Com time de refugiados, Síria busca vaga inédita na Copa para aliviar dor
Omar Kharbin era uma das maiores promessas do futebol da Síria quando a guerra eclodiu. Com medo do que lhe aguardava, aceitou a primeira oferta do exterior que recebeu e hoje é um dos destaques do Al-Hilal, atual campeão da Arábia Saudita.
Omar Al Somah, artilheiro das três últimas temporadas sauditas pelo Al-Ahli, teve uma trajetória semelhante. Assim que viu seu país ser tomado pelos conflitos, fez as malas e migrou para o Kuwait. Três anos depois, chegou à terra onde hoje é ídolo.
Hamid Mido é de Aleppo, cidade central na guerra pelo controle da Síria e que foi tomada posteriormente pelo Estado Islâmico. O meia viveu lá até 2013, quando uma proposta para jogar no Iraque e decidiu cruzar a fronteira com a família.
É com histórias como essas, marcadas por sangue, lágrimas e despedidas, que a Síria sonha se transformar na maior e mais impressionante surpresa das eliminatórias da Copa.
O país chegou à última rodada com chances reais de se classificar pela primeira vez para um Mundial. Para conseguir a vaga sem passar pela repescagem, precisa vencer o Irã, fora de casa, nesta terça-feira, e torcer para que a Coreia do Sul não derrote o Uzbequistão, como visitante.
Tarefa difícil? Muito menos do que sobreviver a um conflito que já matou mais de 470 mil pessoas.
A Síria está em guerra civil desde 2011, quando grupos contrários ao presidente Bashar al-Assad começaram a entrar em conflito armado com o governo nacional. Some-se a isso o fortalecimento do grupo terrorista Estado Islâmico e temos uma das maiores crises humanitárias da história recente do planeta.
De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), pelo menos cinco milhões de pessoas fugiram da Síria rumo a países vizinhos e à Europa desde a eclosão do conflito. Entre esses refugiados, estão 16 dos 27 jogadores convocados para a decisiva partida contra o Irã.
Boa parte da equipe comandada por Ayman Hakeem deixou sua terra natal por medo de morrer e para continuar exercendo normalmente sua atividade profissional: o futebol.
Apesar de o Campeonato Sírio estar sendo disputado normalmente desde o início da temporada 2011/12, a competição perdeu muito do seu poderio financeiro e hoje é realizada apenas nas regiões controladas pelo governo de Al-Assad. Onde há rebeldes ou terroristas, a bola não rola… pelo menos, não profissionalmente.
Nem mesmo a seleção pode jogar dentro de casa. A surpreendente e histórica campanha síria nas eliminatórias da Copa-2018 foi toda construída mandando jogos na Malásia, a 7.290 km do seu território.
Além disso, o time que busca a classificação inédita para o Mundial está longe de ter força máxima. Afinal, quem fala mal do presidente e faz campanhas para os rebeldes normalmente não têm o direito de ser convocado.
Afinal, o futebol é um instrumento importante de propaganda do governo. E também dos rebeldes. O atacante Mahmoud al-Jawabra, por exemplo, foi morto por forças de Al-Assad e virou herói da resistência. Clubes do interior também ajudaram a espalhar os ideais revolucionários.
É em meio a esse cenário incerto e repleto de sofrimento que a Síria sonha. Sonha com dias de paz, anos de tranquilidade e também com a Copa do Mundo. De preferência, a de 2018.
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