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Por onde andam os jogadores da Itália que fez o Brasil chorar na Copa-1982?
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Rafael Reis

Não é à toa que a eliminação brasileira na Copa do Mundo-1982 entrou para a história com o nome de “Tragédia do Sarriá”.

A derrota por 3 a 2 para a Itália, no dia 5 de julho, no estádio Sarriá, em Barcelona, foi o fim da linha de uma seleção repleta de craques, como Falcão, Sócrates, Zico e Júnior, e que praticava um dos futebóis mais bonitos da história dos Mundiais.

O resultado classificou a seleção europeia para as semifinais e a alavancou rumo à conquista do tri, seis dias depois, com uma vitória por 3 a 1 sobre a Alemanha Ocidental.

Trinta e cinco anos depois de fazerem o Brasil chorar, como está a vida dos jogadores que impuseram à amarelinha uma das derrotas mais doloridas de toda sua existência? É isso que mostramos logo abaixo:

POR ONDE ANDA – ITÁLIA (1982)?

Dino Zoff (75 anos) – Jogador mais velho a conquistar uma Copa do Mundo, o capitão italiano já era um quarentão em 1982. O ex-goleiro foi um treinador importante no Calcio durante a década de 1990 e chegou a dirigir a seleção italiana entre 1998 e 2000. Seu trabalho de maior sucesso foi com a Juventus, onde conquistou os títulos da Copa Itália e da Copa da Uefa em 1990. Zoff está aposentado dos bancos de reservas há mais de dez anos.

Claudio Gentile (63 anos) – O implacável marcador de Zico e Maradona na Copa-1982 foi assistente de Dino Zoff na seleção italiana principal, dirigiu a equipe sub-21 entre 2000 e 2006 e foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Em 2014, chegou a ser anunciado como treinador do Sion, da Suíça. No entanto, jamais exerceu o cargo.

Gaetano Scirea (in memoriam) – Um dos melhores defensores de todos os tempos, o líbero morreu em 1989, um ano depois de pendurar as chuteiras. Scirea fazia parte da comissão técnica da Juventus, clube que defendeu durante a maior parte da carreira, e estava a trabalho na Polônia quando sofreu o acidente de carro que encerrou sua vida.

Fulvio Collovati (60 anos) – O ex-zagueiro de Milan, Inter de Milão e Roma ainda vive do futebol, mas agora fora de campo. Collovati é comentarista da RAI, a rede de televisão pública italiana. O ex-jogador também faz parte da administração do Pro Patria, um pequeno clube que disputa a quarta divisão do Calcio.

Antonio Cabrini (59 anos) – O lateral esquerdo que disputou quase 300 partidas pela Juventus já tentou de tudo desde a aposentadoria, em 1991. Cabrini participou de reality shows e até tentou carreira na política. Desde 2000, trabalha como técnico. Apesar de nunca ter tido muito sucesso em equipes masculinas, foi escolhido em 2012 para dirigir a seleção italiana feminina, onde está até hoje.

Bruno Conti (62 anos) – Assim como fez durante o período em que jogou futebol profissionalmente, o meia campeão mundial de 1982 continua dedicando sua carreira à Roma. Conti já passou por várias funções na equipe da capital italiana (treinador da base, diretor-técnico e até interino da equipe principal). Hoje, é o homem responsável pelas gestão das categorias de base do clube.

Marco Tardelli (62 anos) – O ex-meia da Juve tem uma carreira bastante longa como treinador, ainda que jamais tenha obtido grandes resultados. Tardelli já dirigiu as seleções sub-16 e sub-21 da Itália, comandou a Inter de Milão e até o Egito. Seu trabalho mais recente foi como assistente técnico de Giovanni Trapattoni na seleção da Irlanda entre 2008 e 2013.

Giancarlo Antognoni (63 anos) – Cérebro da Itália na conquista do tricampeonato mundial, o ex-meia continua ligado à Fiorentina, clube que defendeu durante 15 anos e que o tem como um dos maiores ídolos de sua história. Antognoni atualmente é o vice-presidente do time de Florença e trabalha diretamente com as contratações de jogadores.

Gabriele Oriali (64 anos) – O ex-meia chegou a ser condenado a seis meses de prisão, em 2006, por ter participado de um esquema de falsificação de passaporte do uruguaio Álvaro Recoba quando era dirigente da Inter de Milão, no começo dos anos 2000. Livre da pena, Oriali é auxiliar da seleção italiana desde 2014 e braço direito do técnico Giampiero Ventura.

Francesco Graziani (64 anos) – O ex-atacante até já trabalhou como comentarista, mas sua especialidade desde que se aposentou, em 1988, é comandar times pequenos. Graziani começou a carreira como técnico na Fiorentina, mas depois só pegou clubes menores. O trabalho de maior sucesso foi à frente do Cervia, uma equipe amadora que ele conduziu para a quarta divisão em 2005.

Paolo Rossi (60 anos) – Autor de três gols no confronto com o Brasil, o artilheiro e melhor jogador da Copa-1982 optou por não seguir uma carreira formal no futebol depois da aposentadoria. Paolo Rossi até fez alguns frilas como comentarista na Itália, mas ganha a vida como proprietário de um hotel na Toscana. O ex-atacante também é embaixador das Nações Unidas e participou da sétima temporada da versão italiana da “Dança dos Famosos”.

Giuseppe Bergomi (53 anos) – Reserva no confronto com o Brasil, precisou ir a campo ainda no primeiro tempo devido a uma contusão sofrida por Collovati. Um dos grandes nomes da história da Inter de Milão, o ex-zagueiro chegou a trabalhar como treinador de categorias de base. No entanto, sua função mais conhecida é a de comentarista da Sky Sports Italia.

Gianpiero Marini (66 anos) – Outro reserva utilizado na partida contra o Brasil, o ex-meia estreou como técnico na Inter de Milão, em 1993, e conquistou logo de cara a Copa da Uefa. No entanto, esse foi o grande momento de sua carreira no banco de reservas. Depois, treinou Como, Cremonese e seleção B da Itália.

Enzo Bearzot (in memoriam) – Recordista de partidas à frente da seleção italiana, dirigiu a Azzurra 104 vezes entre 1975 e 1986, quando decidiu se aposentar do futebol. Morreu aos 83 anos, em 21 de dezembro de 2010, justamente 42 anos depois da morte de Vittorio Pozzo, o treinador dos dois primeiros títulos mundiais da Itália.


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Por onde andam os jogadores da Itália tetracampeã mundial em 2006?
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Rafael Reis

Um goleiro quase intransponível, uma defesa de causar inveja aos adversários, um meio-campista talentoso, vários jogadores de qualidade técnica duvidosa e um centroavante caneludo, mas especialista na arte de empurrar a bola para as redes.

Foi com a receita de quase todos os times vencedores de sua história que a Itália conquistou em 2006 seu quarto título mundial.

A final daquela Copa, vencida nos pênaltis contra a França, teve uma cena épica, daquelas capazes de entrar para os anais do futebol: a cabeçada dada por Zidane, no último jogo de sua carreira, bem no peito de Materazzi.

Onze anos depois, o que andam fazendo os protagonistas do último título mundial conquistado pela Itália? É isso que mostramos logo abaixo.

POR ONDE ANDA – ITÁLIA DE 2006?

Gianluigi Buffon (39 anos) – O goleiro já tinha 28 anos quando disputou a terceira Copa do Mundo de sua carreira. Desde então, participou de mais dois Mundiais (2010 e 2014), fez história na Juventus e se manteve como um dos maiores nomes da sua posição no planeta. Prestes a se tornar quarentão, Buffon é hoje o capitão da seleção italiana e quer ir à Rússia-2018 antes de se aposentar.

Gianluca Zambrottra (40 anos) – O ex-lateral de Juventus, Barcelona e Milan se aposentou há três anos no Chiasso, time da segunda divisão suíça, onde também iniciou a carreira de técnico. No ano passado, dirigiu o Dehli Dynamos na Superliga Indiana. Zambrotta também é presidente de honra do Como, clube da Série B italiana que o revelou para o futebol.

Fabio Cannavaro (43 anos) – O capitão da Itália de 2006 e melhor jogador do mundo naquele ano é mais um que investe na carreira de treinador. O ex-zagueiro está à frente desde o ano passado do Tianjin Quanjian, atual campeão da segunda divisão chinesa e que conta nesta temporada com os brasileiros Geuvânio, Alexandre Pato e Júnior Moraes.

Marco Materazzi (43 anos) – O pivô da expulsão de Zidane na final da Copa prolongou bastante sua carreira. Em 2015, aos 42 anos, ele ainda dava seus carrinhos na Superliga Indiana. Já na última temporada, Materazzi preferiu se dedicar apenas ao banco de reservas do Chennaiyin. A estratégia não deu certo. No final do ano, o clube anunciou que o técnico italiano não retornará em 2017.

Fabio Grosso (39 anos) – O lateral esquerdo, que trocou o Palermo pela Inter de Milão depois da Copa, trabalha desde 2013 nas categorias de base da Juventus, clube pelo qual se aposentou um ano antes. Atualmente, Grosso é o técnico da categoria primavera, a última antes do time profissional da multicampeã italiana.

Mauro Camoranesi (40 anos) – O argentino naturalizado italiano ainda retornou para casa e atuou por três temporadas na América do Sul até a aposentadoria, em 2014. Atualmente desempregado, já comandou dois clubes pequenos do futebol mexicano, além do Tigre, da Argentina.

Gennaro Gattuso (39 anos) – O maior símbolo de raça da seleção italiana tetracampeã mundial foi vice da terceira divisão italiana como técnico do Pisa na temporada passada. Já na atual, tem conseguido, com muito sofrimento, manter o clube fora da zona de rebaixamento na Série B.

Andrea Pirlo (37 anos) – Maestro da seleção italiana por mais de uma década, o volante deixou de ser convocado em 2015, mas segue na ativa. Há dois anos, deixou a Juventus para defender o New York City e ser uma das estrelas do soccer norte-americano. Deve deixar os gramados em dezembro, quando termina seu contrato.

Simone Perrotta (39 anos) – Um dos nomes mais questionáveis da equipe italiana que foi titular na Alemanha, o meia nascido na Inglaterra abondou o futebol profissional em 2013, quando já era uma figura de importância reduzida no elenco da Roma.

Francesco Totti (40 anos) – Um dos maiores ídolos (se não o maior) da história da Roma, o atacante pouco joga, mas ainda é aclamado pela torcida do clube da capital italiana cada vez que entra em campo. A aposentadoria está marcada para o fim da temporada. Pela seleção, já não joga desde a Copa-2006.

Luca Toni (39 anos) – O centroavante trombador conseguiu uma proeza histórica: ser artilheiro do Campeonato Italiano em 2015, na penúltima temporada de sua carreira, atuando pelo pequeno Hellas Verona. Foi nesse clube que pendurou as chuteiras, um ano depois.

Daniele de Rossi (33 anos) – Caçula do elenco italiano na Alemanha, o volante que entrou no segundo tempo da decisão também já está na reta final da carreira. De Rossi já perdeu o posto de titular absoluto da Roma e ficou no banco nas últimas rodadas da Série A.

Vincenzo Iaquinta (37 anos) – Outro reserva que foi aproveitado na final contra a França, o ex-atacante da Juventus deixou o futebol profissional há quatro anos. O nome de Iaquinta voltou aos noticiários nos últimos dias devido a problemas judiciais dele e de seu pai na Itália.

Alessandro Del Piero (42 anos) – Um dos nomes mais talentosos daquela Itália, o camisa 7 defendeu a Juventus até os 37 anos e ainda jogou na Austrália e na Índia, além de ter sido especulado para defender o Palmeiras, até por um ponto final da carreira, no final de 2014.

Marcello Lippi (68 anos) – Deixou o comando da seleção italiana logo após o tetra, mas retornou dois anos depois e dirigiu a equipe na Copa do Mundo-2010. Passou também pelo Guangzhou Evergrande, hoje nas mãos de Luiz Felipe Scolari, até ser contratado no ano passado para tentar levar a China ao Mundial da Rússia.


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Ídolo, Buffon já foi investigado por apostas e carregou fama de fascista
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Rafael Reis

Após grande atuação na vitória por 2 a 0 sobre a Espanha, nas oitavas de final da Eurocopa, Gianluigi Buffon fez questão de reverenciar o meia adversário Andrés Iniesta e de dizer que não se considera um goleiro tão bom quanto o alemão Manuel Neuer, seu rival neste sábado por vaga na semifinal do torneio continental.

As declarações dadas por um dos maiores nomes da posição em todos os tempos fizeram torcedores não só da Itália, mas do mundo todo, elogiarem a humildade do veterano capitão da Azzurra.

Mas a fama de bom moço é algo novo na longínqua carreira do goleiro de 38 anos. O passado de Buffon é marcado por polêmicas e comportamentos no mínimo inadequados para um ídolo nacional.

Buffon

O caso mais conhecido é a afeição que o camisa 1 tem pela jogatina.

Durante anos, ele manteve o costume de apostar em resultados de partidas de futebol. Algo grave em um país marcado por escândalos de manipulação de resultados. E pior ainda por ele defender a Juventus, clube que chegou a ser rebaixado por se beneficiar de esquemas como esse.

A participação de Buffon na máfia que armava placares do Campeonato Italiano chegou a ser investigada, e ele foi interrogado pela polícia.

O goleiro só escapou de punição porque não ficou provado que ele apostava em partidas do próprio time e nem que havia posto dinheiro na previsão de resultados depois de 2005, quando a prática foi criminalizada para jogadores de futebol. O título da Copa do Mundo-2006 também lhe deu uma ajudinha.

Antes da faceta apostadora do ídolo italiano vir à tona, a fama negativa com a qual Buffon precisava lidar era a de ser um simpatizante da extrema-direita e do fascismo.

A razão remonta ao início de sua carreira. Em 1999, quando ainda jogava pelo Parma, o goleiro escreveu em sua camisa de jogo a expressão “Boia chi Molla” (algo como “Quem desiste é um assassino dos seus próprios companheiros”), usada pelo exército de Benito Mussolini durante o regime fascista e a Segunda Guerra Mundial.

No ano seguinte, nova polêmica. O goleiro, que então já carregava a fama de simpatizantes de regimes radicais de extrema direita, decidiu utilizar a camisa 88, escolha que foi interpretada como uma apologia ao nazismo.

Explicando: a oitava letra do alfabeto é o H. Assim, o número 88 significaria HH, as iniciais de “Heil Hitler”, a saudação feita pelos alemães a Adolf Hitler.

Buffon sempre negou as inclinações políticas radicais. Sobre o primeiro caso, disse desconhecer a história da expressão, que era apenas uma forma de motivar seus companheiros de time.

Quanto ao número, afirmou que optou pelo 88 por se tratar de quatro bolas de futebol e que essa camisa nem era sua primeira opção.


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Único jogador brasileiro punido por fraudar jogos capta jovens para agentes
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Rafael Reis

A vida de Joelson Inácio, 32, nunca voltou ao normal depois do seu envolvimento com uma rede de manipulação de resultados no futebol italiano.

Depois de cumprir dois anos e meio de suspensão por trabalhar para fraudar placares de jogos da Série B do calcio, o atacante voltou aos gramados há 11 meses. Mas não foi mais o mesmo.

O brasileiro não conseguiu retornar aos primeiros escalões do futebol da Itália. Atualmente, joga pelo Lecco, que atua na semiprofissional quarta divisão.

A carreira dentro dos campos já não é mais também seu único ganha pão.

“Sou sócio de alguns empresários que estão tentando organizar campings de treinamentos para crianças e jovens. Somos em quatro sócios. Nossa ideia é organizar treinos não só aqui na Itália, mas também nos EUA e na República Dominicana.”

Joelson

O papel de Joelson, ele mesmo faz questão de ressaltar, não é negociar jogadores. “Minha função é mais de olheiro”, conta.

Caberá a Joelson identificar quais garotos entre os participantes das sessões de treinamento têm potencial para se tornarem jogadores de futebol e tentar encaixá-los nas categorias de base de clubes da Itália.

“Muita gente que jogou comigo já se tornou treinador ou direito. A ideia é aproveitar o contato que tenho com esse pessoal”, explica.

Joelson ficou suspenso do futebol entre setembro de 2012 e março de 2015. A pena, aplicada pela Federação Italiana de Futebol, está relacionada ao recebimento de dinheiro de uma rede de apostadores ilegais para tentar manipular resultados do Grossetto, da Série B local, em 2010.

O atacante, que vive na Itália desde os 13 anos, admitiu ter participado de duas tentativas de fraudar jogos.

Em um episódio, recebeu 20 mil euros (quase R$ 87 mil, na cotação atual) para permitir a vitória por 2 a 0 do Reggina sobre o Grossetto. Em outro, ofereceu 30 mil euros (R$ 130 mil) para que o goleiro rival, o brasileiro Angelo da Costa, fosse derrotado de propósito –a proposta foi recusada.

“Eles [os fraudadores] nunca mais me procuraram. Não valeu a pena ter feito aquilo. Fiquei dois anos e meio parado e estou sofrendo para limpar minha imagem. Foi uma experiência muito negativa, mas que me ensinou demais.”

Além da punição esportiva, Joelson ainda aguarda a conclusão do seu caso na Justiça comum da Itália. O julgamento está marcado para a próxima quinta-feira (18 de fevereiro). Segundo o jogador, não há risco de ele ser preso.


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