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Fim das retrancas: Europa vê maior “chuva de gols” dos últimos 39 anos
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Rafael Reis

O Campeonato Espanhol não vê um 0 a 0 há mais de um mês. No Inglês, só três dos 20 clubes participantes têm média inferior a um gol por partida. E, no Italiano, três jogadores já romperam a casa dos 20 gols só nesta edição.

Esses não são fatos isolados. O primeiro escalão do futebol europeu (e, consequentemente, mundial) foi tomado por uma verdadeira de chuva de gols nesta temporada.

Somando os cinco principais campeonatos nacionais do Velho Continente (Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês), temos até agora em 2016/17 um total de 1.678 partidas e 4.593 gols. A média de 2,78 gols por partida é a mais alta dos últimos 39 anos.

Para encontrar uma temporada com fartura de bolas na rede superior à atual é preciso voltar a 1977/78, quando a grande maioria dos jogadores profissionais de hoje ainda nem tinham nascido.

Na ocasião, as cinco grandes ligas europeias registraram uma média de 2,79 gols por jogo, só um pouquinho acima da vista nesta temporada.

Nos últimos 39 anos, a média de gols da elite da bola variou entre 2,38 gols por partida, em 1991/92, ainda na ressaca da seca da Copa do Mundo-1990, e 2,76, marca registrada três temporadas atrás.

Em 2016/17, todas as cinco grandes ligas nacionais da Europa ostentam médias superiores a 2,5 gols por jogo. A Espanha é a que possui a média mais alta: 2,91, a mais elevada no país em 54 anos.

Inglaterra e Itália também apresentam marcas histórias em relação ao número de bolas na rede. No caso da primeira divisão inglesa, a média atual (2,84) é a mais alta desde 1968. Já os italianos têm nesta temporada o melhor resultado ofensivo (2,79) desde 1993.

O maior goleador das principais ligas da Europa vem da França. O uruguaio Edinson Cavani, do Paris Saint-Germain, já marcou 27 vezes, quatro a mais que o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o segundo colocado na lista.

Curiosamente, o ataque mais produtivo também vem da Ligue 1, tradicionalmente um dos campeonatos nacionais de futebol menos vistoso e ofensivo do continente.

O Monaco, que eliminou o Manchester City da Liga dos Campeões e desponta como a grande sensação da temporada, marcou 84 vezes nas primeiras 29 rodadas do Francês. Uma média que beira o inacreditável: 2,89 gols por partida.

As oitavas de final da Champions, aliás, mostraram bem essa nova cara do futebol europeu.

Tivemos dois placares de 5 a 1, um 5 a 3, outro 6 a 1 e mais um 4 a 2. No total, foram registrados 62 gols em apenas 16 partidas. Isso dá uma média de 3,87 gols por jogo.

E, vale lembrar, esses jogos reuniram aqueles que são em tese os 16 clubes mais fortes da Europa na atualidade, o que derruba o argumento de que a chuva de gols desta temporada seja apenas um reflexo da diferença técnica entre as equipes mais poderosas e as mais fracas.

Resumindo: o futebol europeu pegou gosto pelo gol. E quem ganha com isso são todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado. Ou seja, eu… e imagino que vocês também.


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Eurocopa tem pior média de gols em 24 anos. De quem é a culpa?
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Rafael Reis

Não se sinta um estranho caso você esteja achando as partidas da Eurocopa-2016 um tanto quanto sonolentas e chatas.

Encerrada na quarta-feira, a primeira fase da competição que reúne as melhores seleções do Velho Continente teve a média de gols mais baixa dos últimos 24 anos.

Os 36 jogos válidos pela fase de grupos registraram apenas 69 gols. Isso significa que cada partida da Euro até agora teve em média apenas 1,92 gol.

Lukaku

Trata-se da marca mais baixa desde a Euro-1992, que teve só 1,75 gol por jogo na primeira fase. Mas, na aquela época, só oito times disputavam o torneio, e a etapa de grupos se restringia a 12 partidas.

E como todo matemático sabe, quanto menor a amostragem, maior a chance de ela resultar em um média atípica, já que os resultados incomuns acabam tendo um peso maior.

Na Euro-2016, a primeira fase contou com o triplo de partidas, 36. Dessas, quase 40% tiveram no máximo um gol. Foram quatro 0 a 0 e dez vitórias pelo placar mínimo, 1 a 0.

Quer outros dados impressionante? Apenas cinco seleções (País de Gales, Espanha, Croácia, Hungria e Islândia) balançaram as redes em todas as apresentações. E, depois de 16 anos, uma seleção (a Ucrânia) despediu-se do torneio sem um mísero golzinho.

A escassez de gols da Euro fica ainda mais evidente quando comparada a de outros torneios recentes entre seleções.

A edição anterior da competição, em 2012, teve média de 2,5 gols por partida na primeira fase.  Já a última Copa do Mundo, dois anos atrás, registou 2,83 gols por jogo na etapa de grupos.

A pesada redução nos gols da Euro coincide com o aumento do número de seleções participantes da competição (de 16 para 24).

A medida não tornou as partidas menos competitivas e ampliou a quantidade de goleadas, como muitos poderiam imaginar. O efeito da medida adotada pela Uefa foi exatamente o contrário.

O novo formato permitiu que quatro dos seis terceiros colocados dos seus grupos avançassem para as oitavas de final. Com essa possibilidade, para muitas seleções, não perder passou a ser mais importante que ganhar. Então, dá-lhe retranca.

Portugal, por exemplo, avançou de fase sem vencer nenhuma partida (foram três empates). Todos os times que chegaram a quatro pontos (uma vitória e um empate) também passaram para as oitavas.

Não é de hoje que essa fórmula de disputa rende placares minguados. A Copa do Mundo de pior média de gols da história, a de 1990 (2,21 gol por jogo), tinha a mesma configuração (a diferença é que a vitória, na época, valia só 2 pontos).

Além do formato, o momento atual do futebol europeu também favorece a escassez de gols. O sucesso do Atlético de Madri, vice da Liga dos Campeões em duas das três últimas temporadas, e o improvável título inglês conquistado pelo Leicester nos fizeram lembrar que basta marcar um gol a mais que o adversário para derrotá-lo.

Ambos os times preferem entregar a possa de bola para o rival e ficam encolhidinhos na defesa à espera de uma chance para matar o jogo, no contra-ataque ou na bola parada.

Um velho estilo de praticar futebol que voltou à moda, inspira as seleções da Euro e ajuda a entender porque achar modorrentos os jogos da aclamada competição continental virou algo comum.


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