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Rafael Reis

Como um "pai" para Salah, 1º técnico vê egípcio tão bom quanto Messi e CR7

Rafael Reis

23/05/2018 04h00

"Ele é habilidoso, muito veloz e tem uma capacidade rara para a finalização. É profissional, talentoso e trabalhador. Ele mostra o quão formidável é o Islã e sempre agradece a Deus depois de cada gol". É assim que Mohamed Salah é descrito por seu "pai", Hamdy Nouh.

Não, o treinador não é o pai biológico da nova estrela da bola mundial. Mas "pai" é a forma carinhosa e respeitosa que a principal esperança do Liverpool para derrotar o Real Madrid, sábado, na decisão da Liga dos Campeões da Europa, costuma usar para se referir ao homem que começou a transformá-lo em jogador de futebol.

Nouh e Salah se conheceram quando o atacante ainda era um pré-adolescente de 12 anos que acabara de chegar nas categorias de base do El Mokawloon.

O técnico egípcio era o comandante da equipe sub-15, categoria para qual o garoto foi encaminhado, e viu de perto o quanto o hoje camisa 11 do Liverpool teve de batalhar para alcançar o estrelato.

O começo foi especialmente difícil. Salah morava em Nagrig, cidade onde nasceu, e tinha de percorrer 130 km para chegar aos treinos do El Mokawloon, em Nasr City, nos arredores do Cairo, capital do Egito.

Apesar dos três ônibus que precisava pegar para cumprir essa jornada, o menino não desistiu. E foi essa persistência (além do futebol bastante acima da média para o país norte-africano) que conquistou Nouh.

"Ele é muito dedicado e comprometido. Quando Salah tinha 15 anos, percebi que ele já havia dominado as noções básicas de profissionalismo e seria um grande jogador de futebol. Ele costumava fazer muitos gols e não tinha medo de entrar na área adversária e finalizar", conta o técnico, por telefone.

Salah se profissionalizou em 2010 e defendeu o El Mokawloon por mais duas temporadas. Em 2012, desembarcou na Europa para atuar no Basel (Suíça). Dois anos depois, já vestia a camisa do poderoso Chelsea.

Sem brilhar na Inglaterra, entrou na lista dos jogadores "emprestáveis". Foi cedido a Fiorentina e Roma. Jogou bem, fez seus gols, mas nada que o credenciasse ao posto de um dos grandes do futebol mundial.

Tudo mudou quando o Liverpool aceitou pagar 42 milhões de euros (R$ 183 milhões) para levá-lo a Anfield. Em menos de um ano no novo clube, marcou 44 gols, foi artilheiro do Campeonato Inglês, classificou a seleção egípcia para a Copa do Mundo-2018 e conduziu seu time à decisão da Champions.

O atacante deixou de ser apenas mais um bom jogador de futebol. Virou lenda, mito, exemplo a ser seguido.

"Mo Salah se transformou no ídolo de todos os jogadores egípcios. Ele representa a imagem do Egito, a imagem da África", diz Nouh.

O primeiro treinador do craque mantém contato frequente com o jogador. Sempre que Salah volta ao Egito, faz questão de visitá-lo. Quando eles estão distantes, as conversas são por telefone.

E onde Nouh quer ver seu pupilo? Talvez na cerimônia de melhor jogador do mundo. Afinal, para ele, o atacante do Liverpool já é tão bom quanto Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, dupla que domina a premiação há uma década.

"Certamente [eles estão no mesmo nível]. Salah ainda tem tempo e muitos anos pela frente para continuar brilhando e impressionando seus fãs".


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.