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Como técnico foi de segundo pior da história a ídolo russo em 3 semanas

Rafael Reis

07/07/2018 04h00

Goleiro da seleção russa nas Copas de 1994 e 2002 e técnico da equipe há dois anos, Stanislav Cherchesov se tornou nas últimas semanas um dos nomes mais queridos do país anfitrião do Mundial-2018.

Afinal, pela primeira vez desde a dissolução da União Soviética, o país passou da primeira fase da competição mais importante de futebol do planeta, avançou pelas oitavas de final, chegou às quartas e joga neste sábado, contra a Croácia, em Sochi, por uma surpreendente classificação para a semifinal.

Situação bem diferente da vivida até o início do mês passado, quando Cherchesov era simplesmente o segundo treinador de pior desempenho de toda a história da seleção da Rússia.

Até o início da Copa, o cartel do ex-goleiro era de dar pena: cinco vitórias, seis empates e nove derrotas. Aproveitamento de apenas 35% dos pontos disputados, o segundo mais baixo dentre os 12 treinadores que passaram pelo time desde o fim da URSS.

O único treinador com desempenho inferior ao de Cherchesov foi o ucraniano Anatoliy Byshovets, que dirigiu o time em 1998 e perdeu todos os jogos que disputou. Não à toa durou só seis partidas no cargo.

O atual comandante russo chegou ao Mundial com um jejum de vitórias que já durava oito meses e sete apresentações. Derrotas para seleções que nem se classificaram para a Copa, como Áustria e Costa do Marfim, também não ajudavam a aliviar sua barra.

O temor de fracasso era geral, ainda mais depois das contusões de jogadores que seriam titulares, como os zagueiros Viktor Vasin (CKSA Moscou) e Giorgi Jikia (Spartak Moscou) e o atacante Aleksandr Kokorin (Zenit).

Mas tudo mudou assim que a bola rolou na Rússia. Os anfitriões estrearam metendo 5 a 0 na Arábia Saudita, fizeram um convincente 3 a 1 no Egito e perderam a partida que podiam (3 a 0 ante o Uruguai, no encerramento da fase de grupos).

Nas oitavas, seguraram a Espanha, campeã mundial de 2010, e conseguiram a classificação nos pênaltis. A preocupação de um vexame histórico deu lugar ao sonho da conquista de um título inédito.

Os números de Cherchesov, técnico que teve como grande momento de sua carreira a vitória no Campeonato Polonês de 2016, pelo Legia Varsóvia, continuam não sendo grande coisa. Seu aproveitamento na seleção agora subiu para 38,9%. Mas vocês acham que alguém na Rússia está ligando para isso?


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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