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Pela 1ª vez, jogadores negros serão maioria na final da Eurocopa

Rafael Reis

08/07/2016 07h00

A Europa pode até ser a terra de origem do homem branco. Mas a Eurocopa, principal competição entre seleções do Velho Continente, terá uma decisão dominada por negros.

Se mantidas as escalações utilizadas nas semifinais (ou mesmo em caso de substituições que não sejam surpreendentes), a final entre França e Portugal, no domingo, deve ter 12 titulares de origem negra em campo.

Nunca na história da competição, uma decisão reuniu tantos jogadores de pele escura. O recorde atual pertence à final de 2000, quando os franceses escalaram quatro negros contra a Itália (Thuram, Desailly, Vieira e Henry).

A inédita final com maioria negra na Euro-2016 é um tapa na cara de um continente que, principalmente devido ao medo do terrorismo praticado por grupos como o Estado Islâmico, tem discutido o fechamento de portas para imigrantes e visto aumentar assustadoramente os índices de xenofobia em sua população.

Sete dos possíveis titulares que franceses e portugueses escalarão no domingo nasceram fora da Europa. Todos os outros negros são descendentes de famílias que migraram para o continente ao longo do século passado.

Pela França, o lateral esquerdo Patrice Evra nasceu no Senegal, o zagueiro Samuel Umtiti é de Camarões e o meia-atacante Dimitri Payet tem origem em Réunion, uma ilha no sudeste africano, próxima de Madagascar.

Já Portugal tem três possíveis titulares que vieram da África (o angolano William Carvalho, o cabo-verdiano Nani e Danilo, de Guiné-Bissau), além do brasileiro Pepe, zagueiro que é natural de Alagoas.

No total, 140 dos 552 jogadores inscritos na Euro possuem dupla cidadania e estariam aptos a jogar por pelo menos uma seleção diferente daquela que eles defendem.

A questão racial veio à tona na seleção francesa pouco antes do início da Euro, quando o atacante Karim Benzema, que é árabe e descende de família argelina, acusou o técnico Didier Deschamps de não convocá-lo para a competição em casa por pressão de grupos nacionalistas de extrema-direita.

Oficialmente, o centroavante do Real Madrid foi afastado da seleção por uma suposta tentativa de extorsão contra o meia Mathieu Valbuena _teria chantageado o companheiro para não divulgar um vídeo de conteúdo sexual envolvendo o jogador.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.