astro do Real Madrid passou em branco nos três últimos clássicos contra o Barcelona válidos pelo Campeonato Espanhol e também não fez sequer um golzinho nos dois confrontos contra o Bayern de Munique, pela semifinal da Liga dos Campeões. Para um artilheiro do porte de Cristiano Ronaldo, qualquer jejunzinho já é um incômodo.

O ADEUS DE INIESTA
De saída para o futebol chinês, Andrés Iniesta fará o seu 38º (e, muito provavelmente, último) clássico contra o Real Madrid. O retrospecto do meia, que só defendeu o Barcelona ao longo da carreira, contra o maior rival catalão é amplamente favorável: 16 vitórias, nove empates e 12 derrotas. O capitão do Barça marcou três gols ante o Real e deu oito assistências.


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Salah ou Messi: Quem vai levar a Chuteira de Ouro nesta temporada?
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Rafael Reis

A cerca de um mês do encerramento da temporada 2017/18 do futebol europeu, a disputa pela Chuteira de Ouro virou uma espécie de briga particular entre Mohamed Salah e Lionel Messi.

Com o gol marcado na vitória por 3 a 0 do Liverpool sobre o Bournemouth, no sábado, o egípcio se isolou na ponta do prêmio concedido ao artilheiro dos campeonatos nacionais do Velho Continente. Mas não conseguiu se descolar do craque argentino.

Salah soma agora 60 pontos, dois a mais que o camisa 10 do Barcelona. Na prática, a diferença entre líder e vice-líder da Chuteira de Ouro é de apenas um golzinho.

Mas quem será que vai levar a melhor nesta disputa: o artilheiro do Campeonato Inglês e maior revelação desta temporada ou o consagrado argentino eleito cinco vezes o melhor jogador do planeta?

Messi leva vantagem sobre Salah em dois quesitos que podem ser determinantes para a definição do goleador máximo da temporada.

O argentino ainda disputará mais seis partidas do Campeonato Espanhol, duas a mais do que o número de compromissos que aguardam o egípcio na Premier League. Além disso, o craque do Barça não precisa mais dividir suas atenções e forças entre o torneio nacional e a Liga dos Campeões.

Já a Salah, em tese, terá adversários menos difíceis do que os de Messi até o fim da temporada. O Liverpool só tem mais um jogo grande pela frente no Inglês, contra o Chelsea. Enquanto isso, o o Barcelona ainda enfrenta Real Madrid, Villarreal e Celta.

A fase do egípcio também é superior à do adversário direto pela artilharia da temporada. O camisa 11 marcou em 12 dos últimos 14 jogos que disputou e não termina uma partida sem balançar as redes há mais de um mês.

Messi, por sua vez, fez gol em oito das últimas 14 partidas e passou em branco em três dos seus quatro compromissos mais recentes.

O “Blog do Rafael Reis” publica a cada terça-feira uma nova parcial da Chuteira de Ouro. E aí, nesta temporada, quem ficará com o prêmio?

Confira o top 10 da Chuteira de Ouro:

1º – Mohamed Salah (EGI, Liverpool) – 60 pontos (30 gols)
2º – Lionel Messi (ARG, Barcelona) – 58 pontos (29 gols)
3º – Ciro Immobile (ITA, Lazio) – 54 pontos (27 gols)
Robert Lewandowski (POL, Bayern de Munique) – 54 pontos (27 gols)
5º – Edinson Cavani (URU, Paris Saint-Germain) – 50 pontos (25 gols)
Harry Kane (ING, Tottenham) – 50 pontos (25 gols)
7º – Jonas (BRA, Benfica) – 49,5 pontos (33 gols)
8º – Mauro Icardi (ARG, Inter de Milão) – 48 pontos (24 gols)
9º – Cristiano Ronaldo (POR, Real Madrid) – 46 pontos (23 gols)
Luis Suárez (URU, Barcelona) – 46 pontos (23 gols)


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Em temporada mais produtiva, Messi tem dado aulas de como “enganar o tempo”
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Rafael Reis

Messi parece ter aprendido a “enganar o tempo”. Aos 30 anos e prestes a disputar sua quarta Copa do Mundo, o astro argentino não só dá mostras de que o declínio físico e técnico natural do aumento da idade passa longe do seu corpo, como vive um dos melhores momentos de sua carreira.

A atuação de gala na vitória por 3 a 0 sobre o Chelsea, na quarta-feira, os 24 gols marcados nesta edição do Campeonato Espanhol e o protagonismo cada dia maior nas partidas do Barcelona são algumas provas disso.

É verdade que o camisa 10 já marcou mais gols e distribuiu mais assistências do que agora. Mas ele nunca foi tão produtivo em campo quanto na atual temporada.

De acordo com o “WhoScored?”, site especializado nas estatísticas do futebol, Messi cria em média 8,3 oportunidades de gol em cada partida do Campeonato Espanhol 2017/18. São 5,6 chutes dados por ele mesmo e mais 2,7 passes para companheiros finalizarem em cada apresentação do craque do Barcelona.

Esse número, que mede a produtividade em campo, é o melhor de toda sua carreira.

Mesmo nas cinco temporadas em que faturou o prêmio de melhor jogador do planeta, o argentino jamais havia superado a média de 8 chances criadas por partida.

“Antes, eu recuperava a bola e fazia, ou tentava fazer, a jogada que eu queria, a minha jogada. Agora, tento jogar mais para a equipe. Quero que a bola passe por mim, sem que eu tenha a necessidade de concluir a jogada ou ser fominha”, explica o camisa 10, em entrevista que será veiculada pelo canal argentino “América TV” neste domingo.

Apesar do discurso de “jogador de time”, o novo Messi não perdeu o protagonismo e tem dado resultados dos mais positivos para o Barcelona. Com 34 bolas na rede e 16 assistências, ele participou ativamente de 47,7% de todos os gols marcados pelo time de Ernesto Valverde nesta temporada.

No confronto contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões, o argentino foi determinante para classificar os catalães para enfrentar a Roma nas quartas de final. Messi fez três dos quatro gols do Barça no mata-mata contra os ingleses e deu assistência para o Dembélé anotar o outro.

“Hoje, eu tento fazer minha equipe se movimentar estando em outro lugar do campo. Continuo correndo como sempre, mas agora de uma outra maneira”, completa.

O novo posicionamento a que Messi se refere pode ser resumido em uma expressão: liberdade total.

No esquema tático de Valverde, o camisa 10 não tem posição definida. Apesar de normalmente ser apresentado como o companheiro de ataque de Luis Suárez, o craque só joga lá na frente quando quer.

Em boa parte do tempo, ele recua para atuar entre as linhas de marcação adversária ou volta ainda mais, para receber a bola com liberdade, e conseguir armar os ataques do Barcelona lá de trás.

Foi essa a fórmula encontrada pelo “trintão” Messi para “enganar o tempo” e fazer de 2017/18 a temporada mais produtiva de sua carreira.


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Como nova posição no Barça faz Paulinho reviver “fantasma” do Tottenham
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Rafael Reis

“Paulinho lembrou mais o jogador irrelevante do Tottenham do que o prodigioso chegador do Barça”.

O trecho acima, publicado pelo jornal “Sport” após o empate por 1 a 1 com o Chelsea, há três semanas, no confronto de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, mostra como a lua de mel do brasileiro com o Barcelona chegou ao fim.

Surpresa positiva da equipe catalã na primeira metade da temporada, o titular do meio-campo da seleção brasileira perdeu rendimento depois da virada de ano e entra no jogo de volta contra os ingleses, nesta quarta-feira, às 16h45 (de Brasília) despertando dúvidas e “na berlinda”.

A questão que preocupa os torcedores do Barcelona é: será que Paulinho é capaz de se adaptar às novas obrigações táticas impostas pelo técnico Ernesto Valverde? E a resposta dada por ele até o momento não é das mais positivas.

Contratado por 40 milhões de euros (R$ 160 milhões) do Guangzhou Evergrande, o brasileiro driblou a desconfiança e teve sucesso imediato na Espanha atuando como uma espécie de terceiro atacante.

Sem Dembélé, que se machucou em setembro, e com opções pouco confiáveis para atuar pelas faixas laterais do ataque, Valverde decidiu armar o Barça no 4-4-2, com Messi e Suárez lá na frente e quatro homens com características mais centrais no meio.

Paulinho era o mais avançado deles. Sem tantas preocupações defensivas, devido ao bloqueio exercido por seus três companheiros, ele pode fazer aquilo que melhor sabe desde os tempos de Corinthians: surgir como elemento surpresa na área adversária e decidir partidas.

O resultado disso foi uma avalanche de boas atuações e elogios. Até o dia 14 de janeiro, ele acumulava 25 jogos pelo Barcelona, com oito gols e duas assistências.

Desde então, seca total. Paulinho não voltou a balançar as redes e nem sequer participou ativamente de algum gol marcado por Messi, Suárez, Iniesta ou qualquer outro jogador. O Barça mudou, e ele ainda não se adaptou.

Com a recuperação de Dembélé e a contratação de Philippe Coutinho, o clube catalão passou a alternar o 4-4-2 e o 4-3-3-. Mas, mais importante, voltou a usar formações com homens mais agudos pelos lados do campo.

Com isso, Paulinho perdeu liberdade para agredir a área rival. Atuando como segundo volante ou terceiro homem do meio (pela faixa central no 4-3-3 ou aberto, mas com mais preocupações defensivas, no 4-4-2), viu seu futebol desabar e passou a conviver com críticas.

A mais costumeira é justamente a citada logo no começo do texto, uma comparação com a péssima passagem pelo Tottenham –ficou dois anos no futebol inglês e não conseguiu encontrar uma posição em campo para se destacar.

Um bom indício da queda do futebol de Paulinho, além dos números absolutos de gols e assistências, é a sua classificação no ranking do “Who Scored?”, site que transforma as estatísticas do jogador em uma nota que mede sua avaliação em campo.

Até o meio de janeiro, o camisa 15 do Barcelona tinha nota 7,1 nesta temporada. Ao longo dos últimos meses, sua média caiu para 6,5.

Para avançar às quartas de final da Liga dos Campeões, o time de Paulinho precisa apenas de um 0 a 0 contra o Chelsea. Empate com gols (com exceção do 1 a 1, que leva a disputa para a prorrogação) dá a vaga aos ingleses.


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Novidade de Tite, Willian José é terror para os gigantes da Espanha
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Rafael Reis

Uma das novidades de Tite para os amistosos contra Rússia e Alemanha, os últimos antes da divulgação dos convocados para a Copa do Mundo-2018, Willian José é um daqueles jogadores que costumam crescer em jogos grandes.

O atacante de 26 anos, que defendeu Barueri, São Paulo, Santos e Grêmio antes de ir para a Europa e hoje joga na Real Sociedad, ganhou notoriedade no futebol da Espanha por ser uma pedra no sapato dos grandes clubes do país.

Desde que desembarcou por lá, há quatro anos, o novo centroavante da seleção brasileira já marcou sete gols em 16 confrontos contra Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madri, os três times mais poderosos da terra de Iniesta.

A média de 0,44 gol anotado por partida contra o trio de ferro espanhol é bem melhor do que o seu desempenho em “jogos normais”, contra adversários inferiores tecnicamente.

Excluindo os confrontos com Barça, Real e Atleti, a média de gols de Willian José no futebol espanhol despenca para 0,28 gol por jogo.

O poderoso Barcelona é uma das vítimas preferidas do camisa 12 da Real Sociedad. O brasileiro já marcou quatro vezes em seis confrontos contra Messi, Suárez, Piqué e cia.

Além disso, fez dois gols no Atlético (um deles na vitória por 2 a 0 conquistada na temporada passada) e um no Real.

Willian José chegou à Europa no começo de 2014, para defender o Real Madrid Castilla. O atacante chegou a ser usado na equipe principal antes de ser negociado com o Zaragoza. Depois, ainda passou pelo Las Palmas antes de ser contratado pela Real Sociedad, em 2016.

Na atual temporada, já marcou 17 gols em 30 partidas. Ele é o oitavo colocado nas artilharias do Campeonato Espanhol (12 gols) e da Liga Europa (cinco bolas nas redes).

Campeão mundial sub-20 com o Brasil em 2011, ao lado de Alex Sandro, Casemiro e Oscar, Willian José vinha tendo uma espécie de namoro com a Espanha. De olho em uma possível vaga na Copa-2018, ele chegou a reclamar que o time brasileiro sempre chama os mesmos nomes para a seleção e elogiou o técnico Julen Lopetegui.

Mas a chance com Tite veio antes de uma possível convocação para a equipe espanhola.

Willian José tem um perfil diferente dos outros “camisa 9” da seleção brasileira. Enquanto Gabriel Jesus e Firmino são leves e se movimentam bastante por todos os lados do ataque, o ex-Grêmio e São Paulo é um centroavante com mais força física e presença de área.

Isso tudo além do faro de gol apurado para os confrontos com grandes adversários.

O Brasil enfrenta a Rússia no dia 23 de março, em Moscou. Quatro dias depois, visita a Alemanha, em Berlim, no primeiro encontro entre as duas seleções desde o 7 a 1 e em seu último amistoso antes da divulgação dos convocados para a Copa do Mundo.


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Pegou fogo: 5 jogos que transformaram Barcelona e Chelsea em arquirrivais
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Rafael Reis

Chelsea e Barcelona dão início nesta terça-feira ao maior clássico das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa nesta temporada.

É isso mesmo. Apesar de suas sedes estarem separadas por mais de 1.100 quilômetros, o atual campeão inglês e o clube catalão construíram ao longo dos últimos 15 anos uma relação bastante conflituosa.

A rivalidade entre as duas equipes que se enfrentam nesta terça, às 16h45 (de Brasília), no Stamford Brige, em Londres, nasceu de uma série de confrontos decisivos marcados por resultados conquistados a fórceps, decisões questionáveis da arbitragem e muita provocação.

Relembre abaixo cinco partidas que transformaram Chelsea e Barcelona em arquirrivais europeus:

CHELSEA 1 x 1 BARCELONA
06/05/2009
Semifinal da Liga dos Campeões

O Barcelona perdia o jogo e a vaga na decisão da Champions até os 48 min do segundo tempo, quando Iniesta marcou um golaço e abriu caminho para o primeiro título europeu da “era Guardiola”. Só isso já seria suficiente para classificar o jogo como um épico. Mas a partida em Stamford Bridge teve muito mais. O Chelsea reclamou de pelo menos quatro pênaltis não marcados pelo árbitro norueguês Tom Henning Överbö, que até hoje sofre ameaças de morte por aquela atuação. Recentemente, ele admitiu que errou em alguns desses lances e que o resultado da semifinal seria outro se naquela época já existisse o VAR, sistema de vídeo que auxilia a arbitragem.

BARCELONA 2 x 2 CHELSEA
24/04/2012
Semifinal da Liga dos Campeões

O Chelsea demorou três anos para conseguir a tão esperada vingança contra o Barcelona. Em 2012, os clubes se reencontraram em uma semifinal de clima fervente fora de campo. Os ingleses largaram na frente na briga pela vaga na final com uma vitória por 1 a 0 em Londres. Mas, na partida de volta, o Barcelona abriu 2 a 0 com 43 minutos de jogo e parecia fadado a disputar mais uma final de europeia. Só que um gol de Ramires, outro de Fernando Torres e uma retranca com direito a 18% da posse de bola (na soma dos dois jogos) decretaram a revanche do Chelsea, que conquistaria naquele ano seu primeiro (e até hoje único) título de Champions.

CHELSEA 1 x 2 BARCELONA
22/02/2006
Oitavas de final da Liga dos Campeões

Se hoje Neymar é acusado de ser “cai-cai” e de valorizar demais as pancadas que sofre dos adversários, 12 anos atrás o alvo dessas críticas era Lionel Messi. Pelo menos, na cabeça do então técnico do Chelsea, José Mourinho, que elogiou as habilidades artísticas do jogador após a derrota por 2 a 1 no jogo de ida das oitavas de final da Champions de 2006. O motivo da ira do português foi a jogada que fez com o que o lateral esquerdo Asier del Horno fosse expulso aos 37 min do primeiro tempo. Na partida de volta, houve empate por 1 a 1, e o Barça ficou com a vaga. Mas Messi saiu de campo contundido e pouco jogou na reta final daquela temporada.

BARCELONA 2 x 1 CHELSEA
23/02/2005
Oitavas de final da Liga dos Campeões

O cartão vermelho recebido por Drogba, após uma entrada no goleiro Victor Valdés, aos 11 min do segundo tempo de uma partida que o Chelsea vencia por 1 a 0, é uma espécie de marco zero da rivalidade entre os clubes. Após a partida, o técnico José Mourinho acusou o árbitro Anders Frisk de ter conversado com o então comandante do Barça, Frank Rijkaard, durante o intervalo da partida, e levantou suspeitas sobre a idoneidade do juiz. Ameaçado de morte por torcedores do Chelsea, Frisk anunciou a aposentadoria semanas mais tarde.

CHELSEA 4 x 2 BARCELONA
08/03/2005
Oitavas de final da Liga dos Campeões

Foi em uma clima de extrema tensão provocada pela “metralhadora” de Mourinho que Chelsea e Barcelona se reencontraram duas semanas depois para definir quem continuaria na Champions. Os ingleses levaram a melhor: 4 a 2, mas não sem polêmicas. O Barcelona reclamou de falta em um dos gols do Chelsea e de um pênalti não marcado. Samuel Eto’o, atacante do Barça, também disse ter sido vítima de racismo dentro de campo. Para completar, ao fim do jogo, Rijkaard partiu para cima de André Villas-Boas, então auxiliar de Mourinho naquele mata-mata.


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Como rival de Guardiola na Champions inspirou nascimento do Barcelona
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Rafael Reis

Pep Guardiola vai se sentir em casa assim que pisar no gramado do St. Jakob Park, na Basileia (SUI), nesta terça-feira, às 17h45 (de Brasília), para a abertura das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Não, o badalado treinador do Manchester City jamais jogou ou trabalhou no Basel. Mas construiu sua carreira como jogador (e depois como técnico) em uma espécie de “filial” do clube suíço.

Afinal, não é à toa que o adversário do líder do Campeonato Inglês no mata-mata da Champions e o Barcelona possuem cores semelhantes, uniformes parecidos e escudos similares.

Tanto o Basel quanto o Barcelona tiveram o início de suas histórias escritas pelo mesmo homem: o empresário suíço Hans Gamper, que passou a ser conhecido como Joan Gamper depois que se mudou para a Catalunha –ainda hoje dá nome a um jogo-amistoso de pré-temporada disputado anualmente no Camp Nou. Em 2017, por exemplo, a Chapecoense foi quem enfrentou o time espanhol.

O clube suíço é mais velho. Foi fundado em 1893 por um grupo de estudantes. Gamper não fez parte dessa iniciativa, mas foi um dos primeiros jogadores e, ainda mais importante, capitães da história do clube.

Seis anos depois, quando foi à Catalunha para visitar um tio, o empresário suíço decidiu fundar um time na região. Curiosamente, neste momento não se lembrou do Zurique, time que havia montado em sua terra natal, mas sim do Basel.

A nova equipe foi batizada de “FC Barcelona”, mesma estrutura do nome “FC Basel”, ganhou cores semelhantes azul e grená (substituta do vermelha do uniforme do clube suíço) e também um distintivo que remetia ao antigo time de Gamper.

O suíço disputou 48 partidas pelo Barça entre 1899 e 1903 e, segundo a lenda, marcou cerca de cem gols. Já aposentado, presidiu o clube por cinco mandatos e ocupou o cargo durante dez anos.

Foi em sua gestão que o time que no futuro revelaria ao mundo Pep Guardiola teve seu primeiro estádio próprio, o Carrer Indústria, e contratou seu primeiro grande ídolo, o atacante Paulino Alcántara.

Gamper cometeu suicídio em 1930, após anos de depressão pela acusação de que havia transformado o Barcelona em uma bandeira política pró-Catalunha agravada pela grave crise econômica mundial de 1929.

Quase 90 anos depois da morte do ex-jogador e ex-dirigente, o Basel está longe de ser tão poderoso quanto sua “filial”, mas também não costuma passar vergonha no futebol europeu.

Sempre lembrado por ser o clube do coração do tenista Roger Federer, o time conquistou as oito últimas edições do Campeonato Suíço e chega pela terceira vez em sete anos às oitavas de final da Champions.

Seus principais jogadores são o atacante Dimitri Oberlin, artilheiro do time na temporada, com nove gols, o meia norueguês Mohamed Elyounoussi, que já deu 12 assistências em 2017/18, e o voluntarioso lateral direito Michael Lang.

É com essas credenciais que o Basel vai tentar fazer jus ao posto de “matriz” do Barcelona para complicar a vida do Manchester City e de Guardiola nas oitavas da Champions.


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Neymar x Messi: Que time é mais dependente do seu astro, PSG ou Barça?
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Rafael Reis

Neymar foi para o Paris Saint-Germain no início da temporada para ser o líder de um time que sonha ganhar o título europeu. Lionel Messi já é o “cara” do Barcelona há cerca de uma década.

Mas, afinal, qual dos dois craques sul-americanos é mais essencial para o sucesso de seu time? E quem é mais dependente do futebol do seu maior astro, PSG ou Barça?

A primeira forma de se analisar essa questão é confrontar a participação dos jogadores no total de números marcados por cada equipe na atual temporada.

Desde que desembarcou no PSG, Neymar já balançou as redes 27 vezes e deu mais 16 assistências para seus companheiros marcarem. Ou seja, o brasileiro “criou” 43 gols para a equipe francesa.

O ataque do PSG, o mais positivo do futebol europeu em 2017/18, marcou 125 vezes na “era Neymar”. Isso significa que o camisa 10 participou ativamente de 34,4% de todos os gols marcados pelo time de Unai Emery.

Assim como o astro brasileiro, Lionel Messi também tem 27 tentos na temporada. Mas seu número de passes decisivos para gol é um pouco menor que o do antigo companheiro de Barça: 14.

Só que os 41 gols “produzidos” pelo argentino representam quase 47,1% de todas as vezes que o Barcelona foi às redes nos últimos seis meses, já que o clube espanhol acumula “apenas” 87 gols na soma de todas as competições que disputa.

Isso significa que, na quantidade de gols, o Barça é muito mais dependente de Messi do que o PSG em relação a Neymar.

O segundo método para se avaliar o nível de importância de cada jogador no elenco é medir o desempenho do time quando tem ele em campo e quando ele é desfalque.

E aí, quem leva a vantagem é o camisa o 10 brasileiro.

O aproveitamento do Barcelona quando não conta com o futebol de Messi já é muito bom: 77,8% dos pontos disputados (duas vitórias e uma empate). Mas fica ainda melhor quando utiliza seu principal jogador: 80,5% (27 vitórias, 6 empates e três derrotas).

O aproveitamento do PSG também cresce quando escala sua estrela máxima, o homem de 222 milhões de euros (R$ 893 milhões), mas em uma escala bem maior.

Nos jogos em que não utilizou o atacante brasileiro, a equipe francesa conseguiu 9 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Ou seja, conquistou 84,8% dos pontos possíveis. Com Neymar em campo, o aproveitamento subiu para 89,7% (23 vitórias, 1 empate e 2 derrotas).

Ou seja, se na construção de jogadas de gol, o Barça é mais dependente de Messi do que o PSG de Neymar, na obtenção de resultados positivos, o que acontece é justamente o contrário. Que tal um empate técnico?


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