Blog do Rafael Reis

Por que o Brasil produz os melhores laterais da Champions (e do mundo)?

Rafael Reis

Real Madrid, Atlético de Madri, Juventus e Monaco, os quatro clube que iniciam nesta terça-feira a disputa por vaga na decisão da Liga dos Campeões, contam com 11 jogadores brasileiros em seus elencos. Desses, nada menos que sete são laterais.

Três dos quatro times semifinalistas da Champions têm brasileiros como titulares absolutos da lateral esquerda: Real (Marcelo), Atlético (Filipe) e Juventus (Alex Sandro).

Além disso, o lateral direito mais utilizado pela Juve (Daniel Alves) também é um representante do futebol pentacampeão mundial. Assim como Fabinho, originalmente um lateral, que é peça-chave no meio-campo do Monaco.

Ou seja, os laterais de maior sucesso da Liga dos Campeões são brasileiros. E, como a Champions reúne a nata do futebol mundial, não é errado concluir que boa parte do primeiro escalão da posição no planeta é formada por atletas da terra de Roberto Carlos e Cafu.

A simples menção a dois nomes que marcaram época em um passado recente com as camisas de Real Madrid e Milan, respectivamente, mostram que não é de hoje que o lateral brasileiro é um produto tão valorizado no mercado internacional.

Mas, afinal, por que o Brasil produz os melhores os melhores jogadores do mundo nessa posição?

A resposta possivelmente passa pela concepção brasileira de quais habilidades são necessárias para que um lateral tenha sucesso.

Enquanto a maioria do mundo vê o lateral como um defensor que joga pelo lado de campo e que tem a marcação como obrigação principal, o Brasil se habituou a pensar nos atletas dessa posição também como parte do sistema ofensivo, jogadores que obrigatoriamente precisam correr de uma linha de fundo à outra e municiar os homens de frente nas jogadas de ataque.

Essa exigência diferente da vista no restante do planeta faz com que, ainda nas categorias de base, os clubes brasileiros coloquem jogadores mais técnicos e habilidosos para atuar como laterais.

Eles, evidentemente, não têm os mesmos poder de marcação e consciência tática dos europeus (ou argentinos, ou uruguaios), que aprenderam desde cedo que a missão de um lateral é evitar o gol, mas são muito melhores no manejo com a bola e no apoio ao ataque.

Os laterais brasileiros que ao longo da carreira conseguem suprir (ou reduzir drasticamente) essas deficiências defensivas originárias de uma formação diferente acabam levando vantagem sobre os jogadores da posição que são exclusivamente marcadores. Viram Marcelo, Filipe Luís, Daniel Alves. Viram os melhores laterais do mundo.

Os que não se adaptam à essa necessidade de aprimoramento defensivo precisam se contentar com o mercado nacional ou desperdiçam grandes oportunidades que a vida lhes dá, caso de Douglas, que descolou uma transferência para o Barcelona, mas acabou emprestado ao Sporting Gijón.


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