Blog do Rafael Reis

O mercado da bola perdeu o juízo: Neymar não vale R$ 821 milhões

Rafael Reis

O que é possível comprar com 222 milhões de euros (R$ 821 milhões)? Mais de uma centena de automóveis Ferrari, 328 apartamentos de 140 m2 no Leblon, cerca de 50 iates de luxo ou UM jogador de futebol.

A comparação com bens de consumo sonhados por (quase) todo mundo é apenas um dos indicativos do quão absurdo é o Paris Saint-Germain cogitar pagar a multa rescisória de Neymar para tirá-lo do Barcelona e levá-lo para a França.

Argumentos que comprovam essa ideia não faltam. É só calcular quantos professores receberiam seus salários em dia se essa dinheirama toda fosse aplicada na educação ou quantos postos de saúde poderiam ser construídos com o “preço” do atacante brasileiro.

Mas será que essas comparações são válidas? É preciso lembrar que o mundo do futebol pouco tem a ver com a realidade das pessoas normais. Ou você conhece alguma empresa de um segmento “normal” que pagaria milhões (ou mesmo milhares) de qualquer moeda apenas para ter um funcionário.

Só que mesmo nesse ambiente hiperinflacionado dos grandes clubes europeus, onde 1 milhão de euros (R$ 3,7 milhões) não passa de dinheiro de pinga, o valor que o PSG pode pagar por Neymar é completamente desproporcional.

Para se chegar a essa conclusão, basta fazer uma conta. Caso vá para a capital francesa, o brasileiro se tornará o reforço mais caro da história do futebol. O recorde hoje pertence ao meia francês Paul Pogba, que assinou com o Manchester United na temporada passada por 105 milhões de euros (R$ 388 milhões, na cotação atual).

Ou seja, Neymar custaria 111% a mais do que o atual detentor do recorde de contratação mais cara da modalidade.

A última vez em que o mercado da bola passou por uma ruptura tão grande de valores foi 35 anos atrás, quando o Barcelona pagou o equivalente a atuais 13 milhões de euros (R$ 48 milhões), de acordo com o site “Transfermarkt”, para contratar Diego Maradona.

A transferência do argentino custou 162% a mais que o então reforço mais caro da época, o centroavante escocês Andy Gray, que havia ido para o Wolverhampton pelo equivalente a 3 milhões de euros (R$ 11,1 milhões).

Só que Neymar não é nenhum Maradona para provocar uma transformação tão radical no mercado das transferências. O brasileiro não é nem mesmo o maior jogador de sua geração – por melhor que ele seja, compará-lo a Messi e Cristiano Ronaldo, por exemplo, chega a ser risível.

Para defender que o preço astronômico do brasileiro, alguém pode até argumentar que o Real Madrid está disposto a oferecer 180 milhões de euros (R$ 665 milhões) para ter Kylian Mbappé, um garoto de 18 anos que ainda não completou nem 60 jogos como profissional.

Mas um absurdo não justifica o outro. Tanto Mbappé quanto Neymar só provam que o mercado do futebol perdeu completamente a noção de quanto vale o dinheiro.


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