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Time espanhol defende Terra Plana, questiona ciência e chama Nasa de fraude

Rafael Reis

02/09/2019 04h00

Em meio aos gritos de apoio para empurrar a equipe às vitórias, a pequena torcida do Flat Earth FC grita que a "Nasa é uma fraude" e que "toda a ciência não passa de uma grande mentira".

Os cânticos não são coibidos pela diretoria da equipe que disputa o Grupo da Comunidade de Madri da Terceira Divisão espanhola, equivalente à uma Série D do país. Afinal, eles foram compostos pelos próprios cartolas.

Crédito: Divulgação

O Flat Eath FC (Terra Plana FC, em tradução literal para o português) é um clube de quem considera que a ideia de que nosso planeta é redondo não passa de uma grande teoria da conspiração.

Sim, o movimento terraplanista, que tanto barulho e polêmica vendo provocando nas redes sociais ao longo dos últimos anos, agora possui um time profissional de futebol para chamar de seu.

O clube foi "fundado" nesta temporada. Na verdade, não passa de um novo nome e uma outra roupagem para o Móstoles Balompié, equipe da capital espanhola que nunca fez nada de muito relevante no cenário nacional.

"Criar um clube terraplanista é a melhor forma de ter presença constante na mídia. Além disso, seremos o primeiro clube associado a uma causa, a uma ideia, sem ter uma localização específica. Um novo modelo que explora a descentralização no mundo do futebol", diz comunicado disponível em seu site oficial.

O Flat Earth é dirigido por Javier Poves, um ex-zagueiro de 32 anos que passou pelas categorias de base do Atlético de Madri, jogou no Sporting Gijón e resolveu se aposentar precocemente para divulgar ao mundo sua crença de que a Terra é plana.

"Vivemos em um mundo chato. Tudo é tão monótono, sempre com as mesmas ideias. Chegou a hora de acelerar um pouco essa frequência cardíaca", disse o presidente do clube, ao jornal espanhol "As".

Poves é também o compositor de boa parte dos gritos de guerra que embalam a torcida do Flat Earth. Antes de cada jogo, os apoiadores recebem um folheto da diretoria com 19 canções que representam os ideais da equipe.

Elas incluem ataques à Agência Espacial Norte-Americana, à ideia de que a ciência é a melhor forma de explicar o mundo e ao astronauta Pedro Duque, atual Ministro da Ciência na Espanha.

"Os anos vão passando, e tudo mudará. Flat Earth, eu te amo e estarei contigo até o final. Despertamos consciência e buscamos a verdade", diz outra canção.

Independente de qualquer questão ideológica e das ideias que prega, o clube já entrou para a história no futebol espanhol. Isso porque ele é o primeiro time masculino a ser treinado por uma mulher.

Em sua temporada de estreia, o Flat Earth é comandado por Laura del Río, ex-jogadora com mais de 40 jogos pela seleção espanhola.

"Não sou terraplanista. Minha função é treinar a equipe. Não é preciso ser terraplanista para fazer parte deste time. Queremos romper fronteiras e fazer as pessoas pensarem a respeito da visão de mundo que elas possuem. Para ser deste clube, só não é necessário ter a mente aberta e ser questionador."

Como não está na Copa do Rei, o Flat Earth ainda não poderá enfrentar nesta temporada Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri. No entanto, caso termine seu grupo da Terceira Divisão na primeira ou segunda colocação, a equipe dos terraplanistas poderá cruzar o caminho dos gigantes da Espanha já na próxima temporada.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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