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Rafael Reis

Rival do Palmeiras vive crise com cartola que quer comandar Buenos Aires

Rafael Reis

02/04/2019 04h00

Adversário do Palmeiras nesta terça-feira, em jogo válido pela terceira rodada do Grupo F da Libertadores, o San Lorenzo tem como grande objetivo do ano conquistar pela segunda vez na história o título mais importante do futebol sul-americano.

Mas essa é a meta do clube, não do seu mandatário. O que Matías Lammens deseja de 2019 é consolidar seu nome dentro da política argentina, conquistar um cargo público e virar o grande nome da oposição ao presidente do país, Mauricio Macri.

Crédito: Reprodução

O advogado já anunciou que deixará o comando do San Lorenzo no final deste ano. Seu plano é fundar um novo partido alinhado aos ideais da social-democracia e concorrer na eleição para a prefeitura de Buenos Aires, em outubro.

Curiosamente, esse caminho é semelhante ao percorrido Macri. O atual presidente argentino dirigiu o Boca Juniors durante 12 anos e de lá saiu para administrar a capital federal, em 2007. Após dois mandatos, chegou ao posto máximo do país.

Lammens tem só 38 anos e ocupa a presidência do San Lorenzo desde 2012. Ele assumiu o cargo amparado pelo apoio de Marcelo Tinelli, seu vice, que é apresentador de televisão e uma espécie de "Faustão argentino".

Em apenas dois anos, a dupla tirou o clube de uma situação de quase falência e o levou à conquista inédita da Libertadores-2014. Rapidamente, eles ganharam o status de "melhores administradores" do futebol da Argentina.

Só que a fama não durou muito. Nas duas últimas temporadas, a equipe não brigou pela taça. Na atual, a situação ficou ainda pior: o San Lorenzo ocupa a lanterna de uma primeira divisão que conta com 26 times.

O clube ainda foi punido com a perda de seis pontos por irregularidades na inscrição de jogadores na competição e também por atrasos de salário.

Em entrevista à rádio La Red, Lammens culpou a política econômica de Macri pela punição. "Essa foi uma situação excepcional, não há motivo para sanções. Nossos contratos foram feitos antes do ocorrido com o dólar [desvalorização do peso frente à moeda norte-americana]."

Desde então, protestos contra o presidente da Argentina têm sido rotineiros nas arquibancadas do Nuevo Gasómetro. Mas nem toda a torcida comprou essa versão: há também aqueles que têm usado as redes sociais para acusar o mandatário do San Lorenzo de ter abandonado o clube em prol de sua trajetória política.

Enquanto o Palmeiras venceu seus dois primeiros jogos na Libertadores (2 a 0 contra o Junior Barranquilla-COL e 3 a 0 ante o Melgar-PER), o time argentino soma quatro pontos na competição e ocupa a vice-liderança do Grupo F.

Nesta terça, o time dirigido por Luiz Felipe Scolari não poderá contar com o meia-atacante Ricardo Goulart, que ficou no Brasil para fazer um trabalho de condicionamento físico. O zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, com dores no tornozelo, é dúvida para a partida que vale o primeiro lugar da chave.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.