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Arquivo : campeonato espanhol

Atrás de Vágner Love, Neymar está fora do top 100 da Chuteira de Ouro
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Rafael Reis

Principal jogador brasileiro desta década e principal artilheiro do país no futebol europeu nos últimos anos, Neymar vive uma temporada atípica.

Apesar de ser uma peça cada vez mais importante no Barcelona e de estar começando a dividir com Lionel Messi o protagonismo da equipe catalã, o camisa 11 viu seus gols rarearem nos últimos meses.

O brasileiro, que marcou 24 gols no último Campeonato Espanhol, balançou as redes apenas oito vezes nesta edição da Liga. O desempenho é insuficiente para colocá-lo sequer entre os 100 primeiros colocados da Chuteira de Ouro.

Mas, afinal, qual é a posição que Neymar ocupa no ranking que define o maior artilheiro dos campeonatos nacionais europeus na temporada?

O principal astro da seleção brasileira é apenas o 155º colocado da Chuteira de Ouro 2016/17. Ele tem os mesmos 16 pontos do espanhol Alvaro Morata, reserva do Real Madrid, de Duje Cop, centroavante croata do Sporting Gijón, do francês Olivier Giroud, do Arsenal, e de outros 23 jogadores.

Mesmo entre os brasileiros, Neymar não se destaca tanto assim. Ele só o oitavo no ranking entre os jogadores aptos a defender a seleção de Tite.

Estão à frente dele Tiquinho Soares (Porto, 32 pontos), Leonardo (Partizan Belgrado, 22,5 pontos), Whelton (Paços Ferreira, 22 pontos), Vágner Love (Alanyaspor, 19,5 pontos), João Paulo (Ludogorets, 19,5 pontos), Willian José (Real Sociedad, 18 pontos) e Firmino (Liverpool, 18 pontos)

O líder da Chuteira de Ouro é Messi, companheiro de Neymar no Barcelona. Com os dois gols marcados no 4 a 2 sobre o Valencia, no domingo, o argentino foi a 25 gols no Espanhol e 50 pontos no ranking.

O camisa 10 tem dois pontos de vantagem para o holandês Bas Dost, do Sporting, e quatro para o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, do Borussia Dortmund, seus oponentes mais próximos.

Melhor jogador do mundo e maior vencedor da história do prêmio (2007/08, 2010/11, 2013/14 e 2014/15), Cristiano Ronaldo manteve a 13ª colocação da semana passada, com 38 pontos.

O atual vencedor da Chuteira de Ouro é Luis Suárez, do Barcelona, que somou 80 pontos (40 gols) na última temporada. Nesta edição, o uruguaio tem 42 pontos e está em oitavo.

O “Blog do Rafael Reis” publica a cada terça-feira uma nova parcial do prêmio.

Confira o top 10 da Chuteira de Ouro

1º – Lionel Messi (ARG, Barcelona) – 50 pontos (25 gols)
2º – Bas Dost (HOL, Sporting) – 48 pontos (24 gols)
3º – Pierre-Emerick Aubameyang (GAB, Borussia Dortmund) – 46 pontos (23 gols)
4º – Anthony Modeste (FRA, Colônia) – 44 pontos (22 gols)
5º – Andrea Belotti (ITA, Torino) – 44 pontos (22 gols)
6º – Edin Dzeko (BOS, Roma) – 42 pontos (21 gols)
7º – Robert Lewandowski (POL, Bayern de Munique) – 42 pontos (21 gols)
8º – Luis Suárez (URU, Barcelona) – 42 pontos (21 gols)
9º – Romelu Lukaku (BEL, Everton) – 42 pontos (21 gols)
10º – Edinson Cavani (URU, Paris Saint-Germain) – 40,5 pontos (27 gols)


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Quem é o maior fiasco brasileiro na temporada: Gabigol ou Ganso? Compare
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Rafael Reis

O primeiro era um garoto de 20 anos tratado como uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, campeão olímpico e que vinha recebendo as primeiras oportunidades na seleção principal.

O segundo era um meia de 27 anos reconhecido como um dos jogadores mais técnicos e talentosos do país, que havia acabado de ser convocado para disputar a Copa América Centenário e parecia estar retornando aos melhores momentos do seu futebol.

Sete meses atrás, Gabigol e Ganso chegaram à Europa cercados de expectativa para a primeira experiência internacional de suas carreiras.

E hoje, relegados a meros figurantes dos elencos de Inter de Milão e Sevilla, respectivamente, só disputam um triste posto. Afinal, qual dos dois é a maior decepção do futebol brasileiro na atual temporada europeia?

Para te ajudar a dar uma opinião mais embasada sobre essa triste disputa, comparamos abaixo algumas marcas de Gabigol e Ganso na temporada de estreia no futebol europeu:

OPORTUNIDADES:

Gabigol ficou 16 minutos em campo na quarta partida da Inter de Milão após sua chegada, depois passou quase três meses sem atuar e voltou a receber chances nas últimas semanas. No total, disputou oito partidas pelo clube italiano, mas só uma como titular, o que explica só ter 153 minutos de futebol na Itália.

Ganso era peça importante para Jorge Sampaoli no começo da temporada e foi titular em três dos primeiros sete jogos do Sevilla em 2016/17. No entanto, está sem jogar desde 4 de janeiro e chegou a emendar oito partidas consecutivas sem sequer ficar no banco de reservas. O meia tem 12 partidas e 644 minutos de bola na temporada.

DESEMPENHO:

Apesar de ter sido pouco utilizado, Gabigol já foi decisivo para uma vitória da Inter. Seu único gol pelo clube de Milão foi o da vitória por 1 a 0 sobre o Bologna, na 25ª rodada do Campeonato Italiano. Até hoje, o ex-santista não deu nenhuma assistência para seus companheiro.

Ganso também só marcou um gol na Europa até o momento, mas ele teve pouca importância: foi o primeiro do 9 a 1 sobre o modestíssimo Formentera, da quarta divisão espanhola, em jogo válido pela Copa do Rei. Na mesma partida, o meia deu um dos seus três passes para gol na temporada –também distribuiu uma assistência no jogo de ida do mesmo mata-mata e na vitória por 2 a 1 sobre o Alavés, na sétima rodada do Espanhol.

ADVERSÁRIOS:

Gabigol tem um tarefa inglória se quiser jogar como centroavante na Inter: desbancar o argentino Mauro Icardi, capitão e principal jogador da equipe italiana. Pelos lados do campo, seus principais adversários são Antonio Candreva e Éder, jogadores da seleção italiana, e Ivan Perisic, um dos destaques da Croácia na última Eurocopa.

Ao longo de sua primeira temporada no Sevilla, Ganso rodou por praticamente todas as funções do meio-campo. Ou seja, todo meia do clube espanhol é um potencial rival por vaga entre os titulares. Os homens mais utilizados por Sampaoli nesse setor do campo são os volantes Iborra, N’Zonzi e Kranevitter e os ofensivos Vitolo, Nasri, Sarabia e Franco Vázquez.

PREÇO:

Gabigol custou 29,5 milhões de euros (R$ 98 milhões). Foi o segundo maior investimento da Inter de Milão para a temporada e uma das cinco maiores vendas para o exterior da história dos clubes brasileiros.

Até por ser mais velho, Ganso não custou tanto quanto o atacante. O ex-jogador do São Paulo foi contratado por 9,5 milhões de euros (R$ 31,6 milhões) e protagonizou a terceira contratação mais cara do Sevilla para a temporada.

PERSPECTIVAS FUTURAS:

A juventude e o contrato por mais três temporadas dão a Gabigol tempo de sobra para se recuperar e explodir no futebol italiano. Ainda que a Inter opte por emprestar o jogador para que ele adquira mais experiência internacional, a projeção alcançada pelo atacante durante o período no Santos deve ser suficiente para levá-lo a um time competitivo.

Ganso também tem contrato até 2021, mas possui idade e mercado menos favoráveis para desabrochar na Europa. Com uma carreira errática e dificuldade para colocar em prática todo o talento que possui, o meia dificilmente conseguiria um outro clube de primeiro escalão para defender no Velho Continente. Já no Brasil, as portas estão abertíssimas para recebê-lo de volta.


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Mais indisciplinado do Barça, Neymar bate recorde de cartões na Europa
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Rafael Reis

A temporada 2016/17 apresentou um Neymar diferente para o Barcelona: um jogador que deixou o instinto artilheiro de lado para se tornar o principal criador de gols do clube e assumiu o protagonismo da equipe em momentos decisivos, como o histórico 6 a 1 sobre o Paris Saint-Germain, 11 dias atrás.

Mas há algo no comportamento do brasileiro que não mudou nos últimos meses. Pelo contrário, só se intensificou recentemente: o número excessivo de punições que recebe da arbitragem.

O atacante, que é considerado um jogador especialmente indisciplinado desde o início da carreira, no Santos, já recebeu nesta temporada 13 cartões amarelos em partidas do Barcelona. A maior marca desde que chegou à Catalunha, quatro anos atrás.

Como Neymar já participou de 34 partidas em 2016/17, isso significa que a cada jogo que disputa, ele recebe 0,38 amarelo.

Os principais homens de marcação do Barcelona não chegam nem perto desse nível de indisciplina. Piqué tem seis cartões amarelos em 31 apresentações (0,19). Mascherano, sete advertências em 30 jogos (0,23). E Umtiti foi punido cinco vezes em 31 partidas (0,16).

O único jogador do Barça que é páreo para Neymar nesse quesito é Sergio Busquets. Assim como o brasileiro, o volante recebeu já recebeu 13 amarelos nesta temporada. No entanto, entrou em campo uma vez a mais que o camisa 11.

Antes de 2016/17, Neymar nunca havia recebido mais do que 11 cartões em uma só temporada de Barcelona. E mesmo assim, quando atingiu a marca, em 2015/16, disputou um número bem maior de partidas do que agora (49, contra as 34 atuais).

Ou seja, se mantiver a mesma média de punições dos últimos meses, o camisa 11 pode encerrar a temporada com 18 ou 19 amarelos.

Desde que foi contratado pelo Barça, o atacante brasileiro acumula 99 gols, 74 assistências e 41 amarelos. Apesar do excesso do número de advertências, ele ainda não foi expulso.

Mesmo com o recorde desta temporada, Neymar ainda está longe dos seus piores momentos de indisciplina no Santos. Em 2010, o ano em que mais foi punido pela arbitragem, ele recebeu 22 cartões amarelos e um vermelho.


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Motor do Real, Modric passou a infância em hotel para refugiados de guerra
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Rafael Reis

Aos 6 anos, você é obrigado a abandonar sua casa com a mãe para não morrer nas mãos do exército. Sem ter para onde ir, encontra teto em um hotel transformado em abrigo para refugiados de guerra. Seu avô, que ficou para trás, comprova que o temor da família não era em vão e acaba brutalmente executado pelos inimigos.

Qual o futuro dessa criança? Juntar-se a um grupo terrorista para descontar nos outros todo o sofrimento que sentiu, entrar para o mundo do crime organizado, tornar-se um indigente? Quase todas as opções são mais prováveis do que virar o “dono” do meio-campo de um dos maiores times de futebol do mundo.

Essa é a história da vida de Luka Modric, 31, peça essencial para que as engrenagens do Real Madrid funcionem desde que foi contratado do Tottenham, cinco anos atrás.

O meia franzino, de apenas 1,74 m e 65 kg, nasceu em um vilarejo com menos de 200 habitantes próximo a Zadar, cidade litorânea que então fazia parte da Iugoslávia.

Modric teve uma infância pobre, porém normal, até 1991, quando a Croácia declarou de forma unilateral sua independência e entrou em guerra contra o governo central iugoslavo (hoje Sérvia).

De uma hora para outra, a vida de Luka mudou radicalmente. Seu pai, Stipe, juntou-se ao exército croata pró-independência e foi para o campo de batalha. Com medo, sua família abandonou o vilarejo de Zaton Obrovacki, onde vivia. E houve ainda o assassinato do seu avô.

Com a preocupação única de sobreviver, o pequeno Modric acabou crescendo em um hotel para refugiados de guerra, em Zadar. Lá, sua mãe fez de tudo para poupá-lo dos horrores da guerra. Sua intenção era colocá-lo dentro de uma bolha.

Bolha onde o futuro meia do Real passava os dias chutando uma bola de um lado para o outro à espera do fim do conflito que havia mudado completamente sua vida.

E quando a guerra terminou, em 1995, Luka estava pronto para começar a escrever sua improvável história de sucesso. Aos 11 anos, entrou nas categorias de base do Zadar. Aos 16, assinou com o Dínamo de Zagreb, o clube mais poderoso da Croácia. Com 20, estreou na seleção principal. E, aos 22, migrou para a bilionária Premier League inglesa.

Foram quatro temporadas e quase 160 jogos pelo Tottenham até o Real Madrid desembolsar 30 milhões de euros (R$ 100 milhões) para levá-lo ao futebol espanhol, em 2012.

Em Madri, Modric não demorou para se tornar peça essencial no meio-campo galáctico e um dos jogadores de sua posição mais admirados pelos torcedores de todo o planeta.

Em cinco temporadas de Real, ele acumula 11 gols, 31 assistências, dois títulos da Liga dos Campeões da Europa e, o mais importante, a certeza de que driblou com a classe que lhe é habitual o destino sombrio que parecia reservado para o pequeno Luka.


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Fim das retrancas: Europa vê maior “chuva de gols” dos últimos 39 anos
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Rafael Reis

O Campeonato Espanhol não vê um 0 a 0 há mais de um mês. No Inglês, só três dos 20 clubes participantes têm média inferior a um gol por partida. E, no Italiano, três jogadores já romperam a casa dos 20 gols só nesta edição.

Esses não são fatos isolados. O primeiro escalão do futebol europeu (e, consequentemente, mundial) foi tomado por uma verdadeira de chuva de gols nesta temporada.

Somando os cinco principais campeonatos nacionais do Velho Continente (Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês), temos até agora em 2016/17 um total de 1.678 partidas e 4.593 gols. A média de 2,78 gols por partida é a mais alta dos últimos 39 anos.

Para encontrar uma temporada com fartura de bolas na rede superior à atual é preciso voltar a 1977/78, quando a grande maioria dos jogadores profissionais de hoje ainda nem tinham nascido.

Na ocasião, as cinco grandes ligas europeias registraram uma média de 2,79 gols por jogo, só um pouquinho acima da vista nesta temporada.

Nos últimos 39 anos, a média de gols da elite da bola variou entre 2,38 gols por partida, em 1991/92, ainda na ressaca da seca da Copa do Mundo-1990, e 2,76, marca registrada três temporadas atrás.

Em 2016/17, todas as cinco grandes ligas nacionais da Europa ostentam médias superiores a 2,5 gols por jogo. A Espanha é a que possui a média mais alta: 2,91, a mais elevada no país em 54 anos.

Inglaterra e Itália também apresentam marcas histórias em relação ao número de bolas na rede. No caso da primeira divisão inglesa, a média atual (2,84) é a mais alta desde 1968. Já os italianos têm nesta temporada o melhor resultado ofensivo (2,79) desde 1993.

O maior goleador das principais ligas da Europa vem da França. O uruguaio Edinson Cavani, do Paris Saint-Germain, já marcou 27 vezes, quatro a mais que o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o segundo colocado na lista.

Curiosamente, o ataque mais produtivo também vem da Ligue 1, tradicionalmente um dos campeonatos nacionais de futebol menos vistoso e ofensivo do continente.

O Monaco, que eliminou o Manchester City da Liga dos Campeões e desponta como a grande sensação da temporada, marcou 84 vezes nas primeiras 29 rodadas do Francês. Uma média que beira o inacreditável: 2,89 gols por partida.

As oitavas de final da Champions, aliás, mostraram bem essa nova cara do futebol europeu.

Tivemos dois placares de 5 a 1, um 5 a 3, outro 6 a 1 e mais um 4 a 2. No total, foram registrados 62 gols em apenas 16 partidas. Isso dá uma média de 3,87 gols por jogo.

E, vale lembrar, esses jogos reuniram aqueles que são em tese os 16 clubes mais fortes da Europa na atualidade, o que derruba o argumento de que a chuva de gols desta temporada seja apenas um reflexo da diferença técnica entre as equipes mais poderosas e as mais fracas.

Resumindo: o futebol europeu pegou gosto pelo gol. E quem ganha com isso são todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado. Ou seja, eu… e imagino que vocês também.


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Fora até do banco, Ganso vira última opção no elenco do Sevilla
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Rafael Reis

Sem jogar uma partida desde o dia 4 de janeiro e deixado de fora até mesmo do banco de reservas nas últimas três rodadas do Campeonato Espanhol, Ganso se transformou na última opção do técnico Jorge Sampaoli no Sevilla.

Em seu primeiro ano no futebol europeu, o meia brasileiro é o jogador “normal” do elenco profissional do clube que menos foi utilizado pelo treinador argentino.

Ganso

Com 644 minutos em campo, o ex-Santos e São Paulo só jogou mais nesta temporada que goleiros reservas, atletas que estão gravemente lesionados, reforços contratados neste mês de janeiro e meninos que ainda fazem parte das categorias de base.

A comparação com outros jogadores de sua posição mostram bem quanto Ganso acabou sendo relegado a um segundo ou mesmo terceiro plano.

O espanhol Vitolo já atuou por 2.289 minutos na atual temporada. O ítalo-argentino Franco Vázquez ficou em campo por 1.900 minutos. E o francês Samir Nasri jogou 1.474 minutos.

No total, Ganso participou de 12 das 33 partidas do Sevilla em 2016/17. Mas, nos últimos 60 dias, foram apenas duas aparições: na goleada por 9 a 1 sobre o Formentera e na derrota por 3 a 0 para o Real Madrid, ambas pela Copa do Rei.

No Campeonato Espanhol, já são oito rodadas consecutivas sem ir a campo. Em quatro delas, inclusive nas três últimas, o brasileiro não foi sequer relacionado para ficar como opção de banco.

O declínio do meia, autor de um gol e de três assistências pelo Sevilla, contrasta com a empolgação inicial de Sampaoli em contar com o jogador.

A contratação de Ganso foi um pedido pessoal do treinador argentino, que imaginava fazer do seu camisa 19 o homem responsável por controlar a bola no meio-campo do clube espanhol.

Só que isso nunca aconteceu. O brasileiro colecionou atuações apáticas e teve apenas alguns momentos de brilho, como uma assistência de calcanhar contra o Alavés, em outubro. Com o tempo, foi perdendo o crédito inicial e caindo no esquecimento.

Pouco utilizado, Ganso chegou a atrair a atenção de Fenerbahce e Trabzonspor, da Turquia. No entanto, os negócios não evoluíram devido à falta de interesse do Sevilla em emprestá-lo e o desejo de recuperar boa parte dos 9,5 milhões de euros (R$ 32,1 milhões) investidos em sua contratação.

O time de Sampaoli é o terceiro colocado do Espanhol, com 42 pontos, mesma pontuação do Barcelona, vice-líder. O Real Madrid tem 46.


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Na seca, Neymar-2016 só supera gols de ano de estreia no Santos
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Rafael Reis

Gol de Neymar. Há sete anos, ver o principal astro do futebol brasileiro balançando as redes não era um evento tão raro.

O oitavo ano como jogador profissional do atacante do Barcelona foi o segundo pior de toda sua carreira em relação ao número de gols marcados.

Neymar

Somando clube e seleções principal e olímpica, Neymar marcou 29 vezes em 2016, marca inferior às obtidas nos últimos seis anos e que só supera a da primeira temporada de sua carreira.

Em 2009, quando era um adolescente de 17 anos recém-promovido ao time principal do Santos e ainda só sonhava com o estrelato, o atacante fez 15 gols. Depois, sempre ultrapassou a casa dos 30 tentos por ano. Até que chegou 2016.

Neste ano, o camisa 11 do Barcelona viu seu faro artilheiro despencar. Em relação a 2015, o número de gols marcados pelo brasileiro caiu incríveis 37%. É muito para um jogador que não mudou de liga, continuou no mesmo clube e, em tese, ainda está em curva ascendente de desempenho.

Neymar já vive um jejum histórico. São nove jogos e mais de dois meses sem marcar pelo time catalão. Desde o 4 a 0 sobre o Manchester City, em 19 de outubro, torcida do Barça não vê um gol seu.

O resultado da queda no número de gols pode ser visto no desempenho do atacante nas premiações individuais.

Eleito o terceiro melhor jogador do mundo no ano passado, ele ficou apenas na quinta colocação na eleição da Bola de Ouro de 2016 e não está entre os três finalistas do prêmio da Fifa.

Também não figurou na seleção da última temporada da Liga dos Campeões da Europa e nem na do Campeonato Espanhol.

Mas o ano não foi só de notícias ruins para Neymar. Além da inédita conquista da medalha de ouro, o brasileiro se firmou como um dos “reis da assistência” do futebol europeu.

O atacante pode até não fazer tantos gols quanto antes, mas é o jogador que mais tocou a bola para os companheiros balançarem as redes na atual temporada da Champions (sete assistências) e divide com Toni Kroos (Real Madrid) e Pablo Piatti (Espanyol) esse posto no Espanhol –sete passes decisivos de cada um deles.

Só que os gols… esses sim estão em falta, como quase nunca estiveram em sua carreira.

CONFIRA OS GOLS DE NEYMAR ANO A ANO:

2009 – 15 gols
2010 – 44 gols
2011 – 40 gols
2012 – 56 gols
2013 – 37 gols
2014 – 35 gols
2015 – 46 gols
2016 – 29 gols


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Como Douglas superou as piadas para virar peça importante de time espanhol
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Rafael Reis

Só nos últimos 30 dias, Douglas ficou em campo por um período semelhante ao do seus dois primeiros anos no futebol europeu.

Tratado como piada por torcedores e pela imprensa do Barcelona, clube que defendeu de 2014 ao primeiro semestre deste ano, o lateral direito brasileiro foi emprestado no início da temporada ao Sporting Gijón para voltar a ter uma rotina normal de jogador de futebol.

Douglas

E, após dois meses e meio praticamente esquecido no elenco do pequeno time espanhol, enfim, conseguiu atingir esse objetivo.

O ex-jogador do São Paulo, que só tinha disputado duas partidas pelo Sporting até meados de novembro, agora é dono da lateral direita e um dos destaques da equipe asturiana.

Já são quatro rodadas consecutivas de titularidade no Campeonato Espanhol, com direito a seu primeiro gol desde que deixou o futebol brasileiro (contra o Osasuna), a primeira vitória do clube desde sua chegada.

Desde que foi escalado no jogo contra a Real Sociedad, no dia 20 novembro, ele já ficou 366 minutos em campo. Durante os dois anos em que vestiu a camisa do Barcelona, ele atuou por apenas 378 minutos.

A transformação de Douglas em titular do Sporting está ligada a uma mudança tática efetuada pelo técnico Abelardo. O brasileiro ganhou espaço no time depois que o ex-zagueiro do Barcelona resolveu abandonar o 4-4-2 para armar sua equipe com uma linha de cinco defensores.

Com um homem na defesa, os laterais ganharam liberdade para atacar e passaram a funcionar como alas quando o time tem a posse de bola. Cenário ideal para um jogador com as características de Douglas, que é bom ofensivamente, mas tem sérias dificuldades na marcação.

Além de compor o lado direito, o brasileiro tem aval do treinador para rodar pelo campo. Não é raro nas partidas do Sporting vê-lo puxando um contra-ataque pela esquerda ou mesmo aparecendo como elemento surpresa pela faixa central.

“Douglas foi muito bem. Sofreu para alcançar a melhor forma física, mas já está recuperado”, afirmou Abelardo.

O treinador foi o fiador da contratação do brasileiro. Ainda em agosto, quando questionado sobre a razão de querer em seu elenco um jogador que era tratado como piada na Espanha, fez questão de falar que o lateral era um “grandíssimo” reforço para o Sporting.

Um reforço que demorou para começar a dar resultado, mas que goza agora de total confiança de Abelardo para tentar ajudar o Sporting a sair da zona de rebaixamento (é o 18º colocado, com 12 pontos).


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Ingresso caro gera atrito com Real Madrid e ameaça lotação de clássico
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Rafael Reis

Barcelona e Real Madrid fazem o clássico mais aguardado do mundo, têm em seus elencos os dois melhores jogadores do planeta e são os últimos vencedores da Liga dos Campeões da Europa. Mas, apesar de tantos atrativos, o encontro deste sábado, no Camp Nou, dificilmente terá casa cheia.

Os 600 ingressos destinados aos torcedores do Real encalharam nas bilheterias. E o motivo é aquele velho conhecido nosso: o preço alto.

Camp Nou

A carga destinada à torcida visitante tem valor único: 123 euros (aproximadamente R$ 450). E não pense que ela dá lugar a uma área nobre do Camp Nou.

Os apoiadores do Real acompanharão o jogo de um espaço conhecido como “galinheiro”, localizado na curva do escanteio e no ponto mais alto do estádio. Ou seja, terão uma visão praticamente aérea do clássico.

O preço alto criou um sério atrito entre Real e Barça. O clube da capital criticou os valores cobrados pelo arquirrival e lembrou que no último encontro entre as duas equipes em sua casa, o Santiago Bernabéu, o ingresso para visitante custou “apenas” 80 euros (cerca de R$ 290).

Com isso, parte da torcida madridista resolveu boicotar o clássico, o que deve provocar alguns clarões nas arquibancadas do Camp Nou.

Os outros vazios no estádio, que tem capacidade para receber pouco mais de 99 mil pagantes, estarão ligados a um fenômeno cada vez mais frequente no maior clássico espanhol: o mercado de revenda de ingressos.

Na véspera da partida, sites de cambismo online, como o Viagogo e o Ticketbis, ofereciam ingressos com valores médios entre 300 e 700 euros (de R$ 1.100 a R$ 2.550).

Mas há entradas mais caras, bem mais caras. O recorde que se tem conhecimento no clássico espanhol aconteceu dois anos atrás, quando uma dessas empresas de revenda negociou um camarote para dez pessoas por 180 mil euros (cerca de R$ 655 mil).

Desta vez, a versão brasileira do site Ticketbis tinha ingressos VIP com preço máximo de R$ 23 mil. Já o Viagogo negociava entradas por até R$ 16 mil.

O clássico deste sábado é essencial para o Barcelona não se distanciar da briga pelo título espanhol. A equipe de Messi e Neymar é vice-líder da competição, mas está seis pontos atrás do Real.

Uma derrota em casa significaria ver essa desvantagem subir para nove pontos, tornando complicada a reação na sequência da temporada.


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Cor de gramados gera desavença e faz clubes do Espanhol levarem bronca
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Rafael Reis

A cor dos gramados dos estádios que recebem jogos da primeira divisão do Campeonato Espanhol se tornou um motivo de desavença entre os clubes e a entidade que organiza a competição.

Os times espanhóis, entre eles Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madri, foram repreendidos pela La Liga por não conseguirem deixar seus campos de jogo suficientemente verdes, ao gosto das redes de TV.

Camp Nou

A bronca foi dada pelo diretor de marketing da liga espanhola, Adolfo Bara, que revelou durante o a convenção mundial da Soccerex, nesta semana, em Manchester que a obrigatoriedade de manter os campos de futebol bem verdinhos faz parte das cobranças que a entidade faz a seus filiados.

“Quando você assiste a um jogo da Liga, a luz às vezes está boa, outras vezes, não. O gramado às vezes está verde, outras vezes está amarelo. Não há consistência”, afirmou o dirigente.

“Agora em setembro mesmo, a grama estava amarela em alguns estádios. Estamos conversando com os clubes para termos certeza de que isso irá mudar e que eles irão exibir gramas em um verde intenso.”

A cobrança por gramados mais verdes é apenas uma das medidas da Liga para tentar tornar um produto de marketing mais valioso e agradável para a televisão.

A entidade também orienta os clubes a melhorar a iluminação das placas de publicidade, pintar os estádios para evitar uma imagem de degradação e concentrar torcedores nas áreas filmadas pelas câmeras (para que a TV não exiba imagens de espaços vazios nas arquibancadas).

Os clubes que desrespeitarem essas orientações podem inclusive ser multados pela Liga.

A rigidez da entidade visa é uma tentativa do Espanhol de se aproximar da Premier League inglesa, competição que serve como modelo de gestão e marketing esportivo para o mundo do futebol.

Apesar de contar com os dois melhores jogadores do mundo (Messi e Cristiano Ronaldo) e ter vencido as três últimas edições da Liga dos Campeões da Europa, o futebol espanhol gera menos dinheiro que o Inglês.

Isso fica claro, por exemplo, nos valores dos contratos de TV das duas ligas. O Espanhol é o segundo campeonato nacional que mais fatura com os direitos de transmissões, com 1,6 bilhão de euros (R$ 5,8 bilhões) por ano. Só que o acordo da Premier League inglesa distribui aos clubes por temporada algo em torno de 2,3 bilhões de euros (R$ 8,3 bilhões).


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