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Van Dijk adiantou parto da filha para não perder estreia na seleção

Rafael Reis

20/09/2019 04h00

O que você faria se sua esposa estivesse grávida do seu primeiro filho e você recebesse uma inédita convocação para defender a seleção principal do seu país em jogos que aconteceriam justamente no período programado para o parto?

Foi esse o dilema com o qual Virgil van Dijk, campeão europeu pelo Liverpool e um dos três finalistas do prêmio de melhor do jogador do mundo na temporada 2018/19, teve de se deparar em 2014.

Crédito: Carl Recine/Reuters

Aos 23 anos, o zagueiro brilhava pelo Celtic (ESC), vivia então os melhores dias de sua carreira e havia sido recompensado com o convite para jogar pela Holanda contra Itália e República Tcheca. Ao mesmo tempo, não queria perder o nascimento da primogênita.

A solução encontrada pelo defensor gerou polêmica e foi criticada até mesmo pelos torcedores neerlandeses. Van Dijk e sua mulher decidiram antecipar o parto de Nila e fizeram uma cesárea de última hora para que o jogador não abdicasse de nenhum dos dois acontecimentos.

Coincidência ou não, o zagueiro não saiu do banco em nenhuma das duas partidas e ainda precisou esperar mais de um ano para, enfim, estrear oficialmente pela Holanda –jogou os 90 minutos da vitória 2 a 1 sobre o Cazaquistão, em outubro de 2015.

Cinco anos depois, ele é o capitão e principal jogador da seleção laranja. Mas ainda carrega impresso em seu uniforme uma grande ferida familiar.

Filho de um holandês com uma surinamesa, Van Dijk faz questão de estampar em suas camisas de jogo apenas o nome Virgil. A opção de esconder seu sobrenome paterno é uma mensagem a seu pai, que abandonou a família quando ele ainda era criança.

O patriarca até tentou uma reaproximação com o zagueiro depois que ele se transformou em profissional e começou a se destacar no Groningen, ainda no futebol holandês. Mas, quando isso aconteceu, o finalista do prêmio de melhor do mundo já havia passado por muita coisa.

O episódio mais marcante havia acabado de acontecer. Pouco depois de se profissionalizar, o jogador teve uma apendicite aguda e precisou ser operado às pressas. A inflamação atingiu outros órgãos e colocou sua vida em risco. Com medo de morrer, ele chegou a assinar um testamento deixando tudo que tinha para sua mãe.

Único dos finalistas da eleição de melhor do mundo que estreia entre os indicados, Virgil van Dijk disputa o prêmio de craque de 2019 contra o português Cristiano Ronaldo (Juventus) e o argentino Lionel Messi (Barcelona). Cada um deles já levou cinco troféus para a casa.

A única conquista de um zagueiro acontece há 13 anos, quando o italiano Fabio Cannavaro subiu ao lugar mais alto do pódio. Antes, o alemão Lothar Matthaüs, que se alternava entre líbero e meio-campista, havia ganho o pleito de 1991.

Os vencedores do "The Best" serão conhecidos nesta segunda-feira, em Milão (ITA), durante a cerimônia anual das várias premiações distribuídas pela Fifa. No feminino, concorrem as norte-americanas Alex Morgan e Megan Rapinoe, além da inglesa Lucy Bronze.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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