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Motor do Real, Modric passou a infância em hotel para refugiados de guerra
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Rafael Reis

Aos 6 anos, você é obrigado a abandonar sua casa com a mãe para não morrer nas mãos do exército. Sem ter para onde ir, encontra teto em um hotel transformado em abrigo para refugiados de guerra. Seu avô, que ficou para trás, comprova que o temor da família não era em vão e acaba brutalmente executado pelos inimigos.

Qual o futuro dessa criança? Juntar-se a um grupo terrorista para descontar nos outros todo o sofrimento que sentiu, entrar para o mundo do crime organizado, tornar-se um indigente? Quase todas as opções são mais prováveis do que virar o “dono” do meio-campo de um dos maiores times de futebol do mundo.

Essa é a história da vida de Luka Modric, 31, peça essencial para que as engrenagens do Real Madrid funcionem desde que foi contratado do Tottenham, cinco anos atrás.

O meia franzino, de apenas 1,74 m e 65 kg, nasceu em um vilarejo com menos de 200 habitantes próximo a Zadar, cidade litorânea que então fazia parte da Iugoslávia.

Modric teve uma infância pobre, porém normal, até 1991, quando a Croácia declarou de forma unilateral sua independência e entrou em guerra contra o governo central iugoslavo (hoje Sérvia).

De uma hora para outra, a vida de Luka mudou radicalmente. Seu pai, Stipe, juntou-se ao exército croata pró-independência e foi para o campo de batalha. Com medo, sua família abandonou o vilarejo de Zaton Obrovacki, onde vivia. E houve ainda o assassinato do seu avô.

Com a preocupação única de sobreviver, o pequeno Modric acabou crescendo em um hotel para refugiados de guerra, em Zadar. Lá, sua mãe fez de tudo para poupá-lo dos horrores da guerra. Sua intenção era colocá-lo dentro de uma bolha.

Bolha onde o futuro meia do Real passava os dias chutando uma bola de um lado para o outro à espera do fim do conflito que havia mudado completamente sua vida.

E quando a guerra terminou, em 1995, Luka estava pronto para começar a escrever sua improvável história de sucesso. Aos 11 anos, entrou nas categorias de base do Zadar. Aos 16, assinou com o Dínamo de Zagreb, o clube mais poderoso da Croácia. Com 20, estreou na seleção principal. E, aos 22, migrou para a bilionária Premier League inglesa.

Foram quatro temporadas e quase 160 jogos pelo Tottenham até o Real Madrid desembolsar 30 milhões de euros (R$ 100 milhões) para levá-lo ao futebol espanhol, em 2012.

Em Madri, Modric não demorou para se tornar peça essencial no meio-campo galáctico e um dos jogadores de sua posição mais admirados pelos torcedores de todo o planeta.

Em cinco temporadas de Real, ele acumula 11 gols, 31 assistências, dois títulos da Liga dos Campeões da Europa e, o mais importante, a certeza de que driblou com a classe que lhe é habitual o destino sombrio que parecia reservado para o pequeno Luka.


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Dependência? Como o Real “ignora” a seca de gols de CR7 na Champions
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Rafael Reis

O Real Madrid derrotou o Napoli por 3 a 1 na primeira partida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Benzema, Kroos e Casemiro marcaram os gols da vitória, o que talvez faça os mais desaviados perguntarem: Cristiano Ronaldo não jogou?

Jogou sim, mas passou em branco… como aconteceu, aliás, em cinco das sete partidas disputadas pelo português nesta edição da Champions.

Problema para Zinedine Zidane? Que nada. Pelo menos na competição europeia, a equipe espanhola nunca dependeu tão pouco do faro artilheiro do seu principal jogador.

Dos 19 gols anotados pelo atual campeão europeu no torneio desta temporada, só dois saíram dos pés do melhor jogador do mundo. Isso representa apenas 10,5% do total, a menor taxa de dependência de toda a “era CR7” no Real.

Desde que desembarcou na Espanha, em 2009, Cristiano Ronaldo sempre foi responsável por pelo menos 25% dos gols marcados pelos galácticos nas sete primeiras apresentações de cada edição do principal torneio interclubes do planeta.

Na temporada passada, essa dependência chegou à incrível marca de 57,1%. Na ocasião, o português anotou 12 dos primeiros 21 gols do Real na Liga dos Campeões. Ou seja, mais da metade do total de comemorações da equipe branca tiveram assinatura do craque.

Foi graças a essa fúria artilheira que Cristiano Ronaldo se tornou o maior artilheiro da história da Champions. O camisa 7 já marcou ao longo da carreira 95 gols no torneio continental, dois a mais do que Lionel Messi, seu tradicional arquirrival e segundo colocado no ranking.

Mas se a tradicional maior fonte de gols do Real secou, como o time espanhol está se virando para balançar as redes na Liga dos Campeões 2016/17?

A resposta não está na descoberta de um novo artilheiro, capaz de substituir tudo aquilo que CR7 fazia. Mas sim, na pulverização dos gols.

Até o momento, dez jogadores do Real já marcaram nesta edição da Champions: Morata, Varane, Bale, Asensio, Lucas Vázquez, Benzema, Kovacic, Kroos, Casemiro e, claro, o astro português.

Na temporada anterior, quando a dependência de CR7 atingiu nível recorde, só sete atletas que vestiam branco haviam balançado as redes nesta altura da competição: Benzema, Nacho, Modric, Carvajal, Kovacic, Jesé e ele.

Um time cada vez menos dependente do seu maior astro e cada vez mais solidário. Eis o Real Madrid que sonha com o segundo título consecutivo na Liga dos Campeões.

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Napoli usa até drone para tentar eliminar Real da Champions
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Rafael Reis

Os jogadores do Napoli precisam tomar um cuidado extra durante os treinos no Centro Sportivo di Castel Volturno: evitar que as bolas usadas nos trabalhos técnicos e táticos acertem aqueles pequenos utensílios que insistem em passear pelos céus do CT e sobrevoar suas cabeças.

A preparação do clube italiano para o confronto com o Real Madrid, nesta quarta-feira e no dia 7 de março, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, incluiu até mesmo o uso de drones.

sscnapoli.it

A ideia é uma das invenciones do técnico Maurizio Sarri, técnico conhecido na Itália justamente pela criatividade aplicada nos treinamentos e na criação de jogadas ensaiadas, que dirige a equipe desde 2015.

“Ele usa os drones normalmente durante os treinos exclusivos para os jogadores de defesa. A ideia é ter uma visão aérea do nosso posicionamento. Depois, ele assiste às gravações feitas pelos drones e analisa se a nossa movimentação está correta”, explica o volante brasileiro Allan, também no clube há dois anos.

De acordo com o ex-jogador do Vasco, o uso da parafernalha tecnológica já foi motivo de piadas feitas por torcedores rivais na Itália. No entanto, outros clubes copiaram a ideia e também começaram a recorrer aos drones.

“O Sarri é muito detalhista. Ele trabalha até nossas menores falhas para que tudo saia perfeito na hora do jogo.”

E foi justamente o perfeccionismo do treinador que ajudou Allan a se tornar um dos meio-campistas mais consistentes do futebol italiano. Na atual temporada, ele disputou 22 partidas e deu três passes para gol.

O bom momento fez inclusive com que o jogador de 26 anos começasse a ser alvo de rumores sobre uma possível convocação para a seleção brasileira.

“Não sei se me sinto perto da seleção porque nunca tive nenhum contato com alguém da CBF. Mas me sinto preparado para ser convocado, já que venho fazendo boas temporadas na Itália. Mas não quero só chegar na seleção. Quando surgir a oportunidade, não quero largar mais”, completa.

O primeiro passo para essa tão esperada consagração de Allan pode ser ajudar o Napoli a eliminar o atual campeão Real Madrid da Champions. Com aquela ajudinha básica dos drones, é claro.


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Melhor do mundo, CR7 já foi expulso da escola e acusado de furto
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Rafael Reis

Eleito pela quarta vez o melhor jogador do mundo (2008, 2013, 2014 e 2016), Cristiano Ronaldo deu muito trabalho à sua mãe, Dolores Aveiro, antes de se transformar em um astro internacional do futebol.

Pouco adepto dos estudos, o camisa 7 do Real Madrid e da seleção portuguesa teve uma vida escolar marcada por notas ruins, muitas faltas, uma expulsão e até mesmo acusação de furto.

Cristiano Ronaldo

Seu período mais crítico de comportamento coincidiu com a mudança da Ilha da Madeira para a Lisboa, aos 12 anos.

No início da adolescência, CR7 saiu de casa dos pais e migrou à capital de Portugal para treinar nas categorias de base do Sporting, clube pelo qual viria se profissionalizar e onde seu conto de fadas teria início.

Mas, antes de começar a brilhar nos times menores do clube lisboeta, tornar-se um garoto conhecido dos torcedores e começar a ganhar o dinheiro que tiraria sua família da miséria, Ronaldo teve seus problemas escolares mais sérios.

Ele foi expulso da escola onde estudava depois de lançar uma cadeira em direção à professora. Tudo isso dentro da sala de aula.

“Foi uma forma de ele se defender porque a professora estava a criticar seu sotaque da Ilha da Madeira”, afirma Nelson Castro, 52, que era amigo do pai de Ronaldo, José Dinis Aveiro, e que conhece o melhor do mundo desde criança.

O livro “CR7 – Os Segredos da Máquina”, publicado em 2014 pelos jornalistas Juan Ignacio Gallardo e Luís Miguel Pereira, conta outros detalhes obscuros da vida escolar da estrela do Real.

Um deles é um relatório sobre o comportamento de Cristiano Ronaldo que foi enviado pela escola onde ele estudava para o Sporting.

“Este jovem jogador tem evidentes problemas de estabilidade emocional, perde frequentemente o controlo de suas atitudes (…). Estamos convictos, porque a sua personalidade é ainda imatura e, portanto, não completamente formada, de que este jogador é um dos casos a merecer acompanhamento psicológico”, diz o documento.

Foi nessa época também que o futuro astro chegou a ser acusado de furto. Seu relatório escolar apontava furtos de “uma lata de ice-tea a um colega”, de “dois iogurtes” de uma funcionária do colégio e do lanche de um companheiro de clube que também estudava lá.

Mas Cristiano Ronaldo cresceu, superou os problemas comportamentais que marcaram sua vida escolar e se tornou um dos melhores jogadores do mundo. Quer dizer… o melhor jogador do mundo, pela quarta vez em sua carreira.


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5 motivos que fazem de CR7 favorito na eleição de melhor do mundo
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Rafael Reis

Eleito o melhor jogador do mundo em 2008, 2013 e 2014, Cristiano Ronaldo tem tudo para vencer também a eleição da Fifa de maior craque do planeta em 2016.

O português de 31 anos, que foi vice em 2015 e um dos grandes nomes do esporte há uma década, é o favorito para levantar o troféu nesta segunda-feira, em Zurique (SUI).

Lionel Messi e Antoine Griezmann, os outros finalistas do prêmio, correm por fora e, caso sejam escolhidos, protagonizarão uma grande zebra.

Conheça abaixo cinco razões que colocaram o camisa 7 do Real nesta situação, a um passo do seu quarto título de melhor do mundo.

CAMPEÃO DO QUE IMPORTA
Cristiano Ronaldo
Conseguiu algo muito raro, faturar os títulos dos dois campeonatos mais importantes do ano, a Liga dos Campeões (11ª conquista do Real Madrid) e a Eurocopa (maior momento da história da Portugal). E, apesar de não ter brilhado em nenhuma das duas finais, foi o protagonista do seu time e da seleção ao longo das campanhas vitoriosas.

OUTROS PRÊMIOS DE MELHOR DO MUNDO
Venceu os prêmios que acabam servindo como prévia do resultado da eleição da Fifa. Em 2016, a estrela maior do Real Madrid já foi eleita o melhor do mundo pela revista “France Football” (Bola de Ouro), pelo jornal britânico “Daily Mail” e pelo site “Goal.com”, além de ter faturado o Globe Soccer Awars, nos Emirados Árabes.

POKER-TRICK
Cristiano Ronaldo não foi o artilheiro do ano. Mas, entre os candidatos a melhor do mundo, só ele conseguiu marcar quatro gols em uma mesma partida ao longo de 2016, marca chamada de poker-trick. E não foi apenas uma vez. O atacante fez na goleada por 7 a 1 contra o Celta, pelo Espanhol, em março, e repetiu a dose ante Andorra (6 a 0), sete meses depois, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

CONFRONTOS DIRETOS
Cristiano Ronaldo
O favorito ao prêmio da Fifa também levou a melhor nos confrontos diretos dentro de campo contra seus oponentes ao posto de melhor do mundo. Cristiano Ronaldo enfrentou Messi ou Griezmann seis vezes ao longo de 2016. Foram três vitórias, dois empates e uma derrota. O português marcou quatro gols nessas partidas.

NA HISTÓRIA
Os gols contra América-MEX e Kashima Antlers, em dezembro, foram históricos. O Mundial de Clubes era a única competição oficial que Cristiano Ronaldo já havia disputado e ainda não havia balançado as redes com a camisa do Real Madrid. Agora, o português pode se orgulhar de ter deixado sua marca em todos os torneios no qual foi a campo pelo clube espanhol.


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Rafael Reis

O favorito ao prêmio de melhor jogador do mundo de 2016 era uma criança que andava por todo lado com uma bola debaixo do braço, chorava quando era derrotado em uma pelada e, se provocado pelos amiguinhos, respondia com pedradas.

Quem conta tudo isso é o fabricante de pastéis Nelson Castro, 52, que conhece e acompanha Cristiano Ronaldo desde a infância em Funchal, na Ilha da Madeira, ao sudoeste da parte continental de Portugal.

Cristiano Ronaldo

Nelson era um grande amigo de José Dinis Aveiro, pai do craque, que morreu em 2005. Os dois atuaram juntos no Andorinha, pequeno clube local onde o futuro astro português deu seus primeiros chutes.

“Ele era um garoto muito inquieto, sempre a carregar sua bolinha para cima e para baixo. Desde pequeno, chamava a atenção quando jogava. A velocidade dos seus piques era impressionante e os chutes, muito fortes. Tudo isso com apenas oito anos”, afirma, por telefone.

Segundo o pasteleiro, o pequeno Cristiano Ronaldo estava sempre à procura de algum amigo disposto a lhe encarar nos gramados ou quadra de cimentos. Quando não conseguia encontrar ninguém, resolvia o problema sozinho.

“Eu sempre via ele chutando a bola contra a parede quando não havia ninguém para jogar com ele. E aí, ele chutava ainda com mais força para que todos ouvissem de longe o barulho das pancadas que ele dava.”

A competitividade e a sede por vitórias que o atacante mostra hoje com as camisas do Real Madrid e da seleção portuguesa já faziam parte da personalidade do projeto de craque. Só que o seu “não saber perder” era demonstrado de outra maneira na infância.

“Se ele perdia uma partida de futebol, começava a chorar. E se alguém tirasse sarro por isso, ele pegava uma pedra e tratava de jogar nele. O mais importante para o Ronaldo era ganhar”, completa Nelson.

Mais de duas décadas se passaram desde então, e Cristiano Ronaldo já não chora mais a cada derrota (pelo menos, não em público). Aos 31 anos, o português virou um dos grandes nomes do esporte mundial e foi eleito por três vezes o melhor jogador de futebol do planeta.

A quarta vitória deve vir na próxima segunda-feira, em Zurique, quando Fifa anuncia em Zurique (SUI) o vencedor do seu prêmio anual. O astro do Real Madrid é o favorito da vez. O argentino Lionel Messi e o francês Antoine Griezmann, os outros finalistas da eleição, correm por fora.


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Técnico de zebra do Mundial quase apanhou de jogador e pediu para ir embora
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Rafael Reis

Masatada Ishii, o homem à frente do Kashima Antlers na surpreendente vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Nacional, na quarta-feira, pode se considerar um homem de sorte.

Se dependesse apenas da vontade do treinador de 49 anos, ele não teria levado pela primeira vez na história um time asiático à decisão do Mundial de Clubes e nem teria a oportunidade de medir forças com o poderoso Real Madrid, neste domingo.

Ishii

Se Ishii fosse senhor do seu destino, ele não seria mais o técnico do Kashima desde agosto.

Quatro meses atrás, ele chegou a pedir demissão depois de quase ter sido agredido pelo atacante Mu Kanazaki.

Artilheiro da equipe, o jogador se revoltou por ter sido substituído contra o Shonan Bellmare, em partida do Campeonato Japonês, bateu boca com o treinador, foi para cima do treinador e só não chegou a agredi-lo porque seus companheiros de time o impediram.

Ishii, evidente, ficou revoltado com o comportamento do centroavante e pediu que ele fosse afastado do elenco. Como a diretoria rejeitou o pedido, avisou que não voltaria a comandar o Kashima.

Mas aí, o comando do clube voltou a intervir. Não apenas convenceu o técnico a continuar no cargo, como fez com que ele se acertasse com Kanazaki.

A parceria foi essencial para o Kashima encerrar o jejum de seis anos sem conquistar a J. League. O antigo inimigo de Ishii marcou todos os três gols da equipe na fase final da competição –um contra o Kawasaki Frontale, na semifinal, e dois ante o Urawa Red Diamonds, na decisão.

Companheiro de Zico no meio-campo dos Antlers na década de 1990 e ex-assistente técnico do clube, o treinador assumiu o comando do time em julho de 2005, substituindo Toninho Cerezo.

Sua contratação, por si só, já foi um feito histórico. Afinal, foram 21 anos consecutivos de técnicos brasileiros em Kashima.

Desde a saída do japonês Masakatsu Miyamoto, em 1994, passaram por lá Edu Coimbra, João Carlos Costa, Zé Mario, Zico, Toninho Cerezo, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira e Jorginho, além de Cerezo.

A única exceção foi o interino Takashi Sekizuka, acionado duas vezes nos anos 1990 e rapidamente substituído.

Mas, se pensarmos em técnico japonês efetivo, Ishii é mesmo o primeiro em 21 anos.

E, neste domingo, chegará ao maior momento de sua carreira, a tão esperada final do Mundial de Clube. Tudo graças à diretoria que não o deixou ir embora do Kashima.


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Rafael Reis

Maior artilheiro da história do Real Madrid, Cristiano Ronaldo inicia nesta quinta-feira sua participação no Mundial de Clubes, contra o América (MEX), de olho em um dos poucos feitos que lhe faltam pelo clube espanhol.

O vencedor da Bola de Ouro-2016 não quer apenas conquistar o título e mostrar um bom futebol no Japão. Seu desejo é balançar as redes.

Cristiano Ronaldo

Isso porque o Mundial é a única das seis competições oficiais que Cristiano Ronaldo já disputou ao longo de oito temporadas pelo time de Madri em que ele ainda não deixou sua marca.

Pelo Real, o camisa 7 já marcou no Campeonato Espanhol, na Copa do Rei, na Supercopa Espanhola, na Liga dos Campeões e na Supercopa da Europa. Só falta mesmo a competição de clubes.

Em 2014, Cristiano Ronaldo disputou e conquistou o Mundial vestindo branco. Mas, sua participação nos seis gols marcados no torneio pela equipe espanhola se resumiu a duas assistências na goleada por 4 a 0 sobre o Cruz Azul (MEX), na semifinal.

O português só marcou no torneio de fim de ano por seu clube anterior, o Manchester United. Em 2008, ele fez um dos cinco gols dos ingleses na semifinal ante o Gamba Osaka (JAP) –também se sagrou campeão.

A busca de Cristiano Ronaldo por um gol inédito pelo Real se dá em um momento em que, apesar da conquista da Bola de Ouro e do favoritismo para vencer a eleição da Fifa de melhor jogador do mundo, o português sofre para manter sua fúria artilheira e dá mostras de que começa a sentir o peso da idade.

O camisa 7 tem nesta temporada sua pior média de gols desde que chegou ao futebol espanhol.

São 12 gols em 17 partidas, ou seja, uma média de 0,7 gol por jogo. Até então, sua marca mais baixa era a do ano de estreia no Real: 0,94 (33 gols em 35 apresentações).

Na Liga dos Campeões, torneio em que foi artilheiro nas últimas quatro edições, Cristiano Ronaldo teve uma participação quase apática na primeira fase. O astro do Real só marcou duas vezes.

Enquanto isso, Lionel Messi, seu tradicional rival na briga pelo topo da artilharia, já anotou 10 gols na competição europeia.


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Sorteio mostra que posição na fase de grupos pode não valer nada
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Rafael Reis

Ser primeiro colocado do seu grupo na Liga dos Campeões é uma grande vitória, pois é a chave para um confronto mais acessível nas oitavas de final. Tente explicar isso ao torcedor do Arsenal.

Ficar em segundo na sua chave no torneio interclubes mais badalado do planeta é o fim do mundo, uma certeza de que seu primeiro adversário na fase final será um peso pesado e o primeiro passo rumo à eliminação. Tente convencer disso o torcedor do Real Madrid.

Real Madrid

O sorteio dos confrontos das oitavas, realizado nesta segunda-feira, mostra que ser primeiro ou segundo colocado de um grupo da Champions muitas vezes não vale nada.

Principalmente, quando temos uma edição tão atípica quanto nesta temporada.

Além do Real (atual campeão), Manchester City, Bayern de Munique (semifinalistas em 2016/17) e Paris Saint-Germain ficaram na segunda posição de suas chaves.

Enquanto isso, o estreante Leicester, o “meia-boca” Napoli e o não tão tradicional assim Monaco lideraram seus grupos.

Pior para o Arsenal. Após quatro temporadas consecutivas sendo segundo em sua chave, os ingleses deixaram para trás o PSG, foram a melhor equipe do Grupo A e sonharam com um caminho menos árduo pela frente.

Mas o feito não foi suficiente para tirá-lo do seu tradicional caminho das pedreiras. Pela terceira vez em cinco temporadas, irá medir forças com o Bayern nas oitavas –nas outras duas, os alemães levaram a melhor.

E melhor para o Real Madrid. Desbancado do topo do Grupo F pelo Borussia Dortmund, poderia, por exemplo, pegar uma Juventus na primeira rodada dos mata-matas decisivos.

Mas manteve a tradição de não ter adversários do primeiro escalão do futebol europeu na abertura da fase final. Depois de enfrentar Lyon, CSKA Moscou, Schalke 04 e Roma em cinco das seis últimas temporadas, jogará contra o Napoli.

Tarefa muito menos complicada do que Cristiano Ronaldo e Zinedine Zidane temiam quando não conseguiram conquistar o primeiro lugar do grupo.

Confira os confrontos das oitavas da Champions (em negrito, meu palpite para avançar)

Manchester City (ING) x Monaco (FRA)
Real Madrid (ESP) x Napoli (ITA)
Benfica (POR) x Borussia Dortmund (ALE)
Bayern de Munique (ALE) x Arsenal (ING)
Porto (POR) x Juventus (ITA)
Bayer Leverkusen (ALE) x Atlético de Madri (ESP)
Paris Saint-Germain (FRA) x Barcelona (ESP)
Sevilla (ESP)
x Leicester (ING)


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Rafael Reis

Kashima Antlers e Auckland City abriram na manhã de quinta-feira a 13ª edição do Mundial de Clubes da Fifa. E, com exceção dos torcedores dos clubes japonês e neozelandês e de alguns poucos realmente fanáticos pelo futebol, ninguém se importou com a partida.

E esse descaso não é exceção. Essa é sim a realidade da competição que passa longe de alcançar a relevância que deveria e o peso de ter sido criada como uma espécie de versão interclubes da Copa do Mundo.

Mundial

Todo ano é assim. Os torcedores dos campeões da Libertadores, da Concacaf, da Ásia, da África, da Oceania e também da J-League (quando o Japão é sede do torneio) tratam o Mundial como o momento ápice do calendário.

Infelizmente, só eles. O resto do planeta considera a competição como algo de segunda linha, inclusive os apoiadores do vencedor da Liga dos Campeões da Europa, nesta edição, o Real Madrid.

A Fifa já percebeu isso e planeja uma reformulação completa no Mundial de Clubes para tirá-lo do marasmo e tentar lhe dar a relevância que um torneio com esse nome pede.

A proposta lançada no mês passado pelo presidente Gianni Infantino prevê aumentar radicalmente o número de participantes (dos 7 clubes atuais para 32) e realizar a competição, em junho, no final da temporada europeia. A ideia é que esse novo Mundial saia do papel em 2019.

Apesar de deixar o calendário do futebol mundial ainda mais inchado do que hoje, esse plano de expansão traria dois efeitos imediatos positivos para o torneio.

Primeiramente, aumentaria o número de torcedores e países interessados na disputa. Mesmo que o resto do planeta ignorasse o Mundial, passaríamos a ter os fãs de 32 times de alguma forma envolvidos com o torneio, e não mais os de sete equipes.

Além disso, a expansão colocaria mais clubes europeus na briga pelo título, o que consequentemente elevaria o nível técnico e agradaria o paladar da maior parte da população que consome futebol.

É fácil comprovar isso. Basta responder uma pergunta. Qual dessas partidas você pararia para assistir: Kashima Antlers x Auckland City, Real Madrid x Atlético Nacional ou Real Madrid x Barcelona?

A conta é simples. Mais clubes significam mais vagas para a Europa. Mais vagas para a Europa significam mais craques. Mais craques significam mais audiência. E mais audiência significa mais relevância. Pode parecer uma visão elitista, mas essa é a regra do jogo.

Uma regra do jogo que Fifa parece querer aplicar. Afinal, o Mundial precisa desesperadamente dela.


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