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Brasileiro fez 6 no time sensação da Europa e conta pontos fracos do Ajax

Rafael Reis

25/04/2019 04h00

Para quase todo mundo, o Ajax da atual temporada é o time envolvente, de futebol ofensivo e cheio de talentos individuais que colocou na roda Juventus e Real Madrid para conseguir chegar às semifinais da Liga dos Campeões.

Só que o zagueiro brasileiro Eric Botteghin, que atua na Holanda há 12 anos e defende o Feyenoord desde 2015, prefere uma outra imagem da equipe que se tornou a sensação do futebol europeu em 2018/19.

Crédito: Divulgação/Feyenoord in Beeld

Quando ouve o nome Ajax, o ex-jogador de Barueri e Internacional automaticamente se lembra do dia 27 de janeiro. Três meses atrás, ele ajudou seu time a aplicar um sonoro 6 a 2 sobre o adversário do Tottenham nas semifinais da Champions League.

A goleada teve proporções históricas. O Feyenoord não marcava seis gols em uma única partida contra o clube de Amsterdã há 55 anos e não vencia o arquirrival no Campeonato Holandês desde 2012.

"Sabe aqueles dias em que tudo dá certo? Então, foi o que aconteceu. Na verdade, a gente atropelou. Eles até tiveram algumas chances no início do jogo. Mas, depois do empate por 2 a 2, fomos para cima, e eles não viram mais a cor da bola. Demos tudo de nós naquela partida", relembra Eric.

E não pense que o Ajax estava poupando jogadores para a Champions League e foi a campo com um time misto. Que nada. A equipe que levou 6 a 2 do Feyenoord tinha boa parte dos jogadores que conquistaram a Europa nos últimos meses, como Matthijs de Ligt, Frenkie de Jong, Donny van de Beek e Dusan Tadic. O brasileiro David Neres, que era reserva na época, entrou no segundo tempo.

A sensação europeia até saiu na frente, com um gol de Lasse Schöne, logo aos 8 minutos de jogo. Mas o Feyenoord marcou duas vezes e virou. Hakim Ziyech decretou o empate ainda antes do intervalo. Só que aí, os mandantes não pararam mais de balançar as redes: foram mais quatro gols, dois deles do veterano atacante Robin van Persie (ex-Arsenal e Manchester United), estrela e capitão da equipe.

"Dificultamos muito o jogo para eles porque entramos com muita força em todos os duelos individuais, então ganhamos no corpo a corpo. Aproveitamos também o fato de eles serem um time muito ofensivo. Como eles ficam muito adiantados no campo, roubávamos a bola e saíamos em contra-ataques mortais nas costas dos laterais. Foi assim que pegamos eles", conta o zagueiro.

Eric é o brasileiro com mais jogos na história do futebol holandês. Antes de defender o Feyenoord, clube pelo qual foi campeão nacional em 2017, ele já havia passado por Zwolle, NAC Breda e Groningen.

Com 221 partidas só da primeira divisão no currículo e ciente das rivalidades existentes no país, ele nem se atreve em vislumbrar uma torcida pelo Ajax na reta final da Champions League. Mas admite que a campanha do rival é benéfica até para o seu time.

"Eles já fizeram o trabalho deles, que era ajudar a Holanda a conquistar uma vaga direta para a fase de grupos nas próximas temporadas. Eu assisto aos jogos porque gosto, não torço contra ou a favor. Para mim, não interessa mais."

Mesmo com o resultado histórico conquistado há três meses, o Feyenoord está longe da briga pelo título holandês da temporada. Na terceira colocação, tem 21 pontos a menos que o Ajax, líder da competição, e 20 de desvantagem para o PSV Eindhoven, que também luta pela taça.

Quatro vezes campeão europeu (1971, 1972, 1973 e 1995), o Ajax inicia na terça-feira a disputa com o Tottenham por uma vaga na decisão da Liga dos Campeões. Na quarta, Barcelona e Liverpool abrem o duelo para definir o outro finalista.

A decisão da Champions está marcada para o dia 1º de junho e será disputada no estádio Wanda Metropolitano, casa do Atlético de Madri, na capital espanhola.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis