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Rafael Reis

Rica e com inchaço, China deixa 3 ex-seleção brasileira na "geladeira"

Rafael Reis

15/09/2016 06h00

O meia Wagner e os atacantes Diego Tardelli e Jô, todos com passagem pela seleção brasileira, não disputam uma partida oficial desde julho. E nem vão voltar a campo antes do fim da temporada.

Apesar de terem sido titulares dos seus times na maior parte da primeira metade do Campeonato Chinês, os três jogadores não foram inscritos no segundo turno da competição.

Diego Tardelli

O trio acabou sendo vítima da rápida expansão econômica do futebol do país mais populoso do planeta e das rígidas regras para a escalação de estrangeiros no Oriente.

Como o regulamento da Superliga permite a inscrição de apenas cinco jogadores estrangeiros (sendo que um precisa ser asiático) por time, as equipes que quiseram contratar novas estrelas internacionais na janela de transferências do meio do ano tiveram de abdicar de quem já estava no elenco.

E foi graças ao aumento do poderio financeiro dos chineses que Wagner, Tardelli e Jô se deram mal.

O Shandong Luneng liberou Tardelli porque contratou em julho dois novos atacantes de sucesso internacional: Graziano Pellè, titular da Itália na Eurocopa, e o senegalês Papiss Demba Cissé, ex-Newcastle.

Já o Jiangsu Suning decidiu trocar Jô, até então seu vice-artilheiro em 2016, com seis gols, por Roger Martínez, atacante que faz parte atualmente da seleção colombiana.

Wagner, por sua vez, foi descartado do Tianjin Teda porque o clube preferiu gastar sua quarta vaga de estrangeiro com o gabonês Malick Evouna, um reforço de mais de 7 milhões de euros (R$ 26 milhões) contratado do Al Ahly, do Egito.

"É complicado para a China aumentar o limite de estrangeiros porque o projeto deles não é só desenvolver um campeonato, mas sim o futebol como um todo. Eles querem formar jogadores locais e agradar o mercado interno, então é uma situação bem complexa", afirma o advogado Marcos Motta, especialista em transações internacionais.

"O jogador vai ter que decidir: se quer ganhar dinheiro e aceitar essa situação [de não jogar] ou se vai forçar a barra para ir embora", completa.

Afastados dos elencos principais dos seus clubes e sem perspectiva de voltar a jogar em 2016, a menos que seja transferidos para outras equipes, Jô e Tardelli foram liberados para voltar ao Brasil e treinaram para manter a forma no Atlético-MG.

O Campeonato Chinês se transformou nos últimos anos em um dos principais mercados para jogadores brasileiros.

Atualmente, 21 representantes do futebol pentacampeão nacional disputam a primeira divisão. Três deles, o zagueiro Gil e os meias Renato Augusto e Paulinho também fazem parte da seleção.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.