Topo
Blog do Rafael Reis

Blog do Rafael Reis

Copa do placar magro caminha para recorde de 1 a 0

Rafael Reis

22/06/2018 04h20

Está sentindo falta de gols na Copa do Mundo? Não é à toa. Apesar de ainda não ter tido nenhum 0 a 0, a competição caminha a passos largos para ser a maior da história no número de vitórias por placar mínimo.

Mais de 40% dos 23 primeiros jogos da Rússia-2018 terminaram em 1 a 0. Foram dez partidas em que a bola só balançou as redes uma única vez.

A marca é impressionante quando comparada à de qualquer outra das 20 edições anteriores do torneio mais importante do futebol mundial.

Até hoje, a Copa com mais vitórias mínimas foi a da África do Sul, em 2010. Oito anos atrás, 17 confrontos terminaram com 1 a 0 no marcador. Mas esse número só foi atingido depois de 64 partidas –a vitória da Espanha sobre a Holanda, na decisão, foi o 17º jogo.

Proporcionalmente, o recorde de partidas com apenas um gol é um pouco mais antigo.

Na Itália-1990, Mundial que entrou para a história justamente pelo futebol pouco vistoso e pela soberania das defesas sobre os ataques, 15 das 52 partidas acabaram com vitória mínima de um dos times. Isso equivale a 28,8% do total dos jogos. Ou seja, ainda muito abaixo do que estamos vendo na Rússia.

A predominância dos placares magros faz a Copa-2018 flertar com o risco de se tornar a de menor média de gols de todos os tempos. Foram 51 tentos em 23 partidas até o momento. Na prática, 2,22 gols a cada 90 minutos de futebol.

A média deste Mundial só supera mesmo a de 28 anos atrás. E por muito pouco, já que o torneio jogado nos gramados italianos registrou 2,21 bolas na rede por partida.

No Brasil-2014, após as mesmas 23 partidas, a Copa já havia visto 73 gols. Ou seja, em quatro anos, o número de chutes e cabeçadas que venceram os goleiros adversários despencou mais de 30%.

A queda tem algumas possíveis explicações.

Para começar, a diferença técnica entre seleções grandes e pequenas está cada dia menor. Seleções de pouca tradição, como Irã, Tunísia, Marrocos e Peru, venderam caro derrotas para as favoritas Espanha, Inglaterra, Portugal e França, respectivamente.

Além disso, várias equipes levaram a campo sistemas de jogo bastante defensivos, deixando claro que a prioridade número um é não sofrer gols. O mais conhecido deles é a linha de seis homens atrás, apelidada de "linha de handebol", usada por islandeses e iranianos.

A soma do equilíbrio maior com o rigor defensivo faz com que mesmo as equipes grandes abdiquem do ataque depois de abrir o placar e atuem de uma forma mais conservadora. Foi o que aconteceu com a França na vitória sobre o Peru, na quinta.

É claro que há exceções, mas elas são raras. A anfitriã Rússia surpreendeu ao fazer oito gols nos dois primeiros jogos e tem o melhor ataque do Mundial. A Bélgica estreou metendo 3 a 0 no Panamá, mesmo placar da vitória da Croácia sobre a Argentina.

Mas essa é mesmo a Copa do 1 a 0. E não há nenhum indício de que os próximos 41 jogos vão mudar essa história.


Mais de Seleções:

– Em busca do tetra, Europa tem melhor início de Copa em 20 anos
– Por que a camisa da Croácia sempre é quadriculada?
– Envelhecida, Rússia recebe a Copa com seleção soviética
– Como políticas de Putin minaram chances da Rússia na Copa-2018

Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Mais Blog do Rafael Reis