Blog do Rafael Reis

Em 10 anos, mais da metade dos brasileiros do Shakhtar chegou à seleção

Rafael Reis

O Shakhtar Donetsk é o caminho mais curto para a seleção brasileira? A afirmação, recorrente nas redes sociais a cada convocação de um novo jogador do atual campeão ucraniano, não tem como ser provada ou negada.

Mas fato é que, ao longo dos últimos dez anos, mais da metade de todos os jogadores brasileiros que vestiram a camisa laranja receberam pelo menos uma oportunidade na equipe pentacampeã mundial.

Desde 2008, 24 atletas da terra de Pelé, Ronaldinho e Neymar atuaram pelo Shakhtar. A conta não leva em consideração jogadores de dupla cidadania que acabaram optando por outras seleções, como Eduardo (Croácia), Marlos (Ucrânia) e Marcelo Moreno (Bolívia).

Desses 24 brasileiros, nada menos que 13 foram convocados no mínimo uma vez pelo Brasil.

E apenas quatro deles, o lateral-direito Ilsinho, o volante Fernando e os meias-atacantes Wellington Nem e Bernard, já chegaram ao Shakhtar como jogadores da seleção adulta.

Todos os outros vestiram a amarelinha pela primeira vez enquanto defendiam o clube ucraniano ou já depois de terem sido negociados para equipes mais expressivas do futebol europeu.

A lista está cheia de nomes consagrados, como o volante Fernandinho (Manchester City), que disputou as duas últimas edições da Copa do Mundo, além do meia Fred (Manchester United) e dos atacantes Douglas Costa (Juventus) e Taison (ainda no Shakhtar), que fizeram parte do elenco brasileiro na Rússia-2018.

Mas, afinal, qual é o segredo do clube ucraniano? Bem, ele tem muito mais a ver com sua atuação no mercado da bola do que com as teorias da conspiração que costumam aparecer na internet.

O Shakhtar tem uma espécie de obsessão por jovens talentosos brasileiros e costuma investir pesado para levá-los à Ucrânia. Só que para vencer a disputa com os times mais tradicionais e poderosos da Europa, é preciso identificar esses jogadores o mais cedo possível, antes de eles estrearem na seleção.

Foi isso que eles fizeram com Fernandinho. O volante foi contratado do Atlético-PR em 2005, quando tinha acabado de completar 20 anos e ainda defendia o Brasil sub-20. Cinco anos depois, o jogador ganhou sua primeira convocação para a seleção. E, em 2013, foi vendido ao City.

Como uma espécie de incubadora de talentos, o Shakhtar transforma ao longo do tempo jovens apostas brasileiras em realidades em nível suficiente para jogar na seleção. É esse o seu modelo de negócio, que vem dando certo há mais de dez anos.

A nova safra de jovens brasileiros no clube mais poderoso da Ucrânia conta com o meia Maycon (ex-Corinthians), de 21 anos, e com os atacantes Fernando (ex-Palmeiras) e Marquinhos Cipriano (ex-São Paulo), ambos de 19.

Então, é bom não se assustar se algum deles aparecer na convocação da seleção ao longo dos próximos anos.


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