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Quando o Brasil vai voltar a ter um jogador eleito o melhor do mundo?

Rafael Reis

20/09/2019 04h20

A Fifa realiza na próxima segunda-feira, em Milão (ITA), sua cerimônia anual de celebração dos melhores do futebol mundial. Desta vez, concorrem ao prêmio principal um argentino (Lionel Messi), um holandês (Virgil van Dijk), um português (Cristiano Ronaldo) e nenhum brasileiro.

Apesar de ainda ser o maior vencedor das eleições da Fifa, com oito vitórias no masculino (três de Ronaldo, duas de Ronaldinho Gaúcho e uma de Romário, Rivaldo e Kaká), o único país pentacampeão mundial já amarga um jejum de 12 anos na premiação.

Crédito: AFP

Desde que Kaká derrotou os então jovens em início de carreira Messi e CR7, em 2007, o Brasil nunca mais foi o protagonista da cerimônia. Nesse tempo todo, só subiu ao pódio duas vezes, ambas com Neymar, terceiro colocado em 2015 e 2017.

Mas, quando será que nosso futebol será capaz de reverter essa situação? Será que falta muito para voltarmos a produzir um vencedor das eleições de melhor do planeta?

É claro que o esporte mais popular do planeta está longe de ser uma ciência exata e é propício para reviravoltas que o colocam de cabeça para baixo de uma hora para outra. No entanto, pelo cenário atual, as perspectivas brasileiras não são nada animadoras.

Já faz tempo que Neymar é o único verdadeiro candidato brasileiro ao posto de melhor do planeta. Mas seus melhores dias no prêmio da Fifa parecem já ter ficado para trás. Nos dois últimos anos, ele sequer apareceu entre os dez indicados ao troféu.

Além da obrigatoriedade hercúlea de levar o Paris Saint-Germain à conquista da Champions para poder brigar na eleição, o camisa 10 tem um outro peso que pode ser determinante em uma eleição popular: a enorme rejeição global que vem construindo desde a Copa-2018.

O problema para o Brasil é que Neymar continua sendo o único protagonista do país em uma equipe de ponta da Europa. Alisson e Roberto Firmino até são importantes para o Liverpool, atual campeão europeu, mas estão abaixo de Mohamed Salah e Van Dijk na hierarquia dos Reds.

Mesmo entre a nova geração, aquela que brigará pelos prêmios individuais em um futuro breve, o futebol brasileiro parece estar largando atrasado.

Enquanto Vinícius Júnior, nosso principal expoente jovem, ainda sofre para se firmar no Real Madrid e deve encarar uma temporada com a maior parte do tempo na reserva, o francês Kylian Mbappé já é campeão do mundo e coprotagonista do PSG, o inglês Jadon Sancho brilha semanalmente no Borussia Dortmund e o português João Félix curte o estrelato no Atlético de Madri.

Isso significa que nenhum brasileiro vencerá o prêmio de melhor do mundo pelos próximos cinco ou dez anos? Não necessariamente.

A seleção pode ganhar a próxima Copa e praticamente "obrigar" o colégio eleitoral a consagrar algum jogador do país com o prêmio. Outra opção é alguém explodir tardiamente e surgir como uma avalanche –vale lembrar que, até um ano e meio atrás, Van Dijk era zagueiro do Southampton.

Mas não será nenhuma surpresa se o jejum brasileiro ainda durar uns bons anos. Por enquanto, os maiores craques do planeta não são nossos, mas dos outros.

Em tempo: apesar de ter declarado há três meses, aqui neste mesmo espaço, que meu voto de melhor da temporada 2018/19 iria para Messi, acredito que o vencedor da eleição da Fifa será Van Dijk, único estreante entre os finalistas.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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