Blog do Rafael Reis

Cristiano Ronaldo só merece a Bola de Ouro se vencer a Champions

Rafael Reis

Quem será eleito o melhor jogador do mundo neste ano? Com a queda precoce do Barcelona na Liga dos Campeões e a classificação do Real Madrid para mais uma decisão europeia, a resposta parece óbvia.

Mas será que Cristiano Ronaldo, autor de 35 gols em 42 partidas nesta temporada, sua pior marca dos últimos oito anos, realmente merece conquistar pela quinta vez na carreira o maior prêmio individual do futebol mundial?

A bem da verdade, o português brilhou em apenas quatro jogos na temporada: no 3 a 0 sobre o Atlético de Madrid, ainda pelo Campeonato Espanhol, e em três dos quatro confrontos contra Bayern e Atlético na reta final da Champions, quando marcou oito dos dez gols que anotou nesta edição do torneio continental.

Tudo bem que essas atuações foram essenciais para o sucesso do Real na competição mais importante do ano. Mas, lembrem-se, foram apenas quatro jogos…

O que CR7 fez na Champions até agora não é muito diferente do feito do garoto sensação Kylian Mbappé, que balançou as redes em cinco das seis partidas de mata-mata do Monaco e carregou o clube francês nas costas até as semifinais.

E ninguém em sã consciência defende que o prêmio de melhor do mundo deva ir já para as mãos do prodígio francês de 18 anos.

Analisando a temporada como um todo, há vários jogadores que apresentaram um futebol de alto nível e bem mais consistente que o do camisa 7 do Real: Messi, o artilheiro máximo de 2016/17, Dybala, Buffon e Daniel Alves, da Juventus, a outra finalista da Champions, e talvez até mesmo Sergio Ramos e Marcelo, seus companheiros no clube espanhol.

Sendo assim, o diferencial de Cristiano Ronaldo para levantar pela quinta vez a Bola de Ouro e também o prêmio da Fifa, agora entregue em outubro, não pode ser esses quatro jogos de brilho extremo, mas sim, títulos.

A única justificativa plausível para a escolha do português como o maior jogador de futebol de 2016/17 é a de “principal estrela do melhor time do planeta”.

Mas, para isso, o Real precisa derrotar a Juventus e conquistar pelo segundo ano consecutivo a Liga dos Campeões da Europa. Um título de Portugal na Copa das Confederações também seria bem-vindo, só que não é essencial.

Caso a Juve fature a Champions, Cristiano Ronaldo pode até ser coroado. Mas sua vitória será muito mais efeito do marketing que o envolve do que pela bola jogada por ele.


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