Blog do Rafael Reis

Não é só na seleção: Como Paulinho virou “homem-gol” na China

Rafael Reis

Quem se surpreendeu com os três gols marcados por Paulinho contra o Uruguai, há dez dias, e com o bom desempenho ofensivo do volante nas partidas da seleção brasileira precisa dar uma olhada no que ele anda fazendo no futebol da China.

Em seu terceiro ano vestindo a camisa do Guangzhou Evergrande, atual hexacampeão nacional, o ex-jogador do Corinthians tem balançado as redes como nunca na carreira.

O camisa 8 marcou três gols nas primeiras sete partidas da temporada e divide a vice-artilheira do time com Ricardo Goulart, goleador máximo da última edição do Chinês –Alan, outro brasileiro do elenco, já balançou as redes cinco vezes.

O “novo Paulinho” é bem diferente do jogador que demorou 24 partidas para chegar a três gols pelo Evergrande no ano passado e que marcou apenas duas vezes na temporada 2014/15, sua última pelo Tottenham.

E engana-se quem pensa que o sucesso ofensivo do titular da seleção brasileira na China está ligado a uma decisão de Felipão de escalá-lo mais à frente do que de costume.

No Evergrande, Paulinho faz a mesma função que executou na maior parte de sua carreira: a de segundo homem de meio-campo. O chinês Zhi Zheng, capitão da equipe, atua como volante, e Goulart é o jogador mais adiantado do setor de criação.

Ou seja, a alta frequência dos gols do xodó de Tite está mais ligada à sua volúpia e inteligência para aparecer no ataque como elemento-surpresa do que a um novo esquema tático que acaba privilegiando seus avanços.

Paulinho marcou pela primeira vez na temporada na estreia do Evegrande na Liga dos Campeões da Ásia. Na goleada por 7 a 0 sobre o Eastern, de Hong Kong, ele deixou sua marca e ainda deu uma assistência.

Os outros dois gols saíram no Chinês. O brasileiro fez os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Beijing Guoan, time de Ralf e Renato Augusto, no começo do mês passado.

Um dos jogadores que mais se “queimaram” no fiasco brasileiro na Copa-2014, Paulinho ficou afastado da seleção por dois anos e só voltou a vestir a camisa amarela depois da chegada de Tite, treinador que o dirigiu no Corinthians e o transformou em um nome de destaque no futebol nacional.

Com o novo técnico, ele virou peça-chave da equipe. Foi titular em sete dos oito últimos jogos das eliminatórias (cumpriu suspensão ante a Bolívia) e é o terceiro artilheiro da “era Tite”, com quatro gols.

Só Neymar (seis gols) e Gabriel Jesus (cinco) balançaram as redes mais do que ele desde a troca no comando da seleção. Outra prova de que Paulinho virou mesmo um “homem-gol”.


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