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Por que a China "descarta" tantos jogadores, como Henrique Dourado?

Rafael Reis

24/07/2019 04h00

Artilheiro do Campeonato Brasileiro-2017, Henrique Dourado só disputou uma partida pelo Henan Jianye, clube que o contratou no início do ano. Mas já está prestes a deixar a China para retornar ao futebol nacional.

Recuperando-se de uma fratura na tíbia da perna direita e sem jogar há quase cinco meses, o centroavante não foi inscrito no segundo turno do Campeonato Chinês e deve voltar ao Brasil para não ficar sem atuar profissionalmente até dezembro.

O centroavante primeiro foi oferecido ao Flamengo. Agora, está tendo seu empréstimo analisado pelo Palmeiras, que seria responsável por pagar uma ajuda de custo ao jogador para morar em São Paulo.

Crédito: Reprodução

A situação de Dourado é bastante atípica para quem está acostumado a acompanhar apenas o futebol sul-americano e os campeonatos europeus. No entanto, tem sido bastante recorrente na China.

Como só podem inscrever quatro estrangeiros não-asiáticos (além de um com cidadania de algum dos países do continente) em sua liga nacional, os times da nação mais populosa do planeta dão muito valor para cada uma dessas vagas destinadas aos gringos.

O resultado dessa política é que os clubes chineses não toleram muito os problemas físicos e as quedas de rendimento dos jogadores estrangeiros. Na prática, se esse atleta não dá o resultado esperado ou sofre alguma lesão que o deixará fora dos gramados por algumas meses, ele rapidamente é substituído por uma nova contratação.

Em 2016, Jô retornou ao Brasil para defender o Corinthians depois de não ser inscrito pelo Jiangsu Suning na metade final do Chinês. Recém-repatriado pelo Palmeiras, o meia Ramires ficou mais de um ano sem jogar pelo mesmo time devido a esse motivo.

O atacante Diego Tardelli, hoje no Grêmio, é outro que ficou na "geladeira"na Ásia. Três anos atrás, passou um semestre afastado do time principal do Shandong Luneng, mas acabou recuperando seu espaço na temporada seguinte.

Já neste ano, o meia colombiano Fredy Guarín, que passou pela Inter de Milão e era até pouco tempo atrás uma das principais estrelas do futebol asiático, passou pela mesma situação e acabou liberado pelo Shanghai Shenhua no mês passado, depois da contratação do italiano Stephan El-Shaarawy.

No caso de Dourado, o problema foi físico. O ex-jogador de Palmeiras, Cruzeiro, Fluminense e Flamengo se lesionou logo em sua estreia pelo Henan Jianye. No dia 3 de março, ele fez o gol do empate por 1 a 1 com o Dalian Yifang e precisou ser substituído no fim do primeiro tempo.

Sem poder contar com seu principal homem de frente, o clube foi ao mercado e recontratou no mês passado o também atacante brasileiro Fernando Karanga (ex-CSKA Sofia), que já havia passado por lá na temporada passada.

Com isso, ocupou todas as suas quatro vagas para jogadores estrangeiros não-asiáticos, já que conta ainda com o meia brasileiro Ivo e com os camaroneses Christian Bassogog e Franck Ohandza. Assim, o clube ficou sem espaço para inscrever Dourado no segundo turno do Chinês.

O Henan Jianye está longe de ser um dos clubes mais poderosos da China. Na atual edição da Superliga, ocupa apenas a 11ª colocação. Em 19 partidas, somou apenas 21 pontos, 28 a menos que o líder da competição, o Guangzhou Evergrande.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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