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Cão de guarda, Casemiro é o recordista de carrinhos no futebol europeu
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Rafael Reis

Messi, Luis Suárez e os outros jogadores de frente do Barcelona não terão vida fácil no confronto decisivo com o Real Madrid, neste domingo. E um dos motivos atende pelo nome de Casemiro.

O volante brasileiro de 25 anos é o “rei dos carrinhos” na elite do futebol europeu nesta temporada.

De acordo com o “Who Scored?”, site especializado nas estatísticas do futebol, o ex-jogador do São Paulo distribuiu em média 4,6 carrinhos em cada partida que disputa no Campeonato Espanhol.

Nenhum outro atleta inscrito nas seis principais ligas nacionais da Europa (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália, França e Portugal) usa mais esse recurso que Casemiro. O único que o iguala é o também volante Maxime Gonalons, capitão do Lyon.

A dedicação na marcação mostrada em campo hoje em dia pelo brasileiro contrasta com a fama de displicente que marcou o início de sua carreira. No São Paulo, o volante era visto como um jogador talentoso, mas que não era muito chegado em se esforçar pelo time.

Na Europa desde 2013, quando foi contratado pelo Real Madrid Castilla, time B do gigante espanhol, Casemiro amadureceu e perdeu o pudor de “se matar” para roubar a bola do adversário.

Titular absoluto da equipe principal do Real há quase duas temporadas (e agora também da seleção brasileira), deu balanço defensivo ao time e se tornou uma espécie de “cão de guarda” para o técnico Zinédine Zidane.

Não à toa, Casemiro é hoje o recordista de faltas da equipe da capital (2,2 por partida, em média, no Espanhol) e o segundo brasileiro dos principais campeonatos nacionais da Europa que mais dá porrada (Gabriel Pires, do Leganés, tem média de 2,3 faltas por jogo).

Às vezes, ele exagera, como na vitória por 4 a 2 sobre o Bayern de Munique, terça-feira, que colocou o Real nas semifinais da Liga dos Campeões.

Na ocasião, o volante cometeu cinco das sete faltas do seu time na partida e só não foi expulso devido a uma tolerância extrema do árbitro húngaro Viktor Kassai, muito cobrado pelos jogadores alemães e pela imprensa internacional após a partida.

Mas é claro que Suárez, Messi e qualquer outro jogador do Barcelona preferiam não ter Casemiro pela frente neste domingo. Não com tantos carrinhos…


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Mundial de Clubes tem 10 jogadores brasileiros; conheça cada um deles
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Rafael Reis

A 13ª edição do Mundial de Clubes da Fifa começa nesta quarta-feira, com o confronto entre Kashima Antlers (JAP) e Auckland City (NZL). E, pelo terceiro ano seguinte, não contará com a participação de nenhum clube brasileiro.

Mas isso não significa que o futebol pentacampeão mundial ficará sem representantes no Japão. Afinal, dez dos 161 jogadores inscritos na competição nasceram por aqui.

Os atletas brasileiros estão espalhados por cinco dos sete times participantes. Apenas o Atlético Nacional (COL), campeão da Libertadores, e o Auckland City (NZL), vencedor da Liga dos Campeões da Oceania, não têm nenhum brasileiro em seu elenco.

Conheça agora os dez jogadores que representam o Brasil no Mundial de Clubes:

MARCELO
Real Madrid (ESP)
28 anos
Lateral esquerdo
Marcelo
Há dez anos no Real Madrid, o lateral esquerdo da seleção brasileira é um dos melhores jogadores de sua posição na atualidade e uma importante arma ofensiva da equipe espanhola (já deu três assistências na temporada). Marcelo irá disputar seu segundo Mundial de Clubes. Em 2014, foi campeão

CASEMIRO
Real Madrid (ESP)
24 anos
Volante
Casemiro
De revelação criticada e perseguida por torcedores no São Paulo a titular de um dos maiores clubes do mundo. Essa é a trajetória de Casemiro, hoje uma peça importante no esquema do técnico Zinedine Zidane. O volante brasileiro ainda está em processo de recuperação de ritmo de jogo após uma fissura na perna esquerda deixa-lo fora de ação por dois meses.

PEPE
Real Madrid (ESP)
33 anos
Zagueiro
Pepe
Nascido em Maceió e revelado pelo Corinthians Alagoano, transferiu-se para Portugal há 15 anos e, desde 2007, é companheiro de Cristiano Ronaldo na seleção lusitana. No mesmo ano, trocou o Porto pelo Real Madrid, onde está até hoje. Vive um 2016 glorioso, já que ganhou a Eurocopa e a Liga dos Campeões.

DANILO
Real Madrid (ESP)
25 anos
Lateral direito
Danilo
Entre os brasileiros do elenco do Real Madrid, é o de menos destaque. Tirado do Porto na temporada passada, o ex-jogador do Santos tem levado a pior na disputa por posição com Carvajal e costuma ser reserva na maior parte das partidas do time espanhol. Fez um gol nesta temporada.

WILLIAM
América (MEX)
30 anos
Meia
William
Um dos artilheiros da Copa São Paulo de 2004 pelo Palmeiras, teve dificuldades na transição para o time profissional e acabou emprestado para cinco clubes diferentes em um período de apenas três anos. Chegou ao México dois anos atrás e ainda foi companheiro de Ronaldinho no Querétaro antes de assinar com o América.

LEONARDO
Jeonbuk Hyundai (CDS)
30 anos
Meia-atacante
Leonardo
Pouco conhecido no Brasil, é o ídolo do momento no futebol sul-coreano. Leonardo começou a carreira na Desportiva (ES) e migou para Grécia em 2005, aos 18 anos. Em 2012, mudou de continente mais uma vez e foi o Jeonbuk Hyundai. Principal nome na conquista do título asiático, ele marcou dez vezes na Liga dos Campeões e foi o vice-artilheiro do torneio.

EDU
Jeonbuk Hyundai (CDS)
35 anos
Atacante
Edu
Famoso pelo período em que atuou na Alemanha, principalmente no Schalke 04, o centroavante assinou pelo Jeonbuk em julho, após cinco meses desempregado. Veterano, raramente é escalado como titular. Mas sua vasta experiência acaba sendo útil para o elenco do time sul-coreano.

RICARDO NASCIMENTO
Mamelodi Sundowsn (AFS)
29 anos
Zagueiro
Ricardo Nascimento
Caso raro de jogador brasileiro que foi tentar a sorte na África, o defensor foi revelado nas categorias de base do Palmeiras, mas passou a maior parte da carreira vinculado ao Olé Brasil, de Ribeirão Preto. Ricardo Nascimento defendeu cinco clubes de Portugal e também teve uma passagem pela Romênia até ir para o Mamelodi, neste ano.

FABRÍCIO
Kashima Antlers (JAP)
26 anos
Meia-atacante

Cria das categorias de base do Corinthians, atuou por empréstimo em times menores para ganhar experiência. Também teve uma passagem relâmpago pelo Botafogo antes de ir para o exterior. Foi contratado pelo Kashima Antlers nesta temporada.

BUENO
Kashima Antlers (JAP)
21 anos
Zagueiro
Bueno
O defensor tem uma trajetória pouco comum para jogadores brasileiros. Bueno passou em uma peneira feita por uma escola japonesa aqui no Brasil e se mandou para cursar a fase final do ensino médio no Oriente. O destaque nos campeonatos escolares abriu as portas para a J.League. Depois de passar por Shimizu S-Pulse e Vissel Kobe, ele se mudou em 2016 para o Kashima.


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Eles levavam torcedores ao desespero no Brasil e hoje brilham na Europa
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Rafael Reis

Todo torcedor conhece bem essa história e já passou por uma dessas. Aquele cara que no seu time não jogava nada, era alvo de piadas e sofria perseguição da torcida de repente vira um craque quando troca de clube.

Amadurecimento, dedicação maior aos treinos, melhoria na parte física ou simplesmente um encaixe melhor na nova equipe. Muitas são as razões dessa diferença tão grande de desempenho.

Relembramos abaixo casos de jogadores que, por um motivo ou outro, fracassaram no futebol brasileiro e agora se destacam na Europa, deixando seus antigos torcedores com aquela dose peculiar de ódio.

CASEMIRO
Onde foi mal: São Paulo
Onde está bem: Real Madrid (ESP)

Casemiro

Talvez o símbolo máximo dessa transformação que atinge alguns jogadores. Mal saído da adolescência, foi promovido para o time profissional do São Paulo e irritou a torcida com sua displicência e falta de noção (chegou a pedir aumento em uma entrevista coletiva). Mas tinha potencial. E o Real Madrid tratou de aproveitá-lo. Foi titular do time espanhol na maior parte da gestão Rafa Benítez.

FELIPE ANDERSON
Onde foi mal: Santos
Onde está bem: Lazio (ITA)

Felipe Anderson

Em 2012 e 2013, Muricy Ramalho parecia escalar Felipe Anderson no meio-campo do Santos só pelo prazer de destruí-lo na entrevista após a partida. A cena se repetiu inúmeras vezes, com variadas reclamações: apatia, falta de inteligência tática, escolhas erradas. O menino tão criticado pelo ex-treinador foi um dos melhores jogadores da última temporada na Itália e está na mira do Manchester United.

FERNANDÃO
Onde foi mal: Palmeiras
Onde está bem: Fenerbahce (TUR)

Um dos tantos atacantes carinhosamente classificados como cone pela torcida palmeirense nos últimos anos, o centroavante teve uma passagem esquecível pelo clube paulista entre 2011 e 2012. Hoje, é titular do Fenerbahce e colocou no banco o jogador mais conhecido da equipe turca, o holandês Robin van Persie, ex-Arsenal e Manchester United.

YOSHIMAR YOTÚN
Onde foi mal: Vasco
Onde está bem: Malmö (SUE)

Yotun

Contratado no início de 2013 com status de melhor lateral esquerdo das Américas, o peruano acabou o ano rebaixado com o Vasco e marcado por um lance bizarro contra o Corinthians, quando furou em uma tentativa de chute e na sequência trombou em um companheiro de time. Nesta temporada, disputou, como titular, a Liga dos Campeões da Europa. Nada mal.

MAURÍCIO
Onde foi mal: Palmeiras
Onde está bem: Lazio (ITA)

Seu lance mais marcante no Palmeiras, clube onde iniciou a carreira, foi um soco que levou de Obina no intervalo de uma partida do Campeonato Brasileiro de 2009. Encontrou-se depois de se mudar para a Europa. Por um ano e meio, defendeu o Sporting, em Portugal. Desde o começo do ano passado, atua na italiana Lazio. Atualmente, é titular da equipe.


Ex-displicente, Casemiro vira “rei do carrinho” no Real Madrid
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Rafael Reis

O torcedor do São Paulo que chamava Casemiro de desinteressado, displicente e sangue de barata deve ter dificuldade para reconhecer o camisa 14 do Real Madrid.

O volante não apenas se transformou em titular do gigante espanhol pelas mãos do técnico Rafa Benítez, como também virou o “rei dos carrinhos” na equipe de Cristiano Ronaldo, Bale e cia.

De acordo com o “Who Scored”, o brasileiro é o jogador do elenco do Real que mais faz uso desse fundamento, normalmente associado a atletas raçudos e fortes na marcação.

Casemiro dá em média 3,2 carrinhos por partida no Campeonato Espanhol. O também brasileiro Marcelo, segundo na estatística, contenta-se com 2,7 intervenções desse tipo.

Casemiro carrinho

E é exatamente por características como a dedicação em campo e a famosa pegada que o volante caiu nas graças de Benítez –apenas ele e Cristiano Ronaldo jogaram todos os minutos das últimas oito partidas do Real.

O brasileiro se tornou titular porque o treinador espanhol queria aumentar o poder de marcação do seu meio-campo e dar mais liberdade para os avanços de Kroos e Modric.

Antes de Casemiro ganhar uma vaga, o Real jogava com o alemão e o croata como volantes e mais um meia de criação, James Rodríguez, na escalação ideal.

Na nova formação, não há mais um camisa 10 tradicional. O brasileiro faz o papel do primeiro volante (ainda que também avance e já tenha dado duas assistências na temporada), enquanto Kroos e Modric se revezam entre funções mais defensivas e ofensivas.

Imaginar Casemiro como um cão de guarda é um choque para quem viu seu início de carreira no São Paulo. Mas é a prova de que ele atingiu a maturidade como jogador.

Volante de alta qualidade no passe, ele sempre teve boa capacidade física para a marcação. Mas não parecia muito disposto a fazer o “jogo sujo” dentro de campo e sacrificar seu futebol para correr atrás dos adversários.

Mas, aos 23 anos e depois de quase três temporadas na Europa, com passagens por Real Madrid Castilla e Porto, Casemiro é outro jogador.

A marra e o estrelismo dos tempos de São Paulo ficaram no passado. E ele parece ter aceitado que a posição em que escolheu jogar dificilmente ganha status de protagonista.

O volante é um coadjuvante essencial para o funcionamento de um time, e seus momentos de brilho se resumem a providenciais desarmes e passes bem elaborados. E, tudo isso, o brasileiro tem feito.

Falta apenas convencer Dunga de que o Casemiro moleque dos tempos de São Paulo já era. O Casemiro homem do Real Madrid atual pode ser muito útil para a seleção.


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