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Arquivo : arábia saudita

Impulsionado por Copa em casa, “Mundo Árabe” gasta R$ 800 mi em reforços
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Rafael Reis

Os espanhóis Xavi e Gabi, o camaronês Samuel Eto’o e os holandeses Wesley Sneijder e Nigel de Jong jogam no Qatar. O nigeriano Ahmed Musa e os brasileiros Petros e Giuliano atuam na Arábia Saudita. Já o futebol dos Emirados Árabes conta com o meia Yohan Cabaye, ex-seleção francesa, e com o atacante Marcus Berg, titular da Suécia na Rússia-2018.

A quatro anos da primeira Copa que será realizada na região, o “Mundo Árabe” decidiu investir como nunca para se tornar um dos mais relevantes mercados da bola no planeta.

Giuliano

As cinco principais ligas nacionais da região (Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Marrocos) gastaram quase 190 milhões de euros (mais de R$ 820 milhões) em contratações na última janela de transferências. O investimento supera o de China, Estados Unidos e outros emergentes da bola. Só mesmo Inglaterra, Itália, Espanha, França e Alemanha torraram mais dinheiro em novos jogadores ao longo dos últimos meses.

Em relação à temporada passada, o crescimento no investimento é de 332%. Em 2017/18, o gasto dos clubes árabes com reforços não chegou nem a 44 milhões de euros (R$ 190 milhões). O principal motivo dessa arrancada mercadológica é a Copa do Mundo prevista para ser disputada no Qatar, em 2022. Um Mundial “em casa” aumenta o interesse local pelo futebol e atrai mais investimentos para a modalidade.

Fenômeno semelhante aconteceu no Brasil (2014) e na Rússia (2018), que gastaram acima do normal em reforços antes de mergulharem em crises econômicas que minaram o potencial de investimento. No caso específico do “Mundo Árabe”, há pelo menos mais três motivos que ajudam a explicar esse crescimento exacerbado de investimentos.

O primeiro é o preço do petróleo, principal fonte de renda do Oriente Médio. Desde 2016, o valor do barril do combustível no mercado internacional mais do que dobrou: saltou da casa de US$ 30 (R$ 130) para os atuais R$ 77 (R$ 333,5). Além disso, a perda de espaço do Estado Islâmico e de outros grupos armados semelhantes diminuiu a ameaça terrorista na região. Com isso, os governos e também os donos da grana puderem se concentrar em outros temas, como o futebol.

O terceiro motivo é um homem. O xeque Turki Al-Sheikh é ministro dos Esportes da Arábia Saudita, presidente do Comitê Olímpico do país e principal nome do projeto que visa transformar o futebol da região. Só neste ano, o dirigente articulou a ida do técnico Fabio Carille, campeão brasileiro com o Corinthians em 2017, para o Al-Wehda, fez uma parceria de intercâmbio entre a Arábia Saudita e a Espanha e comprou um time no Egito (Pyramids FC) com a intensão de fazer dele um dos mais poderosos da África.

Os árabes são tradicionalmente uma das maiores forças do futebol na Ásia e faturaram sete títulos da Liga dos Campeões versão asiática. Mas a última conquista já tem sete anos. Desde que o Al-Sadd, do Qatar, faturou a taça, em 2011, sul-coreanos, chineses, australianos e japoneses têm se revezado no lugar mais alto do pódio do torneio.

ARÁBIA SAUDITA
Investimento (2018/19): 120,7 milhões de euros
Principais reforços (2018/19): Ahmed Musa (Al-Nassr), Giuliano (Al-Nassr), Romarinho (Al-Ittihad), Petros (Al-Nassr) e Bafétimbi Gomis (Al-Hilal)

EGITO
Investimento: 40 milhões de euros
Principais reforços: Keno (Pyramids), Rodriguinho (Pyramids) e Ahmed El Shenawy (Pyramids)

EMIRADOS ÁRABES
Investimento: 12,6 milhões de euros
Principais reforços: Igor Coronado (Al-Sharjah) e Ryan Mendes (Al-Sharjah)

QATAR
Investimento: 6,4 milhões de euros
Principais reforços: Nigel de Jong (Al-Ahli), Samuel Eto’o (Qatar SC) e Edmilson Junior (Al-Duhail)

MARROCOS
Investimento: 4,2 milhões de euros
Principais reforços: Badie Aouk (Wydad) e Ibrahim El Baz (Wydad)


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Fiasco no Corinthians, argentino ficou desempregado e está há 1 ano sem gol
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Rafael Reis

Nove anos atrás, o Corinthians desembolsou US$ 4,5 milhões (R$ 17,5 milhões, na cotação atual) para ter o “novo Messi”. Bem, pelo menos esse era o apelido de Matías Defederico no pequeno Huracán, da Argentina.

Quase uma década depois, a comparação com o camisa 10 do Barcelona se mostrou uma das mais equivocadas.

Defederico não só não deu certo no Corinthians, como também fracassou em outros nove clubes de sete países diferentes (Argentina, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Chile, Índia, Equador e Espanha).

Hoje aos 28 anos, o meia-atacante tenta recomeçar mais uma vez. Mas o que lhe restou foi jogar no Al-Kawkab, da segunda divisão da Arábia Saudita.

A situação atual ainda é melhor do que a de alguns meses atrás. Defederico está sem jogar desde o começo de dezembro, quando encerrou sua passagem pela equatoriana Universidad de Quito.

Desempregado, a antiga promessa do Corinthians chegou a cogitar dar um tempo na carreira nos gramados para participar da próxima edição do “Bailando por un Sueño”, uma espécie de “Dança dos Famosos” da TV argentina.

O contrato com o Al-Kawkab congelou essa ideia e fez com que Defederico voltasse a sonhar com os gols –não balança as redes há mais de um ano desde o empate por 1 a 1 do seu último time com o Emelec, em 9 de julho de 2017.

O meia-atacante só não caiu no esquecimento em sua terra natal porque é um personagem frequente dos programas de TV sobre celebridades e dos sites que publicam fofocas de famosos na Argentina.

Defederico costuma usar a mídia (e também suas redes sociais) para trocar farpas com a ex-mulher, a dançarina Cinthia Fernández, mãe das suas três filhas, com quem foi casado durante sete anos.

O relacionamento, que foi marcado por escândalos, vazamento de sextape e denúncias de casos extraconjungais, chegou ao fim em janeiro. Desde então, o ex-casal tem lavado a roupa suja em público.

Defederico permaneceu contratado pelo Corinthians entre 2009 e 2013, mas disputou menos de 40 jogos pelo clube paulista. Ele também participou de dois amistosos pela seleção argentina, um em 2009, contra o Panamá, e outro em 2011, ante a Venezuela.


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Do outro lado do mundo: 7 brasileiros que brilham no futebol asiático
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Rafael Reis

Onde estão os principais jogadores brasileiros da atualidade? A reposta é óbvia: Europa. Afinal, é essa a casa de Neymar, Marcelo, Philippe Coutinho, Alisson e dos outros integrantes da base da seleção.

Mas o Velho Continente não é o único que dá espaço para o futebol pentacampeão mundial.

Assim como acontece com os grandes times europeus, os maiores clubes da Ásia também costumam investir pesado (dentro de suas realidades) em jogadores brasileiros. E vários deles acabam se tornando ídolos por lá.

É por isso que mercados como China, Japão e o famigerado “Mundo Árabe” vêm ao Brasil anualmente para contratar atletas que andam se destacando por aqui.

Apresentamos abaixo sete jogadores brasileiros que se destacam no futebol do continente mais populoso do planeta.

RENATO AUGUSTO
Meia
30 anos
Beijing Guoan (CHN)

Único jogador brasileiro a disputar uma Copa do Mundo (2018) enquanto defendia um clube da China, o ex-Corinthians é o cérebro do melhor time do país na atualidade, o Beijing Guoan. Em sua terceira temporada no Oriente, Renato Augusto já marcou quatro vezes e deu sete passes para gol em 14 partidas. É graças às suas boas atuações que o time da capital chinesa ocupa a liderança da Superliga e virou o principal candidato a acabar com a hegemonia de sete anos do Guangzhou Evergrande na competição.

ADRIANO
Atacante
30 anos
Jeonbuk Hyundai (CDS)

O atacante, que ficou famoso no Palmeiras pelo bom humor mostrado nas comemorações de gol e entrevistas, virou uma máquina de balançar as redes na Coreia do Sul. Adriano “Michael Jackson” chegou ao país em 2014 e precisou ralar na segunda divisão antes de chegar a uma das equipes mais poderosas da região, o Jeonbuk Hyundai. O melhor ano de Adriano em território sul-coreano foi 2016, quando foi artilheiro da Champions asiática e entrou para a seleção do campeonato nacional.

RICARDO GOULART
Atacante
27 anos
Guangzhou Evergrande (CHN)

Três títulos nacionais em três anos de China, uma taça de Liga dos Campeões da Ásia, um prêmio de melhor jogador do futebol asiático e dois de craque máximo do Campeonato Chinês. Os troféus conquistados por Ricardo Goulart desde 2015 mostram o tamanho que ele alcançou do outro lado do mundo. Um tamanho que não passa despercebido por aqui. Afinal, vira e mexe algum clube brasileiro cogita repatriar o ex-Cruzeiro. E desiste depois de perceber como ficou difícil tirá-lo da China.

PATRIC
Atacante
30 anos
Sanfrecce Hiroshima (JAP)

Pouco conhecido no Brasil, o centroavante teve uma passagem apagada pelo Vasco, também defendeu Atlético-GO, Fortaleza e Salgueiro e está emprestado ao Sanfrecce Hiroshima desde o ano passado. Nesta temporada, tornou-se o principal homem-gol do futebol japonês e um dos destaques do time que lidera a J League. Em 18 partidas pela competição, Patric já marcou 12 vezes.

ELKESON
Atacante
29 anos
Shanghai SIPG (CHN)

Um dos primeiros brasileiros a fazer sucesso na China, o atacante ex-Botafogo joga por lá desde 2013, já conquistou três títulos nacionais e foi duas vezes artilheiro da competição. Com 83 gols marcados, Elkeson é o maior goleador estrangeiro da história da liga profissional chinesa e caminha para se tornar o artilheiro máximo da primeira divisão –está a cinco bolas nas redes de alcançar a marca do chinês Han Peng.

ROMARINHO
Atacante
27 anos
Al-Jazira (EAU)

Xodó da torcida corintiana no começo da década, construiu uma carreira sólida no “Mundo Árabe”, onde joga desde 2014. Foram três temporadas defendendo o El-Jaih, do Qatar, antes da transferência para o Al-Jazira, em agosto passado. Logo no primeiro ano no novo clube, ganhou a Champions asiática e foi um dos artilheiros do Mundial de Clubes.

CARLOS EDUARDO
Meia
28 anos
Al-Hilal (ARA)

Outro exemplar daquele tipo de jogador brasileiro que alcança a fama longe de sua terra natal, o meia até chegou a defender o Fluminense antes de se mandar para o exterior, mas é pouco lembrado por aqui. Carlos Eduardo passou pelo Porto, teve uma passagem de destaque no Nice, mas virou ídolo mesmo foi na Arábia Saudita. Na última temporada, foi um dos destaques da Liga dos Campeões da Ásia e ajudou sua equipe a chegar até a final.


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Envelhecida, Rússia recebe a Copa com seleção “soviética”
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Rafael Reis

O zagueiro Sergei Ignashevich tinha 12 anos, estava completamente alfabetizado e já possuia alguma noção de política quando o país onde nasceu e viveu durante toda a infância chegou ao fim.

Assim como o veterano defensor do CSKA Moscou, outros 16 jogadores da seleção anfitriã da Copa do Mundo-2018 não foram registrados como russos quando vieram ao mundo.

Todos eles, com exceção do lateral direito Mário Fernandes, brasileiro de nascimento e naturalizado há apenas dois anos, são remanescentes da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Apesar de a antiga potência dos tempos de Guerra Fria ter sido dissolvida oficialmente há quase 27 anos, no dia 25 de dezembro de 1991, para dar lugar a 15 países independentes, os soviéticos ainda são maioria na seleção que abre a Copa contra a Arábia Saudita, nesta quinta-feira, no estádio Luzhniki, em Moscou.

Prova de como o técnico Stanislav Cherchesov falhou na missão de levar à Copa um grupo rejuvenescido, cheio de gente nova e alheio às marcas dos insucessos recentes do país –parou na fase de grupos do Mundial-2014 e nas Euros-2012 e 2016.

No lugar de renovação, a Rússia chegou a 2018 com os mesmos envelhecidos rostos de sempre. Ignashevich já tem 38 anos. Aleksandr Samedov, 33. O goleiro Igor Akinfeev, 32. E há ainda os trintões Vladimir Gabulov. Fyodor Kudryashov e Vladimir Granat.

As caras realmente novas são poucas e podem ser contadas nos dedos das mãos. O meia Aleksandr Golovin, 22, maior revelação do CSKA nos últimos tempos, e os irmãos gêmeos Anton e Aleksei Miranchuk, 22, campeões nacionais pelo Lokomotiv Moscou nesta temporada.

O trio faz parte do pequeno grupo de jogadores da seleção anfitriã que são genuinamente russos. Para eles, URSS, comunismo e Guerra Fria contra os EUA foram apenas conteúdo das aulas de história e lembranças de infância dos companheiros de time.

Além de Rússia e Arábia Saudita, Egito e Uruguai também fazem parte do Grupo A da Copa do Mundo. A competição começa nesta quinta e terá a final disputada no dia 15 de julho, novamente em Moscou.


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Comparado a Maradona em 94, saudita ficou preso e foi açoitado em público
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Rafael Reis

Uma arrancada que começou na intermediária defensiva, atravessou o campo, com direito a quatro adversários driblados e um toque na saída de Michel Preud’Homme, um dos melhores do planeta na época.

O gol marcado Saeed Al-Owairan na vitória por 1 a 0 sobre a Bélgica, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo-1994, foi eleito o mais bonito da competição. E transformou a vida do meia-atacante da Arábia Saudita. Para o bem e para o mal.

Graças a essa obra de arte, a seleção asiática conseguiu avançar às oitavas de final logo em sua primeira participação no Mundial.

Além disso, o gol rendeu a Al-Owairan o apelido de “Maradona árabe”, uma referência clara ao tento histórico anotado pelo craque argentino contra a Inglaterra, oito anos antes, na Copa-1986.

Do dia para a noite, o camisa 10 da Arábia Saudita se transformou em uma celebridade do mundo da bola.

Al-Owairan virou garoto-propaganda para o Oriente Médio de várias marcas importantes, como Coca-Cola e Ford, e uma espécie de embaixador do país no exterior. Também ganhou muito dinheiro e só não foi jogar na Europa porque as leis sauditas da época não permitiam a saída para o exterior.

Mas o sucesso dentro de campo e no mercado publicitário foi também o início de sua derrocada.

Em 1996, dois anos após o lance que o levou ao estrelado, Al-Owairan fugiu da concentração do Al-Shabab, clube saudita que defendeu durante toda a carreira, durante uma viagem ao Cairo, capital do Egito.

O astro foi flagrado em uma boate bebendo ao lado de garotas de programa russas, cometendo dois pecados graves de acordo com o Islã. Para piorar, tudo isso aconteceu durante o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, quando os fiéis devem respeitar jejum do nascer ao pôr do sol e se abster de práticas sexuais.

Mesmo com toda a fama de Al-Owairan, o governo saudita foi implacável com ele. Para servir de exemplo ao resto da população, o jogador foi proibido de jogar futebol por oito meses, ficou preso durante meio ano e acabou açoitado em praça pública.

Após cumprir suas penas, meia-atacante retornou ao esporte no ano seguinte, participou da Copa de 1998 e abandonou os gramados depois de alguns meses. Ele ainda é um dos dez maiores goleadores da história da seleção saudita, com 24 bolas na rede em 75 partidas.

“O gol contra a Bélgica foi uma faca de dois gumes para mim. De alguma forma, foi ótimo; de outra, foi horrível, porque me colocou nos holofotes, e todo mundo passou a se concentrar em mim”, disse, em entrevista ao “New York Times”, em 1998.

De volta às Copas do Mundo depois da ausência nas duas últimas edições, a Arábia Saudita faz o jogo de abertura da competição, contra a Rússia, no dia 14, em Moscou. Uruguai e Egito são as outras seleções do Grupo A.


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Na Arábia Saudita, até comemoração de gol é motivo para prisão
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Rafael Reis

Assassinato, assalto, tráfico de drogas, estupro, racismo, desvio de dinheiro público, deixar de pagar pensão alimentícia ao filho. São vários os motivos que podem levar alguém para a prisão.

Na Arábia Saudita, essa lista de crimes coibidos com a reclusão inclui até mesmo uma comemoração de gol.

Um jogador do Al-Nojoom, lanterna da segunda divisão saudita, corre risco de ser processado e até preso depois de ter festejado um gol marcado por seu time com um gesto proibido pelas autoridades do país.

O atacante Saad al-Harbi festejou um dos gols da sua equipe na Copa do Rei da Arábia Saudita fazendo o “dab”, um passo de dança que se tornou mania entre adolescentes e jovens do mundo todo nos últimos dois anos.

O gesto, que consiste em dobrar um dos braços e colocar seu rosto atrás de um dos cotovelos, enquanto o outro braço fica completamente esticado, é um pouco parecido com o “raio” de Usain Bolt e apareceu na comemoração de gols de vários astros do futebol mundial, como o francês Paul Pogba e o espanhol Sergio Ramos.

Só que o DAB é terminante proibido na Arábia Saudita por estar “relacionado ao consumo de drogas por jovens”, segundo as leis do país. No ano passado, um cantor chegou a ser preso por lá depois de fazer o gesto.

Localizada no Oriente Médio, a Arábia Saudita é um reino cheio de restrições para sua população de mais de 28 milhões de pessoas. E elas vão além das imposições já trazidas pela religião islâmica.

Para se ter uma ideia, nenhum jogador de futebol nascido no país e com cidadania apenas saudita tem direito de atuar no exterior. Por isso, a seleção que vai disputar a Copa-2018 deve ser formada apenas por atletas locais, fato raro em tempos de futebol tão globalizado.

Já a presença feminina em estádios é uma novidade recente, muito recente, e só foi liberada após um decreto feito em setembro. O primeiro jogo de futebol que contou com mulheres nas arquibancadas foi disputado quatro meses mais tarde, na última sexta-feira.


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