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Rafael Reis

PSG transforma Marquinhos em volante e dá dor de cabeça para Tite

Rafael Reis

07/10/2018 04h00

Se Tite tem alguma certeza para o miolo de zaga da seleção para o ciclo de quatro anos até a Copa do Mundo do Qatar-2022, ela atende pelo nome de Marquinhos. O zagueiro já tem experiência de um Mundial, está há seis anos no primeiro escalão do futebol europeu, é titular de um dos times mais poderosos do mundo e tudo isso com apenas 24 anos.

Só que o entrave para o planejamento do treinador brasileiro tem um nome: Thomas Tuchel.

Desde que assumiu o comando do Paris Saint-Germain, no começo da temporada, o alemão tem insistido em experimentar Marquinhos fora de sua posição original e o escalado no meio de campo.

Em apenas quatro dos nove partidas disputadas em 2018/19, o camisa 5 do PSG jogou de zagueiro. Nos outros cinco jogos, atuou à frente da linha dos defensores, como uma espécie de primeiro volante.

O uso de Marquinhos como meio-campista tem pelo menos duas explicações principais.

A primeira é a aposentadoria de Thiago Motta. A saída do brasileiro naturalizado italiano não foi reposta pelo clube francês durante a última janela de transferências e deixou o elenco com um vácuo na posição de volante.

O único jogador do grupo de Tuchel que realmente é primeiro volante é o francês Lassana Diarra. No entanto, o veterano de 33 anos é visto dentro do PSG muito mais como alguém para compor elenco do que como um possível titular.

Sendo assim, resta ao treinador alemão improvisar no setor. Além de Marquinhos, o italiano Marco Verratti e o francês Adrien Rabiot também podem atuar no setor. Mas, escalá-los tão atrás significa perder as movimentações ofensivas que eles criam quando atuam mais adiantados.

Outro brasileiro que empurra o brasileiro para o meio-campo é a existência de três zagueiros "titulares" no PSG, apesar da preferência de Tuchel por uma linha com quatro homens na defesa (dois laterais e dois beques).

Assim como Marquinhos, o brasileiro Thiago Silva e o francês Presnel Kimpembe também são tratados como jogadores que merecem estar no 11 ideal do time mais poderoso na França. Mas, como há apenas duas vagas em disputa no miolo de zaga, um deles vai sempre acabar sobrando.

Na temporada passada, o que ficava de fora ganhava um descanso e ia para o banco de reservas. Agora, com um buraco a ser preenchido no meio-campo, é mais fácil deslocar o camisa 5 para outra função.

E é por isso que Marquinhos tem sido cada vez menos zagueiro e cada vez mais volante, para o desespero de Tite e da seleção brasileira.

Líder e com 100% de aproveitamento no Campeonato Francês até o momento, o PSG volta a campo pela Ligue 1 neste domingo. O adversário da nona rodada é o Lyon, que tenta entrar na zona de classificação para a Liga dos Campeões.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.