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Motor do Real, Modric passou a infância em hotel para refugiados de guerra
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Rafael Reis

Aos 6 anos, você é obrigado a abandonar sua casa com a mãe para não morrer nas mãos do exército. Sem ter para onde ir, encontra teto em um hotel transformado em abrigo para refugiados de guerra. Seu avô, que ficou para trás, comprova que o temor da família não era em vão e acaba brutalmente executado pelos inimigos.

Qual o futuro dessa criança? Juntar-se a um grupo terrorista para descontar nos outros todo o sofrimento que sentiu, entrar para o mundo do crime organizado, tornar-se um indigente? Quase todas as opções são mais prováveis do que virar o “dono” do meio-campo de um dos maiores times de futebol do mundo.

Essa é a história da vida de Luka Modric, 31, peça essencial para que as engrenagens do Real Madrid funcionem desde que foi contratado do Tottenham, cinco anos atrás.

O meia franzino, de apenas 1,74 m e 65 kg, nasceu em um vilarejo com menos de 200 habitantes próximo a Zadar, cidade litorânea que então fazia parte da Iugoslávia.

Modric teve uma infância pobre, porém normal, até 1991, quando a Croácia declarou de forma unilateral sua independência e entrou em guerra contra o governo central iugoslavo (hoje Sérvia).

De uma hora para outra, a vida de Luka mudou radicalmente. Seu pai, Stipe, juntou-se ao exército croata pró-independência e foi para o campo de batalha. Com medo, sua família abandonou o vilarejo de Zaton Obrovacki, onde vivia. E houve ainda o assassinato do seu avô.

Com a preocupação única de sobreviver, o pequeno Modric acabou crescendo em um hotel para refugiados de guerra, em Zadar. Lá, sua mãe fez de tudo para poupá-lo dos horrores da guerra. Sua intenção era colocá-lo dentro de uma bolha.

Bolha onde o futuro meia do Real passava os dias chutando uma bola de um lado para o outro à espera do fim do conflito que havia mudado completamente sua vida.

E quando a guerra terminou, em 1995, Luka estava pronto para começar a escrever sua improvável história de sucesso. Aos 11 anos, entrou nas categorias de base do Zadar. Aos 16, assinou com o Dínamo de Zagreb, o clube mais poderoso da Croácia. Com 20, estreou na seleção principal. E, aos 22, migrou para a bilionária Premier League inglesa.

Foram quatro temporadas e quase 160 jogos pelo Tottenham até o Real Madrid desembolsar 30 milhões de euros (R$ 100 milhões) para levá-lo ao futebol espanhol, em 2012.

Em Madri, Modric não demorou para se tornar peça essencial no meio-campo galáctico e um dos jogadores de sua posição mais admirados pelos torcedores de todo o planeta.

Em cinco temporadas de Real, ele acumula 11 gols, 31 assistências, dois títulos da Liga dos Campeões da Europa e, o mais importante, a certeza de que driblou com a classe que lhe é habitual o destino sombrio que parecia reservado para o pequeno Luka.


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Da universidade para a seleção, técnico da Croácia na Euro faz história
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Rafael Reis

Ante Cacic, 62, não precisa conquistar o título da Eurocopa ou nem mesmo levar a Croácia a uma campanha histórica na competição continental para se considerar um vencedor.

A comprovação do seu sucesso veio oito meses atrás quando recebeu o convite para se tornar o décimo técnico efetivo da história da seleção croata. E o primeiro que não jogou futebol profissionalmente.

Ao contrário dos ídolos locais Niko Kovac, Igor Stimac e Slaven Bilic, os três últimos a passarem pelo cargo, e de todos seus outros antecessores, Cacic aprendeu o esporte nos bancos de uma universidade.

Ante Cacic

Formado em educação física, ele foi um dos primeiros croatas a receber o certificado de treinadores emitido pela Uefa, passou os primeiros dos 30 anos de sua carreira dirigindo equipes menores.

“[Não ter sido jogador] talvez torne mais difícil receber boas oportunidades no começo porque os clubes têm mais confiança nos “grandes nomes”, aqueles que tiveram uma carreira nos gramados. Mas, uma vez que você prove do que é capaz, será considerado igual aos outros. No fim, o mais importante é se você entende de futebol”, disse Cacic, em entrevista ao blog.

Campeão croata com o Dínamo de Zagreb em 2012, o treinador estava no NK Lokomotiva quando foi chamado para assumir a seleção, que vinha de três tropeços consecutivos e perigava ficar fora da Euro.

A transformação do time foi imediata. Sob o comando de Cacic, a Croácia está invicta e acumula cinco vitórias e um empate.

“Não há regras no mundo dos técnicos. Alguns dos melhores treinadores do mundo não jogaram futebol profissionalmente, enquanto alguns dos grandes jogadores não viraram bons técnicos. O vestiário vai te respeitar pelo seu conhecimento e capacidade de treinar os jogadores, não por sua carreira como atleta.”

Com o vestiário na mão, Cacic está empolgado sobre as chances croatas na Euro. O que enche seus olhos é o meio-campo cheio de jogadores acostumados a jogos importantes e que fariam parte de quase toda seleção no mundo.

Ivan Rakitic (Barcelona), Luka Modric e Mateo Kovacic (Real Madrid), Ivan Perisic e Marcelo Brozovic (Inter de Milão) são alguns dos nomes com os quais ele pode contar para a armação das jogadas.

“Acredito que a Croácia tem todo o direito de viajar para a França com otimismo e ambição. Temos vários jogadores de alto nível, como Modric e Rakitic. Podemos certamente atingir o sucesso, que eu considero chegar às quartas de final ou ir adiante.”

Os croatas estreiam na Euro-2016 contra a Turquia, no dia 12 de junho. Espanha e República Tcheca são as outras seleções que integram o Grupo D.


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