Blog do Rafael Reis

Copa do placar magro caminha para recorde de 1 a 0

Rafael Reis

Está sentindo falta de gols na Copa do Mundo? Não é à toa. Apesar de ainda não ter tido nenhum 0 a 0, a competição caminha a passos largos para ser a maior da história no número de vitórias por placar mínimo.

Mais de 40% dos 23 primeiros jogos da Rússia-2018 terminaram em 1 a 0. Foram dez partidas em que a bola só balançou as redes uma única vez.

A marca é impressionante quando comparada à de qualquer outra das 20 edições anteriores do torneio mais importante do futebol mundial.

Até hoje, a Copa com mais vitórias mínimas foi a da África do Sul, em 2010. Oito anos atrás, 17 confrontos terminaram com 1 a 0 no marcador. Mas esse número só foi atingido depois de 64 partidas –a vitória da Espanha sobre a Holanda, na decisão, foi o 17º jogo.

Proporcionalmente, o recorde de partidas com apenas um gol é um pouco mais antigo.

Na Itália-1990, Mundial que entrou para a história justamente pelo futebol pouco vistoso e pela soberania das defesas sobre os ataques, 15 das 52 partidas acabaram com vitória mínima de um dos times. Isso equivale a 28,8% do total dos jogos. Ou seja, ainda muito abaixo do que estamos vendo na Rússia.

A predominância dos placares magros faz a Copa-2018 flertar com o risco de se tornar a de menor média de gols de todos os tempos. Foram 51 tentos em 23 partidas até o momento. Na prática, 2,22 gols a cada 90 minutos de futebol.

A média deste Mundial só supera mesmo a de 28 anos atrás. E por muito pouco, já que o torneio jogado nos gramados italianos registrou 2,21 bolas na rede por partida.

No Brasil-2014, após as mesmas 23 partidas, a Copa já havia visto 73 gols. Ou seja, em quatro anos, o número de chutes e cabeçadas que venceram os goleiros adversários despencou mais de 30%.

A queda tem algumas possíveis explicações.

Para começar, a diferença técnica entre seleções grandes e pequenas está cada dia menor. Seleções de pouca tradição, como Irã, Tunísia, Marrocos e Peru, venderam caro derrotas para as favoritas Espanha, Inglaterra, Portugal e França, respectivamente.

Além disso, várias equipes levaram a campo sistemas de jogo bastante defensivos, deixando claro que a prioridade número um é não sofrer gols. O mais conhecido deles é a linha de seis homens atrás, apelidada de “linha de handebol”, usada por islandeses e iranianos.

A soma do equilíbrio maior com o rigor defensivo faz com que mesmo as equipes grandes abdiquem do ataque depois de abrir o placar e atuem de uma forma mais conservadora. Foi o que aconteceu com a França na vitória sobre o Peru, na quinta.

É claro que há exceções, mas elas são raras. A anfitriã Rússia surpreendeu ao fazer oito gols nos dois primeiros jogos e tem o melhor ataque do Mundial. A Bélgica estreou metendo 3 a 0 no Panamá, mesmo placar da vitória da Croácia sobre a Argentina.

Mas essa é mesmo a Copa do 1 a 0. E não há nenhum indício de que os próximos 41 jogos vão mudar essa história.


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