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Rafael Reis

Contra o 0 a 0, tem gente querendo mudar a pontuação do futebol

Rafael Reis

18/02/2016 14h18

Sempre que digo para meu pai que uma partida terminou empatada por 0 a 0, ouço como resposta a mesma frase engraçadinha: "então eles não precisavam ter jogado, era melhor terem ficado em casa".

Tem gente do meio do futebol que parece concordar com ele.

Dono de três títulos do Campeonato Alemão, o técnico Felix Magath (ex-Bayern, Schalke 04 e Wolfsburg) iniciou nesta semana uma cruzada contra as partidas que terminam sem gols.

Em sua coluna no jornal alemão "Express", o treinador apresentou e defendeu uma proposta para que empates por 0 a 0 deixem de distribuir pontos para as equipes envolvidas.

"Há algumas formas de deixar as partidas menos enfadonhas. Seria revigorante para o futebol se um 0 a 0 não desse mais pontos."

Magath

"Outros empates continuariam como hoje, dando um ponto, porque os times teriam de se preocupar em marcar gols e não apenas usar fortes táticas defensivas", escreveu.

O curioso é que a proposta de luta contra 0 a 0 venha de um país que não sofre com escassez de gols.

Entre as principais ligas nacionais europeias, a da Alemanha é a que possui a maior média de gols: 2,77 por partida. França, Itália, Espanha e Inglaterra possuem médias entre 2,42 e 2,67 na atual temporada.

Apenas 16 dos 189 jogos (8,5% do total) disputados na atual edição da Bundesliga terminaram sem um mísero golzinho.

A última alteração na pontuação do futebol aconteceu há duas décadas.

Depois do fiasco técnico da Copa do Mundo de 1990, a Fifa decidiu em suas competições ampliar de dois para três pontos a premiação do time vitorioso de uma partida. O empate continuou dando um ponto para cada equipe.

Esse sistema de pontuação, que já existia desde os anos 1980 na Inglaterra, entrou nas regras do jogo em 1995, depois de ter sido testado no Mundial dos EUA, e segue em vigor até hoje.

Agora, tem gente querendo mudar novamente a pontuação do futebol.

 

Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.